
Oito horas dormidas, chuveiro e café tomados. Intenção de variar o caminho até à Boavista. Contudo como fui ao supermercado comprar os três pães do pequeno-almoço com os colegas na empresa, acabei por fazer a pé o percurso habitual. O mesmo sorriso da caixa do supermercado, o mesmo cumprimento do desconhecido na Ramada Alta. Já na empresa um pequeno impasse, havia esquecido uma password alterada na semana passada. Questão resolvida com ajuda de outrem. Por volta das 11h30 estava sentada frente aos dois computadores a tratar de tarefas profissionais rotineiras quando se deu o apagão de luz. Tocou o telemóvel, era o colega Z., não conseguia estabelecer a ligação, mas percebia-se de imediato: estava fechado no elevador. Em minutos foi de lá tirado com ajuda de outrem. O apagão estendeu-se à rede, ao wifi e dados móveis das comunicações.
Sabendo que a minha mãe tinha ido para a Loja do Cidadão tratar de assuntos da irmã, comecei a tentar ligar para saber como estava. Fui para casa de autocarro e enquanto seguia confirmei também com o Nuno se estava bem. Pouco depois ligou um dos rádios a pilhas e também conseguiu rede para falar à sua mãe. Consegui trocar mensagens com a minha enteada. Por casa, tudo sereno. Ao fim de algumas tentativas consegui falar com a minha mãe. Estava fechada no elevador do prédio de casa da irmã, cuja condição de saúde não permite saia senão de elevador. Saí do autocarro (o ambiente estava relativamente sereno entre o silêncio de alguns passageiros e a conversa sobre as hipotéticas causas do apagão e inconvenientes) e apanhei um táxi. Depois de algum tempo à espera de entrar no prédio da minha tia e não conseguindo chave de emergência para abrir o elevador chamei os bombeiros. Informaram que havia centenas de chamadas. Entretanto chegaram dos meus irmãos e a L., empregada doméstica da minha tia. Começamos em busca de chaves de emergência por gente da zona. Ao fim de quarenta minutos voltei a chamar os bombeiros. A L. conseguiu uma chave mas não servia. Um dos meus irmãos pediu ajuda a trabalhadores de uma obra na rua. Vieram três homens com ferramenta. E conseguiram abrir. Duas horas depois da falha de energia a minha mãe saiu do elevador. Liguei para a emergência a suspender o pedido de ajuda. Estava resolvido com a solidariedade de boa gente a quem ficamos agradecidos. A minha mãe seguiu de carro para casa com o meu irmão e cunhada.
Apanhei autocarro após comprar uma garrafa de litro e meio de água e um pacote de bolachas numa loja asiática. Pelo caminho vi filas para os multibancos e gente acumulada às portas de lojas abertas. Junto a casa os supermercados estavam fechados. Entrei na loja chinesa onde tinha encomendado a capa de telemóvel e a película (a dona ligou-me para a Guarda nas férias a dizer que já podia levantar), mas entrei e saí. Estava um grupo de pessoas a comprar lanternas. Comprei uma Coca-cola de litro e meio na padaria e subi para casa. Era tarde de serviço da dona L. Atenta toda a situação e trânsito disse que regressasse mais cedo já que ia demorar a chegar a Gaia onde vive. Ouvi um pouco de rádio a pilhas para me inteirar das notícias. Soube que era previsível a energia voltar até ao final do dia. E à moda do que fazia em criança deitei-me a dormir para o tempo passar mais depressa. Quando acordei ouvi que se previa a reposição em duas horas da energia eléctrica no Porto. Foi preciso mais tempo: quatro horas desde o momento que ouvi. Aqui nesta zona de Cedofeita (paredes meias com Paranhos) chegou perto das 21h00. Vi e ouvi manifestações de alegria na rua e varandas. Na varanda da frente um abraço de alegria, na rua gritinhos e palmas de festejo. Expressão de alívio e contentamento.
Usámos energia apenas para fazer café, aquecer o jantar e ligar o rádio. E até agora temos mantido acesa uma luz de baixo consumo. À noite falei com o meu pai, troquei mensagem com o meu irmão mais velho e falei com o meu sobrinho. Falta ainda ter resposta da minha sobrinha. Às 23h45 ainda estou sem internet. Tive acesso apenas por poucos momentos. Um dia de apagão na energia eléctrica e comunicações com vicissitudes semelhantes a tantos pelo país fora.
Adenda. Depois da meia-noite voltou a internet. Recebi resposta de um casal madeirense que fez o passeio das Aldeias Históricas connosco. Conseguiram chegar ao Funchal já depois da meia-noite.