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20/09/2024

A Guerra

Uma equipa de futebol de breves notas - a mioleira anda a pipocar. Quase sempre longe da actualidade, apesar de hoje ter prestado relativa atenção aos momentos na comunicação social que interessam sobre a encenação moscovita e o papel de Prigozhin, líder do Grupo Wagner, no eventual volte-face não só na invasão da Ucrânia, como no ricochete na Rússia. Ao contrário do habitual, entre a noite de ontem e hoje, apontei de modo muito sucinto assuntos a tratar: onze, algumas notas com quatro ou cinco palavras outras de duas linhas. Dá para uma partida de futebol. No fim, fico de apanha-bolas. Preciso reduzir o leque e escolher três ou quatro ideias para o post não ficar demasiado esdrúxulo. É certo que são quase sempre, mas parecendo que não, tento moderar.


O telemóvel continua a afagar-me o ego. A dependência está assegurada, meus senhores. Escusam de me mimar tanto. Nos últimos dias fiquei a saber constituir surpresa para muitos (a confiar no conteúdo lifestyle) que o bico das tampas das bisnagas de pomada sirva para romper a película da abertura do tubo. Como me recordo de usar o bico para abrir bisnagas há muitos anos, não me ocorreria que isso fosse matéria de dúvida. Fiquei assim com a sensação de ser uma sobredotada – ou será que estou a fazer aquela figura tonta, que odeio e critico tanto, de quem nasce ensinada? Não há como os criadores de conteúdo para me polirem a auto-estima. Mais, hoje explicaram a utilidade do relevo das letras F e J do teclado, estimando também que poucos a compreendem ou sequer repararam nela. Nesse caso, admito, só tomei conhecimento da utilidade depois do Nuno ficar cego e me explicar que era uma referência, uma orientação para escrever sem olhar/ver. De qualquer modo, hoje na qualidade de leitora de telemóveis marquei pontos como uma inteligência rara.


Agora, depois do preâmbulo pateta para adormecer gente mais exigente, encontro-me hesitante entre as notas a escolher. Numa das primeiras escrevi: modo ingénuo-oportunista dos liberais. Noutro: súplica em surdina pelo regresso de Passos Coelho. Porém acho que vou deixar para amanhã e atacar já o encosto do Estado e a indústria da caridade.


Volta a cansativa ladainha, mas é necessário: o pensamento dominante expresso publicamente (tantas vezes dissonante do íntimo) dos políticos, comentadores e de toda a intelectualidade fajuta dos jornais e das redes sociais vips, que acaba sempre disseminado entre a população, favorece e beneficia a irresponsabilidade. É perniciosa a defesa de um Estado que sempre vai em socorro de quem vive do risco e de modo mais aventureiro ou mesmo inconsequente. (Agora tive de interromper dez minutos porque o Nuno precisou de ajuda para repôr as saídas de som num dos computadores – os leitores de ecrã não lêem todos os menus, pelo que quem não vê às vezes precisa de ajuda, por mais expedito e organizado seja na informática; por falar em Nuno, hoje compôs uma música com tempo de valsinha, quando editar e gravar é capaz de ficar ao nível da Ode do Reencontro; foi a alegria do dia até porque há muito tempo não se dedicava à música como era habitual.) Em mais nova considerava este tipo de pensamento mesquinho. Mudei de ideias. (Estarei farisaica?) O Estado para ser levado a sério deve respeitar os cidadãos mais responsáveis e deixar de fomentar vidas acima das possibilidades. Estou consciente da repulsa que estas afirmações provocam e da acusação desta conversa supostamente invejosa convidar a cisões e conflitos. É com esta moleza tonta que muitos contam para viver sempre no regaço da protecção do Estado. Não é a verdadeira coragem e rasgo que vinga. Muitos sentem-se arrojados, lutadores ou mesmo empreendedores sabendo que, mais tarde ou mais cedo, outros mais prudentes, os lorpas, irão pagar a factura do arrojo. É certo e sabido.   


Noutro plano, a caridade é todo um mundo. Pesem embora as boas-intenções que reconheço em muitos dos que trabalham na indústria da caridade, não deixa de ser isso mesmo: um conjunto de empresas (associações) que movimentam capital e dão emprego ou ocupação a muitos. Quanto mais desenvolvida for esta indústria pior a saúde económica do Estado que a sustenta.


Os que mais promovem o Chega são os das fáceis declarações humorístico-bombásticas sobre os perigos do populismo e do radicalismo da extrema-direita, os que se negam a esvaziar o discurso demagogo, valorizando e trazendo para o espaço moderado as razões atendíveis, justas e silenciosas de contestação. Desculpem o tom maçador e pretensioso, mas ando há anos a dizer isto.


As outras notas – bitaites ou ditos levianos e sem fundamento na perspectiva dos bem-pensantes da praça que valorizam mais a retórica dos floreados e do papel de embrulho do que o simples conteúdo - ficam para os dias seguintes.