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Ainda em Lisboa a regressar ao Porto, chegámos a Santa Apolónia e uma chusma de gente em trânsito na plataforma à espera do comboio que está parado a aguardar que chegue alguém a tomar a iniciativa de rodar o manipulo de uma das portas e entrar. Rodei, empurrei a porta, entrámos e atrás de nós os que aguardavam com as suas malas, quase todos estrangeiros.
Posso levar muito na tromba da vida. Posso ser querida e estimada por muito poucos, desdenhada por muitos e ferida por alguns, mas hoje não estou em maré de falsas modéstias: abrir portas, romper, tomar a iniciativa nunca rendeu especiais simpatias.
Está um dia lindo e cada vez me aproximo mais de uma vida semi-nova. Há dias em que dói, porém o que mais conta são os dias bons. E estão a aproximar-se. O que é nocivo ficará para trás.
O que tenciono fazer quando chegar a casa? Arrumar gavetas.
Bom dia. Bom Domingo.