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08/09/2024

Passando ao de leve o espanador pessoal

É um nada difícil responder à questão: o Natal correu bem? Tenho respondido sempre: muito bem. Mas já que as Comezinhas valem como diário convém honestidade. À parte de ter passado um bom pedaço da manhã de 24 à porta das urgências do Santo António – aproveitei o “sossego” do momento para “mensajar” as Boas Festas a familiares e amigos - e o fim-de-tarde de visita lá dentro – nada de preocupante com a familiar visitada, tirando pouco mais do que o transtorno de lá estar. À parte de ter espatifado no chão o doce que levava para a Consoada, o que vale é que para contrariar a doçaria o Nuno e eu fizemos duas taças de salada de fruta para o jantar de 24 e o almoço de 25. À parte dos alinhadores dos dentes não encaixarem e de às vezes ter guinadas de dor forte – ao que parece é inerente ao processo de alinhamento. À parte da vizinha de baixo ter vindo queixar-se da infiltração de água da varanda que o Condomínio tinha ficado de tratar há meio ano, e de amanhã ter de accionar o meu seguro, apesar pagar também o seguro do Condomínio – inverte-se a situação por que passei em Bessa Leite, ficando com a perfeita noção que nisto de responsabilidade dos seguros vale a arbitrariedade total. À parte de hoje depois do almoço ter sido mordida superficialmente por um cão pequeno e irritante, só por o ter calcado num difícil movimento de quadratura do círculo no passeio, tentando impedir que abalroassem o Nuno - pronto, talvez tenha sido desajeitada -, tendo dito a inteligente dona do cão tinhoso: calcou-o. Borrifando-se para o facto de ele me ter magoado - foi muito superficial, nada que o Ritz não consiga fazer a brincar -, enquanto o Nuno esboçava uma reacção de desagrado e eu o puxava para sairmos daquele inferno momentâneo de estupidez - o que mais faço na vida é desenfiar-me de complicações como se nada fosse comigo e como se não fosse afectada. À parte das milhentas solicitações e da cabeça a mil. Tirando estas coisitas menores, o Natal foi óptimo.


A 24 Bacalhau Escondido, dizem que é assim que se apelida agora o primeiro prato que publiquei aqui nas Comezinhas em Dezembro de 2019 - feito pela minha mãe fica bastante mais bonito e delicado, com os ingredientes cortados mais miúdos e ordenados; para o ano tento fazer um mais bonitinho para figurar no blogue. Foi a primeira Consoada sem o Bacalhau Espiritual. A 25 Peru com batata assada, arroz, e introdução deste ano: ervilhas e cenouras estufadas a substituir os grelos e penca do dia anterior e o azeite fervido com alho. À sobremesa bolo-rei, sonhos, aletria (tentei uma nesga mínima, mas não, definitivamente não sou fã), panetone (não comi, ainda não aderi a esta novidade de há 20 anos da minha mãe) e salada de fruta (agora me lembro, esqueci de preparar o abacaxi da minha mãe, mas a salada continha, por isso não vem mal ao mundo). Primeiro ano sem rabanadas - foi estreia em muitos aspectos. Muita conversa, riso e troca de lembranças a 24; conversa viva, riso, cães, duas ou três horas a jogar Trivial e depenicar frutos secos a 25. Como nos esquecemos do café (acho que também foi a primeira vez que tal aconteceu) às seis da tarde estávamos cheios de sono. Acabou com a vitória do par de jogadores que tinha mais queijinhos no Trivial.


Isto é que é Natal?, perguntava há 20 anos a russa Maria. Ou seria a Nina ucraniana? Nem cantam? É, não cantamos. Conversamos e sobretudo gozamos com os defeitos uns dos outros, o que acontece sempre que nos juntamos. O Natal é só mais um pretexto para implicarmos.