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31/05/2024

Curiosidades soltas

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Amanhã Sábado, isto é, daqui a umas horas será publicado o primeiro Curiosidades soltas.


Neste momento já nadei, apanhei sol e descansámos na Póvoa de Varzim: uma escapadinha no nosso refúgio habitual.


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Não liguem, muita parra e pouca uva. Agora deu-me "pró" marketing.


Bom fim-de-semana, pouquinhos mas bons passantes desta casa. Sejam felizes.


(Ups, quebrei a regra de postar apenas em três dias da semana; hum, já tinha quebrado no Domingo passado; não tenho emenda.)


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30/05/2024

Espanador

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Brevemente num blogue perto de si.

27/05/2024

Chá & Conversa

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Que se passou durante os quatro dias em que não escrevi? Muito do que imaginei reduzir a escrito sem concretizar. Divido este planar sobre os últimos dias em três tópicos. Notícias, livro e quotidiano.


Lendo o Jornal de Notícias, a minha aposta para esta temporada, fiquei a saber que o Tribunal Administrativo de Lisboa condenou, obviamente sem apreciar a questão de mérito, a AIMA a decidir no prazo de 30 dias um pedido de autorização de residência apresentado por um cidadão paquistanês. Refere o artigo que os tribunais estão inundados de pedidos semelhantes. Quais as deambulações mentais que esta leitura me provocou? A mais imediata: a compreensão e acerto da decisão. Os serviços públicos devem funcionar nos prazos estipulados. Daí recordei uma frase que me é familiar há muitos anos: a protelar também se resolve. Aplicada a este caso seria perversa e significaria que a inépcia da Agência de Integração para as Migrações e Asilo serviria ela própria como um filtro. Péssimo princípio, mas tantas vezes ditado pela realidade do mundo concreto português.


Derivei depois para matéria de política internacional e recordei a frase de Rishi Sunak, primeiro-ministro do Reino Unido. Há um mês declarou, a propósito da aprovação pelo Parlamento britânico da proposta de lei que permite o início dos vôos de deportação para o Ruanda dos requerentes de asilo que entrem ilegalmente no Reino Unido, que "Nenhum tribunal estrangeiro nos vai parar", prometendo as deportações dos migrantes para o Ruanda "aconteça o que acontecer". Li também que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou ontem que "nunca" aceitará a autoridade do Tribunal Penal Internacional perante a possibilidade deste ordenar a detenção de militares e ministros israelitas. Na sua perspectiva, já desde pelo menos 2015, as decisões do TPI dão legitimidade ao terrorismo internacional. E recordei os diversos episódios de Trump face aos tribunais norte-americanos e a forma leviana como encara as acções judiciais que aliás considera (com razão) beneficiá-lo.


Não se precipitem achando que vou sair numa deriva anti conservadora. O facto de ter pensado nestes casos não se prende com o acerto ou desacerto das declarações dos três estadistas, mas antes noutra questão. São manifestações de fragilidade dos alicerces democráticos e a constatação de que nos tribunais também se faz política - ao mais alto nível. Uma evidência antiga. Ao vermos as decisões judiciais questionadas ou rejeitadas pelos representes máximos do Estado (não vou entrar na questão dos estados em causa terem ratificado os tratados de constituição dos tribunais) percebemos a debilidade das instituições que garantem o respeito pelos direitos fundamentais, ao mesmo tempo que nos deparamos com a tomada de posição política dos juízes que as presidem.


Li também o artigo relativo aos concertos da Taylor Swift e ao longo dos últimos dias tenho lido esparsamente bitaites acerca da cantora/compositora. Nunca negando que todos têm o direito a opinião, fico sempre curiosa sobre os profundíssimos conhecimentos de música dos delatores, daqueles que enxameiam o espaço público a desmerecer esta artista de massas. Parece que muitos miúdos gostam e que o mundo ainda é mundo e isso chateia os maledicentes. Percebo, é mais fácil andar vinte ou cinquenta anos a ouvir os mesmos registos, quando não as mesmas músicas entediantes e balelas de alegada superioridade técnica ou artística para justificar cérebros pouco treinados para o gosto ecléctico.


Em matéria de livros estes quatro dias quase passaram em branco. Li apenas um capítulo sobre o Venerável Beda - deixou-me a pensar quando farei as pazes com a erudição, em tão maus lençóis e tão mal representada nos tempos actuais - e outro sobre Carlos Magno. Um cheirinho apenas. Para não variar ando na preguiça, por alguma razão o papel rende sempre muito.


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Quanto ao dia-a-dia, revelo que na quinta-feira fui ao Arrábida Shopping. Não é engraçado verificar como existindo tantos milhares de pessoas a deslocarem-se a centros comerciais, os intelectuais ao debruçarem-se sobre o mundo se dediquem apenas de falar dos mesmos roteiros: teatro, cinema, viagens, política, gastronomia, futebol, museus, concertos, livros, encontros literários ou de índole cultural mais abrangente? É como pilotar karting a vida inteira, ficam a vida toda a dar voltinhas ao circuito escondendo o mundo da generalidade dos concidadãos, que aliás é também o seu, pondo-se em bicos de pés para darem o ar daquilo que não são, desprezando a vida comum, invocando falsa sofisticação e seriedade. Ficam a brincar aos meninos pequenos, excitadinhos com a velocidade a que chega o prestígio fácil assim obtido, não compreendendo que o melhor objecto do interesse intelectual é o mundo concreto; e mesmo o mais vulgar. Fomos lá à noite comprar um par de sapatos para o Nuno – é curioso, numa semana estragaram-se dois pares com oito e nove anos. Não é curioso que sapatos já como muito uso resolvam dar a alma ao criador na mesma semana? Comprei também um par de sandálias confortáveis para as minhas andanças diárias. E trouxemos um teclado para computador que tem feito as delícias do Nuno. Da última vez tínhamos encomendado um mais simples. Erro. Para quem é cego, os teclados melhores fazem toda a diferença em termos de acessibilidade aos menus das páginas online ou mesmo à “navegação” pelas pastas do computador.


No Sábado de manhã fomos à nossa conhecida loja de instrumentos musicais Lamiré comprar uma nova Workstation da Yamaha. O Nuno teve oportunidade de tocar num piano de cauda acústico, num Bösendorfer. Uma delícia ouvi-lo. Em Novembro de 2014 escolhi o piano digital do Nuno atraída pelo som Bösendorfer, uma das vozes reproduzida pelo piano.


E no Domingo de manhã apostei nas investidas das casas. Não direi mais para não azarar. Já disse isto da última vez, bem sei. Mas um dia será. Fomos andar a pé na zona envolvente de uma delas. Muito arborizada. Seduz-me. Pena não ser rica, era logo casa e Bösendorfer. Na próxima encarnação vou escolher ser rica. Está decidido.


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Ao fim da tarde de Domingo para terminar em beleza sentei-me à chinesa na poltrona amarela a ver a Final da Taça de Portugal de Futebol. Como não gosto de ouvir os comentários tirei o som e aproveitei para escutar o segundo debate das eleições europeias. O meu Portinho ganhou, o iraniano Taremi marcou na despedida e o treinador Sérgio Conceição deverá despedir-se - a imperfeição deste homem transparece uma humanidade nunca compreendida por regateiros que se fazem passar por senhores nas televisões, blogues e outras redes sociais - adoram achincalhá-lo. Sairá em grande, como merece.


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Chá & Conversa

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Inicio hoje o Chá & Conversa. Vamos por partes explicando tudo como é costume.


Antes de mais aviso que o chá é preto e com açúcar. Se tiverem a mania do excesso de cafeína e açúcar possivelmente vieram à casa errada. Ou não, tragam a vossa infusão de verde, camomila, cidreira, frutos vermelhos ou a que mais vos aprouver e sentem-se confortáveis.


Há muito andava encanitada com a incapacidade de estar calada. Tendo consciência que parte das Comezinhas é feita de conteúdo reactivo, resolvi impor-me regra e publicar apenas três dias por semana. À quinta-feira sairá o capítulo Espanador, que será o mais demorado a ver a luz do dia. Explicando: ainda não escrevi nada sobre a História dos países europeus a que me propus. E não sei se demorarei semanas, meses ou anos a fazê-lo. Mas como língua de pescada inconsequente já o anunciei diversas vezes. Enfim, sou uma artista, mas no mau sentido, de artolas mesmo. Impostora. Já sabem que me trato bastante mal, batendo no ego com energia. Numa associação ao sexo é uma espécie de BDSM mas comigo própria, até porque quem quer que me tente bater apanha no focinho. Adiante.


Ao Sábado sairá o capítulo Curiosidades soltas com a ajuda do Nuno. Mais não é senão a tentativa de aproveitar conversas banais e soltas caseiras sobre matérias que tenho dificuldade em compreender do género de ciência e tecnologia e pelas quais o Nuno tem interesse e foi procurando saber ao longo da vida. É natural que nesta rubrica saiam também apontamentos sobre música ou qualquer outro interesse que na altura surja. Ainda não escrevi nada. Tentaremos deixar no ar uma ou mais ideias por semana de modo muito sucinto. A intenção não é ensinar, até porque temos consciência das nossas limitações e gostamos pouco de fazer o que é muito comum – chamar a si ou a amigos créditos de conhecimento ou virtude que não correspondem à realidade -, mas sim despertar a curiosidade de quem passa.


Finalmente à segunda-feira escreverei este Chá & Conversa que será o espaço semanal para continuar o registo normal das Comezinhas, afinal desde início disse que tomo o blogue como uma camilha em torno do qual se senta um pequeno punhado (pleonasmo?) de gente cujas casas visito em regime de reciprocidade. À segunda-feira continuarão a sair diários, noitários, semanários, fim-de-semanários, páginas de livros, expressões de emoções, vídeos de YouTube com música ou animações, manifestações de fúria, bitaites acerca de política ou o diabo a quatro, estados de alma, reflexões, curiosidades, as habituais mexerufadas com tudo isto junto etc. De tudo um pouco.


O importante nesta altura é ter mão no que faço, não me perdendo nas reacções, sobretudo nas repentinas para as quais tenho tendência e o mundo actual do imediatismo opinativo induz. Ajudará não publicar em quatro dias da semana. Será uma espécie de desmame da verboreia.


Claro que me pergunto sempre se não deveria estar a escrever contos ou uma novela ou um romance no recato da solidão. Por enquanto continuo a achar que fazer o que venho fazendo aqui no blogue, agora com estas pequenas alterações de regras de calendário, já é qualquer coisa da qual posso extrair sentido além de prazer - sim, escrever dá-me imenso prazer, às vezes dor. Em suma: as Comezinhas por si mesmas são já uma peça em construção. Sinto alguma vergonha em assumir momentos em que sou tomada por uma sensação de predestinação e de que não valerá a pena estar sempre a contrariar-me impondo mais regras ou caminhos que seriam tidos pelos outros como mais razoáveis e por isso mais aconselháveis. Há alturas na vida em que sigo guiada por ventos contrários como se fosse uma vela de caravela a navegar à bolina. A nuance está no incentivo pela negativa. Se fosse criança (não sou?), na psicologia reversa.


*


Mais logo sairá novo postal.

26/05/2024

Chá & Conversa

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Brevemente num blogue perto de si.

25/05/2024

Curiosidades soltas

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Brevemente num blogue perto de si.

23/05/2024

Espanador

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Brevemente num blogue perto de si.

22/05/2024

Exercício

Em tempos de Inteligência Artificial exercitar o músculo da vontade é o desafio, driblando as imagens, palavras e sons artificiais. Fotografias com reais manchas na cara e mãos em vez de corpos encerados no Madame Tussauds, textos com palavras desejadas e precisas em vez de previsíveis e mimetizadas sem consciência, sons com respiração e unhas em vez de samples.


Já para não falar de ideias.

Lanche

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Vive-se muito mal. Vida tão amarga. Cheia de azedume. É que dá ter colegas de trabalho que nos querem ver rebolar.


Nota: cortei a meio para levar metade ao Nuno.

Cheiro a esturro

Água vai.


O que não é costume dizer abertamente, mas devia para que haja consciência.


Um pot-pourri de (semi)anonimato ou heteronímia, excesso de à vontade, forçar precoce de intimidade pelo tutear e pelo elogio fácil directo ou velado, intervalado com tentativa de reparos descredibilizadores, convencimento de que têm a poção mágica da sabedoria e domínio da ironia e, claro, conselhos avulsos com fartura. Tudo sinais de alerta de que se está face a um falsário(a). É como se nada fosse, passam-se as décadas, o estilo é o mesmo e o tratamento que recebem é o mesmo: faço de conta que não percebo o engodo até desampararem a loja e partirem contentes com a sua estupidez natural, convencidos da grande capacidade de manipulação - acabam sempre por zarpar até porque a falsidade leva à exaustão das vidas vazias.


Alguns têm sucesso na sua empreitada de charlatão/tã e fazem dela modo de vida.


Aqui fica o meu contributo para o Dia do Autor Português.

Debates Europeias

Aqui fica o link do Expresso para os debates das Eleições Europeias de 9 de Junho. Espero que não façam como nas eleições legislativas de 10 de Março. Depois de pôr aqui no blogue a ligação atulharam a página de entradas com doses cavalares e soporíferas de opinião. Continuo a dizer que nos dias que correm é preferível ouvir os políticos aos milhentos comentadores.



Actualizarei o post à medida que se forem realizando os debates em falta. Até lá vou tentar ouvir os que já se fizeram, uma vez que só ouvi o primeiro. A ideia é no final escrever alguma coisa. Logo se verá se concretizo.

21/05/2024

A eterna incompreensão

Foram semanas a dormir pouco, cansaço, muito cansaço e sono sobretudo após o almoço, que dão azo ao caricato de me pôr por momentos sentada com os cotovelos espetados nas coxas e as mãos a segurar a cabeça para conseguir dormir os cinco minutos precisos a continuar o dia. Tudo por acordar antes de feito o ciclo do sono desejável. E passados tantos anos a dormir bem, caramba. Ainda assim, felizmente, continuo a adormecer logo que me deito. É questão de me impor voltar a dormir quando desperto cedo demais.


E a ideia de que escreverei o que quero e não o que manda o impulso. Chamam-lhe freio. É juízo, o que resta. E a certeza de não haver no mundo lá fora sensibilidade para sentir as diferenças, as nuances de razão e emoção que movem cada um. Alardeiam-se grandes rupturas. Aprecia-se a palavra disruptivo. Balelas panfletárias sem substância, muito menos inovadora. Tudo quanto haja de novo e benigno em termos de mudança é contestado e vilipendiado pelos mesmos que se dizem muito devotos da Liberdade, dos Direitos Humanos, da Democracia. Os que pelo mundo fora louvam conquistas civilizacionais passadas, são os mesmos que cospem na cara dos que hoje rasgam mentalidades. Impera a sobranceria, o bullying. Daqui a cem anos os bisnetos dos agressores estarão a idolatrar os heróis que os bisavós agora desprezam e pisam. Daqui a cem anos os bisnetos escarnecerão dos histéricos, dos ridículos, dos alheados da realidade que nessa altura estarão sós e incompreendidos a mover as agulhas da linha do comboio para evitar maiores acidentes.


Não uso o freio por medo da solidão, mas por estar ciente do que é chover no molhado e de como os javardos tudo quanto querem é esfregar as mãos com o que possam converter em reles, farejar o que roubar, ao mesmo tempo que usam verbe virtuosa, não distinguindo verdade e simplicidade de vulgaridade.


Ah, devia ter sido mais sugestiva nas primeiras linhas, as que aparecem no destaque. Pois, seria assim, se quisesse enveredar pelas babelas que vendem ou impressionam.

Condição humana

Como se pudéssemos ser o que desejam – o que desejamos. Como se existisse acerto e lógica - razoabilidade.


Somos caprichosos como a Natureza nos fez e verga. Zangados com a superior incapacidade: não sermos o que deveríamos. Quiséssemos ser mais exemplares e mais a Natureza nos subjugaria à imperfeição como sinal supremo de existência e condição perpétua. Em construção, em eterna formação. Para sempre inacabados, pejados de defeito. Incompletos. Imperfeitos.

Vila do Conde

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O mar de Vila do Conde em dia de adeus, 21 de Maio de 2024.

Beth Hart


No Domingo à noite estive a ouvir este documentário com interesse. Contudo às 23h30 valores mais altos se levantaram e deixei por ouvir os últimos oito minutos. Vou ouvi-los agora.

Há instantes

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Começar o dia. O rame-rame de sempre.


Bom dia.

20/05/2024

Compras de fim de tarde

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Um para dar, outro para consumo próprio.

O fio

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Um bule e uma vida por um fio. Muito tenho a agradecer a quem me deu este e outros bules e muito mais ao longo de cinquenta anos. Sobretudo livros, mas também canetas, viagem, brincos, colares, pulseiras, loiça. E parcas conversas desconcertantes já que nem o feitio nem o pensamento são fáceis e próximos da maioria. Presenteou-me também com respeito, matéria em que é muito arbitrário. Mais um motivo de gratidão. O presenteador nato da família, faz questão de escolher. O que mais quer dar. Este foi o último presente para a afilhada afortunada de um padrinho que na meninice escrevia poesia, na juventude pilotava aviões, toda a vida dançou e viveu numa casa cheia que desenhou embrulhado nos filhos e netos - a maior conquista, o maior orgulho. Amanhã vou vê-lo. 


O bule fará parte das Comezinhas no futuro. Ainda não sei bem de que modo, mas será um legado.

Nivelar por baixo

Ainda na casa dos vinte anos, sentada à cabeceira de uma mesa que reunia umas tantas vezes ao ano, senti aquilo que viria a ser recorrente ao longo da vida. Estar do lado de fora, viver do lado de fora do ninho aconchegante onde nasci. Fora da redoma. Uma rapariga com menos nove anos debitava certezas que também haviam sido minhas uma década antes. Falava com convicção na necessidade de mérito e valor. Éramos doze à mesa. Uma mesa sempre muito viva e discutida que replicava outra mais provecta na sala ao lado; como se replicam os tempos e em todos os tempos há quem alinhe e quem desalinhe. Cada um com as suas peculiaridades. Nas duas mesas gente sentada de quem gosto muito. O que não me faz cegar face à realidade e alinhar no que não faz sentido.


A vida atirou-me aos cães e também ao desprezo. Ainda hoje atira, sinto-o e há dias em que dói. Noutros, pelo contrário, o desdém dá-me alento. Assim será até ao fim dos meus dias. As aparências vingam sempre sobre o genuíno. Conheço os antecedentes e pelo que passaram os que antes seguiram um rumo independente e fiel a si mesmo. Vou sabendo o que me espera; não tenho muitas ilusões. Quando perdemos muito habituamo-nos e ganhamos calo. Felizmente pude perceber que as frases e as ideias feitas não passam disso mesmo e servem para ser questionadas. Em nova também acreditava e recorria a expressões do género: há que fazer por merecer. Sem esforço nada se consegue. O estudo e o trabalho recompensam. Tão ingénua e com tanto futuro sofrido à espreita.


Basta viver com os olhos abertos para compreender que a recompensa raramente vem do esforço sério, sendo antes muito mais uma dádiva de circunstâncias favoráveis e características humanas inatas. E é assim que em tecidos humanos pouco esforçados e de muito pouco valor recaem bênçãos ou ajudas de vária ordem que lhes conferem a errónea sensação de coragem e empenho. Parece injusto ou fruto de ressabiamento dizer isto, mas é tal e qual. Podemos passar uma vida a tentar racionalizar o que acontece à volta, tentando ser justos na avaliação, descobrindo qualidades especiais em quem resolve mais habilmente os problemas, apresentando soluções que aparentam mais conhecimento, mas um juízo critico sério não pode senão levar-nos a concluir pela arbitrariedade da justiça.


Passaram mais de vinte anos e continuo a deparar-me com tantos já com idade para ter juízo a vender a banha da cobra da meritocracia assente na lei da selva. Em termos económicos no mercado. Em termos sociais num patético elevador subornado. Em termos humanos na mais pura das arbitrariedades do vale tudo e salve-se quem puder.


Tudo isto me fez perder a paciência para grandes louvores de glórias fáceis. Logros de vitórias assentes em supostos percursos de trabalho, rigor e seriedade. Estes são muito raros e mais raros ainda os reconhecidos. Se o bom gosto e tentação da generosidade me leva a refrear a desconfiança, a lucidez mostra-me as causas dos diferentes destinos e essas nunca são puras e isentas de desonestidade.


Que tem isto a ver com a acusação de “nivelar por baixo”? Tudo. É o argumento predilecto de quem não tem especial valor (se o tivesse não seria soberbo), foi bafejado por facilidades, encontra-se numa situação privilegiada ou está disposto a todas as falsidades para a alcançar e tem medo de perder ascendente pela emergência e ascensão de quem supostamente está abaixo. Medo da verdadeira justiça, medo do real valor humano.


Tudo isto vos parece uma menoridade num mundo onde há fome, miséria, guerra e milhares de mortes injustas? Apetece apelar a sentimentos nobres e generosos ou fazer valer argumentos que desqualificam qualquer luta pela justiça considerando-a rídicula, fazendo prevalecer discursos inflamados contra males maiores por vezes longínquos? Pois, digo-vos: a justiça começa em casa e na forma como tratamos os que nos rodeiam. 


 


Escrito dia 19-05-2024.

Evidências

Não te martirizes pelas pilhagens a que assistes e de que és alvo. Criadores não foram feitos para promover audiências ou vender, isso cabe aos negociantes, alguns bem oportunistas, bem ladrões.

19/05/2024

Kill Ombo // Opalina





Fim de tarde

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Alegria em casa. Voz, piano e improviso.

Há instantes

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Acordar

Passam poucos minutos das sete, vou pôr a rolar outra vez o concerto da Billie Eilish enquanto escrevo o tal post de anunciei ontem acerca do ”nivelar por baixo”. Como de costume ainda não pensei o que vou escrever, sei que tenho sensações (sentimentos) e ideias sobre a questão, mas não as estruturei. Como já devem ter reparado se há coisa que detesto é gavetas demasiado arrumadas, isto é, ideias feitas. Quando se tem tudo aparentemente muito estruturado geralmente é porque se herdou, assimilou por contágio ou construiu artificialmente uma armadura de argumentos e não se quer pensar de peito e mioleira abertos. Não se quer reflectir por medo do desconhecido e vontade de preservar o que é dado e aquilo que se sente como escudo protector, seja ou não válido.


A ver vamos como sai a coisa. Não tenho muito tempo. De manhã terei de sair para o supermercado, vamos almoçar com a minha mãe e o N. e ao fim da tarde vamos conhecer e receber cá em casa a A., uma rapariga de 25 anos que se dedica à música. Vai ser um Domingo cheio, por isso é bom que despache essa tal coisa do “nivelar por baixo” agora logo pela fresca.

Clarão 23h45

(Explicação: meteoro.)


Clarão ilumina os céus de todo o país, no Jornal de Notícias.



Um clarão iluminou os céus de Portugal, este sábado à noite, pouco depois das 23.45 horas. O fenómeno natural, ainda sem explicação, foi visto em cidades como Porto, Castelo Branco, Viseu e Lisboa.


Na internet, muitos portugueses estão a relatar o episódio, visto por breves segundos, que deixou o céu iluminado, como se fosse de dia.


O momento foi captado pelas câmaras de vigilância e está a ser amplamente partilhado nas redes sociais.

 

18/05/2024

Agenda

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A ver se este fim-de-semana suspendo o ritmo frenético de postagens. Em agenda fica apenas uma entrada acerca do chavão acusatório do "nivelar por baixo", que usava muito há trinta anos. Como é um logro de ideia feita e o que significa em termos práticos.

Geografia

Sheppard software - we make learning fun.


Há uns anos, a minha memória é má, não sei se vinte ou menos, passei temporadas nesta página de jogos interactivos de geografia e outras matérias para miúdos e graúdos. Uma reminiscência dos jogos que me habituei a jogar em criança ao mesmo tempo que consultava os atlas e mais tarde as enciclopédias geográficas. Se tiverem boa memória, vão gostar ainda mais, podendo reter o que aprendem divertindo-se. Se tiverem crianças em casa, tanto melhor. É um site antigo. Possivelmente existem outros mais actuais e apelativos. É uma questão de procurarem, se tiverem interesse. 


Por mim, tenciono arranjar uma hora na tarde de hoje para brincando ver como anda a minha memória acerca de países e capitais do mundo. Muito útil perante o futuro que de avizinha. Uma página lúdica e educativa.


A página tem jogos de outra natureza. Por exemplo, de geometria ou gramática. Nunca explorei essas entradas. Cingi-me à geografia. Mas às tantas também não úteis.


Bom dia. Bom fim-de-semana.

Billie Eilish

Lido

No Jornal de Notícias:


 










Da Europa chegam-nos imagens de portos repletos de carros elétricos chineses, alguns aparcados há mais de um ano, numa invasão anunciada, mas que parece estar a ser mais lenta que o previsto. Em Portugal, a investida chinesa arrancou mais tarde e, neste momento, há apenas quatro marcas de ligeiros de passageiros (BYD, MG, Aiways e Maxus), a que se somam mais 24 nos segmentos dos pesados (mercadorias e passageiros) e dos motociclos. No entanto, anuncia-se a entrada no nosso país, até ao próximo ano, de sete novas marcas, seis chinesas e uma sul-coreana.





Das 18 mil novas camas previstas até 2026 para reforçar a oferta de alojamento estudantil, apenas estão concluídas 6% do total. Com a maioria daquela oferta (42%) em fase de adjudicação da empreitada e 30% em construção. Para a semana, o Conselho de Ministros será dedicado à Juventude. Aguardando-se a aprovação do anunciado programa de emergência para os estudantes deslocados. Que poderá passar pela renovação dos protocolos já existentes com as pousadas da juventude. 



Dados da execução do Plano Nacional para o Alojamento Estudantil (PNAES) atualizados a 14 de maio, e consultados pelo JN, contabilizam 11 projetos concluídos, num total de 1114 camas (ver infografia). Em adjudicação de empreitada estão 7677 camas e em construção 5356. 







No horizonte a 2026, o PNAES, recorde-se, prevê a construção de 18 103 camas, entre novas e requalificadas, num investimento de 446 milhões de euros financiado pelo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR). Atualmente, a cobertura fica-se pelos 14% para um universo estimado de 120 mil estudantes deslocados no Ensino Superior, representando mais de um terço do total.









Na cidade medieval belga de Bruges, a administração urbana estava à procura de uma nova casa e decidiu mudar-se para um antigo hospital em vez de construir um edifício.


O projeto inspira-se na iniciativa da Nova Bauhaus Europeia (NEB) para tornar a vida quotidiana na Europa mais sustentável, inclusiva e atraente.


[...]


Muito mais a sul, na costa do Adriático, Rimini está a utilizar soluções baseadas na natureza para combater o stress climático, criando dois parques: o Parco del Mare, à beira-mar, e o Parco Marecchia, à beira-rio. O objetivo é renaturalizar um território fortemente urbanizado.


Em frente ao mar, a cidade suprimiu uma estrada para criar uma zona verde para peões com uma grande variedade de plantas e árvores. A vegetação inclui a planta Lippia nodiflora, que necessita de relativamente pouca água, e árvores como o pinheiro-manso e o carvalho-verde, que toleram a presença do sal. A disposição das árvores maximiza a sombra e o parque atua como uma barreira contra as inundações costeiras.


Parte deste parque à beira-mar, que deverá estar concluído em junho deste ano, destina-se a construir um sistema sustentável de drenagem de águas pluviais para a cidade. Em vez de ser canalizado para uma rede de esgotos, o sistema de drenagem do parque alimentará o solo subterrâneo utilizando materiais permeáveis, evitando o transbordo de águas residuais para o mar.


[...]


Um século depois de ter surgido na Alemanha, a escola de arte, arquitetura e design Bauhaus está a renascer na Europa, numa tentativa de melhorar a vida urbana. O New European Bauhaus (NEB) tem como objetivo ajudar as cidades de toda a UE a tornarem-se menos poluentes e mais atrativas através de projetos artísticos, culturais e tecnológicos que abrangem muitos milhões de habitantes.





Novo álbum da cantora de 22 anos, “Hit me hard and soft”, já é visto pelos fãs como o seu melhor de sempre. Já está disponível nas plataformas de streaming.


17/05/2024

Feito

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A espiral do descrédito

Alinhar em comentários pingue-pongue entre facções e radicalismos não favorece a Democracia. Muito pelo contrário, alimenta fanatismo e potencia oportunismos de todas as facções. Radicais e oportunistas esfregam as mãos de contente com a espiral de descrédito. Para eles quanto pior melhor.

Ponto de situação

Fartinha de "emailar". Nunca mais são sete.

Testemunho

Conheço-os bem. São casados há mais de trinta anos. Lembro do entusiasmo apaixonado dele e do encantamento mais contido dela no namoro. De uma vida planeada a dois, cheia de ambições e sonhos. Recordo da alegria de ambos no nascimento dos filhos. De um percurso sempre lado a lado. De muitas bulhas e más palavras, mas de contínua cumplicidade. Lembro como em dois momentos de sofrimento, o desemprego dela e um problema de saúde dele, se uniram ainda mais. Lembro de um dar de mãos de conforto num: estou aqui para o que der e vier. Entre qualidades têm defeitos notórios: ela inteligente e sensata, mas egoísta e malcriada, ele perspicaz, corajoso, trabalhador e bom coração, porém sempre exagerado, intempestivo e intransigente.


Bem sei que este tipo de relatos inspira em muitos desconfiança. Há quem goste sempre de desmerecer bons casamentos, com a desconfiança própria da menoridade e da cobiça. Não ignoro os muitos desalinhos e intempéries emocionais de cada um dos elementos do casal que acontecem ao logo de trinta anos de casamento, mas sempre odiei maledicência. O facto do meu percurso afectivo na primeira fase da vida adulta ter andado longe desta consistência não me leva a desdenhar, antes pelo contrário, inspira-me admiração. Quase apetece dizer que se houver outras vidas quero ter a sorte e sabedoria de construir um casamento como o deles, cedo.


Escrevo isto hoje porque por estes dias o casal em questão está a passar por mais uma grave provação em termos de saúde. Juntos com o apoio dos filhos, não contra tudo e contra todos, mas a favor deles e da sua família. Pela positiva. Estou certa que tudo correrá pelo melhor. Limito-me a testemunhar.

Piloto automático

Pode ser impressão minha e haver quem compreenda de facto o que se passa no mundo – para lá de todas as conjecturas assentes nos palpites de quem extrapola da História para antecipar acontecimentos futuros -, mas fico com a ideia que o rumo do planeta e de cada um em particular segue em piloto automático.


A imagem que paira na minha mioleira é a de uma humanidade a levitar em estado hipnose, de acelerada inconsciência e de real incompreensão global, porém desfasada e delirante, persuadida de possuir grande conhecimento a que acede de forma demasiado fácil, quase mágica, como se o milagre da explicação cabal do mundo se tivesse verificado – com cada vez maior número de seres humanos convencidos de tudo saberem e de tudo serem capazes de explicar.


Foi-se a dúvida e com ela a saúde da humanidade - o conhecimento.

16/05/2024

Jornais

E aí vou eu à descoberta. Deslizando pelo mundo.


De amanhã a um mês vai expirar a minha assinatura anual do Observador. Este ano não esqueci de retirar o manhoso automatismo de renovação. Direi adeus ao Observador sem grande saudade, reconhecendo que li um ou outro artigo com interesse, no meio de um mar de doutrinação facciosa e medíocre. Um jornal feito essencialmente de comentário ou opinião. Apenas uns furos acima do Correio da Manhã que também subscrevi há uns anos – para criticar é preciso saber do que se está a falar.


Há dois anos ando hesitante em subscrever o Público, mas ainda não vai ser desta. Recuando ao tempo de adolescência recordo os jornais que lia habitualmente: Expresso, Independente, Público e Jornal de Notícias. E é mesmo este último que vou assinar, admitindo que hoje será um tiro no escuro por não o ler habitualmente nos últimos anos, por isso não ter ideia de como vem sendo feito. É mesmo um voto pelas boas memórias. Afinal fui feliz a ler o JN há duas/três décadas e é um jornal da minha cidade. Largo assim o centro das disputas ideológicas imbecis. Deixo para trás as lutas pelo poder, meras guerrilhas de ego encapotadas, a que estão entregues os jornais da moda e, em geral, o espaço público português. Política ainda mais rasteira do que a praticada no seio dos partidos e dos orgãos de soberania - afinal o quarto poder é hoje o primeiro e mais influente poder dissimulado. Sejam muito felizes a perorar do alto da vossa infinita presunção, estupidez e oportunismo. Por mim vou tentar voltar às notícias em si. Espero não me desiludir.


Amanhã assinarei o Jornal de Notícias

As encomendas do ego e da alma

Pendências? Procuro alguma para preencher umas linhas, como se me encomendasse um texto para encher chouriços. Como seria bom admitir-se que muito do que se faz mais não é senão escrita à toa e que as grandes causas e convicções não passam tantas vezes de entreténs do ego emprestadas por aparente força superior. Lemos grandes ensaboadelas, grandes conselhos que se traduzem em mera necessidade de afirmação do ego usados em passatempos supostamente sábios e educativos.


Diz-me o bom senso que deixe de perder tempo a pregar no deserto ou para quem vive no deserto do respeito pelo próximo e sempre convencido da sua profunda sapiência. O calo de ter vivido perto da imensa insensibilidade faz-me reagir à flor da pele. Devia pura e simplesmente passar por cima, sabendo o pouco que valem os seus detentores. Ainda estou na dúvida. Não sei bem se desista da denúncia. Sei que o meu esquecimento ocorrerá de forma espontânea; afinal parte do trabalho está feito: até já aprenderam qualquer coisa acerca de sensibilidade. De ora em diante passarão a usá-la distorcida em oratória de fachada, como se lhe conhecessem o sentimento. Ignoram-no. Compreenderão os netos e os bisnetos.


No fundo não é dúvida sobre a desistência, é mais expectativa acerca dos novos passos. Onde me levarão?

15/05/2024

Visitas inesperadas

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Há instantes. Creio que é um pardal morto. E são sete pegas (não se vêem todas na minha fotografia) nas bem chilreadas cerimónias fúnebres. E é isto a Natureza debaixo do nosso nariz. Entretanto dois minutos depois passa mais um avião da TAP em direcção ao aeroporto.


Cantilena infantil inglesa sobre magpiesOne for sorrow, Two for joy, Three for a girl, Four for a boy, Five for silver, Six for gold, Seven for a story yet to be told.


O colega tem a fotografia das sete:


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Isto soa-me a Deus a sugerir que escreva um romance. A tal história por contar. Mas fico aqui a debater: Deus, não sejas embirrento. Melga, pá. Não posso continuar a fazer as coisas como até aqui, ir assim diariamente acrescentado o que rolar? Posso, respondo-te eu, sem dar opção a réplica. A história escreve-se assim. Vai lá tratar de assuntos mais importantes e deixa-me tratar da escrita ao meu ritmo e vontade. Cada macaco no seu galho. Cada um na sua arte. Vá, andor. Trata dos teus assuntos - Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai, Mateus 10:29 -, que eu trato dos meus.


Entretanto passam aviões de outras companhias a ritmo acelerado. E outro da TAP. Já vos disse que adoro aviões?

Exercício

Dar 24 horas de benefício da dúvida e ao fim desse período vomitar em cima de falsos democratas, falsa gente instruída que sabe articular ideias razoáveis por ter usufruído de umas tantas décadas de consumo de comunicação social "fofinha", mas que por dentro é feita de mentalidade mais do que troglodita, sem um pingo de sensibilidade. Perfeitos matarruanos agressivos armados em gente razoável através de retórica falsa e oportunista. Desta gente que invoca valores e princípios tradicionais, mas no que importa despreza as mais elementares regras de respeito pelo próximo, se faz a massa asquerosa de biltres que tentará sempre dar cabo do país. Nojo. Asco destes cobardes.


Pronto, foi só um desabafo. Podem ir à vossa vida.

Dave Brubeck


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Não gosto de usar o rótulo "o melhor". Há poucas ocasiões em que me sinto tentada a quebrar a regra. Dave Brubeck é excepção. Tenho muito poucos cds. Comprei este conjunto há mais de vinte anos e fiquei sempre com a ideia que era coisa do outro mundo, tal o talento, tal o dom. De onde virá o génio de algumas pessoas que passam pelo mundo?


Também não gosto de elencar preferências. Mas é curioso que Tchaikovsky seja o meu compositor clássico favorito e  Dave Brubeck a minha primeira referência no jazz. Os dois mestres em contraponto e harmonia. Ele há aqui qualquer coisa que tenho de descobrir. Aí está um desafio.


Bom dia.

Mensagem de inestimável valor e interesse

Esta noite não há post.


Razão: varreram-se-te as ideias.


Até que enfim, pensa aliviado quem passa. Agora é aguentar mais um pouco caladinha. Vá, um esforcinho, tu consegues. Coragem.

14/05/2024

Ontário

Não, não vamos até ao Canadá. Terra onde tenho família afastada e por isso fui ao longo da vida recebendo notícias. Associo sempre a terra da folha de plátano ao frio, à neve e àquela anedota dos pais que ao sair da quinta onde vive a filha ouvem a seguinte indicação do GPS: a 60 quilómetros vire à esquerda. Ah, e também aos edifícios com vários andares abaixo da superfície e vidas citadinas quotidianas sem ver a luz do dia. Enfim, imagens desfasadas que construímos antes de conhecermos os lugares. Faz lembrar alguém a tentar convencer, sabendo do meu apreço por esta árvore, que a Guiana Francesa era coberta de Jacarandás. Desde aí fiquei sempre a idealizar a fronteira com o Brasil, com uma cancela levadiça para lá da qual se estendiam dezenas de milhares de quilómetros de arvoredo lilás azulado a cercar uma base de lançamento espacial. O meu mundo é assim.


É mesmo só o diário de ontem. Acordei bem-disposta e com as ideias no sítio por ter dormido o suficiente. A ver se tomo juízo e deixo de fazer as asneiras das últimas semanas/meses.  À ida a pé para a empresa, comprei os habituais três pães de abóbora e noz de pequeno-almoço de segunda-feira do nosso gabinete. Trabalhei como é normal e saí um pouco mais cedo à hora de almoço já que ao início da tarde tinha marcado o rastreio do cancro da mama. Rotinas próprias dos cinquenta anos. Cheguei ao edifício da Liga Portuguesa Contra o Cancro três minutos antes da hora marcada e fui atendida dez minutos depois no tal SNS que não funciona. Aproveitei a espera para ver excertos das rábulas do RAP do passado Domingo. Não tinha visto as figuras tristes do nosso brilhante diplomata - apenas mais um cargo de responsabilidade ocupado por um imbecil, nada estranho em Portugal -, apesar das gargalhadas que ouvi nesta casa na noite de Domingo. Os vídeos foram enviados por um amigo que conheci há anos aqui na SapoBlogs e sendo pessoa confiável tornou-se amigo com presença real. Se tudo correr bem no próximo mês, já está agendado, conhecerei no real outra pessoa que muito estimo daqui desta vida dos blogues. Mais uma vez gente confiável que sempre me tratou de modo leal e delicado e não de cima da burra. Depois de ver os vídeos segui de Uber para continuar a trabalhar e pelo caminho comprei quatro pêssegos para ver se nos próximos dias perco o hábito ganho nas últimas semanas de comer sugos enquanto labuto.


Ao fim do dia fui à Bertrand em busca de livros de Gonçalo M. Tavares, mas ao contrário do habitual não fiquei agradada com o espaço por duas razões. Não encontrei os livros que queria e levei com uma daquelas encenações que encanitam: um livreiro e um casal de clientes a falar altíssimo acerca de escolhas de autores e obras num diálogo dirigido à audiência. Ainda tentei pedir ajuda em voz baixa para saber se havia o que ler do autor escolhido além do que estava na estante, mas o escarcéu continuava e ninguém deu por mim. Saí decidida a encomendar online no sossego doméstico. Se quisesse assistir a uma peça encenada encaminhava-me a um Teatro e não a uma Livraria.


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Jantámos. Vi o debate para as europeias e confirmei uma vez mais que Bugalho é feito de astúcia, arrogância mal disfarçada em à vontade social (há quem confunda com boa educação) e vazio de convicções, ou seja, terá um futuro brilhante em Portugal e na Europa. Tem todos os predicados para ter sucesso. Antes de me deitar o Nuno contou-me a conversa com uma amiga brasileira (refiro aqui com conhecimento dele, como sempre, nada às escondidas). Discutiam os sistemas português e brasileiro de pagamento de salários e segurança social, com questões relativas ao salário bruto ou líquido, livre ou não de impostos, a contrapartida do acesso ao serviço nacional saúde e à educação, direito a férias pagas, aposentoria etc., e li mais dois capítulos das mil e uma noites dos titãs. Vai durar o ano inteiro, aposto. E rende, rende como gosto. Não pegava num livro há dois ou três dias, apesar de ir lendo.


E foi assim o dia.


Boa noite.

13/05/2024

Tchaikovsky


A banda sonora de hoje - a correr no meu auricular desde manhã cedo.


Não percam tempo. É só um básico Best of, coisa para ignorantes e não de connaisseurs. No caso de se distraírem, começarem a ouvir o vídeo e tiverem tempo, podem ler na descrição a lista das composições e a minutagem. Aliás enquanto corre o vídeo aparece o nome da obra. Pena não ter tempo para seguir e aprender todos os nomes. Também mesmo que lesse, a memória logo esqueceria. O que conta é que vale sempre a pena ouvir por ouvir. Puro prazer pelo prazer. Resumindo: desde manhã a ouvir sem peneiras boa música.

Ideias ao chuveiro, já

O mundo não presta. Se prestasse podíamos lavar as ideias no chuveiro todas as manhãs. Afinal se o maior grau de dificuldade pela manhã é lavar as costas, como querem que o mundo evolua? Há que elevar a fasquia. Se pudéssemos abrir a tampa da mioleira tirar para fora os neurónios bolorentos, ensaboá-los com um champô comprado no supermercado especial para ideias confusas e encardidas, enxaguar, esfregar e no fim pendurá-los no estendal a apanhar sol uns minutos, o mundo seria muito mais radioso.


Lavar as ideias é a minha proposta de revolução.


Bom dia. Boa semana.

12/05/2024

Andanças online

Há uns anos convivi com um amigo que tinha o hábito de criar perfis com os quais dava inúmeros erros ortográficos propositados à medida que ia estabelecendo diálogo com os interlocutores. Assim o “conheci” e, topando a estratégia, muito conversei com ele, até porque era uma pessoa culta e inteligente. Podia aparecer com que perfil quisesse, descortinava-o ao fim de poucos minutos. Não é que seja esperta, ele é que tinha um carácter muito vincado nas palavras e ideias, por mais as arrevesasse e dissimulasse. Por mais maquiavélico fosse. Era demasiado fácil. Num espaço onde predominava ignorância e vulgaridade havia sempre quem desconhecendo que se tratava de uma personagem o viesse corrigir (nada contra) e achincalhar (tudo contra). E ele, claro, delirava dar cabo de presumidos.


O Bonaparte, como o alcunhei dado o fascínio pela figura que possuía, tinha bastante mau feitio desconsiderando quase todos naquele espaço. São de temer os homens pequenos, dizia-me alguém em criança. Nunca concordei com a atitude arrogante. Mas ele insistia em dizer que destoávamos ali. Nunca alinhei até porque os meus erros são mesmo ao natural e conheci pessoas notáveis entre aquele lixo; de duas conservo amizade há 24 e 18 anos. Quanto aos erros e à gramática é Deus que me castiga nalguns dias – ainda não percebi a lógica do Criador, se divide os dias em pares e ímpares para me ajudar ou prejudicar. Não sei, mas é ao natural. Bem vistas as coisas, há alturas em que me parece justo, serve de travão à soberba. E vá: eu nasci assim, eu cresci assim, Gabriela (cantado alegremente). Sapato não, Seu Nacib.


Lembrei-me disto a propósito do conto do homem baixinho do banco de Gonçalo M. Tavares, publicado há pouco, dos presumidos e de como são fáceis de iludir, de anonimato e pseudonímia e da história de perder amigos.


E pronto, por hoje é tudo. Será? Este não destaco. Agora vou deixar poisar as palavras, vão ficar em vinha d’ alhos para logo serem trituradas e assadas sem dó nem piedade num qualquer forno escrita em série e de encomenda.

Contraponto a envelhecer em harmonia

Perguntas-te se não gostas por não compreenderes ou se não compreendes por não gostares. Inclinas-te mais para a segunda hipótese: a intuição atiça anticorpos ao pressentires aparência e artifício. Bloqueias, deixas de compreender.


Nos casos felizes à medida que se amadurece o Universo vai ajudando a descartar o que não presta. O tempo e os neurónios são preciosos à tentativa de compreensão do que tem valor, porquê desperdiçar tempo e atenção com fancaria?


Sendo contraponto queres envelhecer em harmonia, como numa composição de Tchaikovski.


 

Gonçalo M. Tavares

Encantada.


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Cem razões para viver


  1. No Inverno sentir vento frio bater na cara enquanto caminho na rua ou no parque.

  2. No Verão numa noite de calor sentir a brisa fresca do mar.

  3. Deixar-me apanhar pela chuva num dia quente.

  4. Vento e trovoada nos dias sim.

  5. Ver o sorriso de felicidade no rosto do Nuno.

  6. Observar alegria no olhar, na voz, na postura dos meus.

  7. Conversar individualmente com amigos e familiares em presença física.

  8. Receber chamada ou mensagem de amigo ou familiar a perguntar se estou bem ou se estamos bem, ou a contar novidades.

  9. Ser avisada por familiares ou amigos que vão passar cá por casa.

  10. Perceber no olhar e postura de quem estimo que gostou genuinamente da palavra que lhe disse ou da lembrança que lhe dei.

  11. Um par de vezes ao ano fazer uma jantarada familiar.

  12. Uma vez ao ano fazer uma jantarada com amigos.

  13. Assistir a gestos de atenção e delicadeza especialmente com pessoas de quem gosto.

  14. Andar de carro conduzida por alguém perdida na paisagem e nos pensamentos.

  15. Andar a pé na rua perdida nos devaneios.

  16. Estar sozinha com as minhas fantasias, sem que me interrompam: em casa, no autocarro, no comboio.

  17. Nadar em água tépida nos dias quentes.

  18. Passear na areia molhada da praia junto à rebentação.

  19. Dar e receber mimo.

  20. Coçarem-me as costas.

  21. Ler tudo quanto não me mace.

  22. Ler poesia.

  23. Descobrir novos livros e autores.

  24. Descobrir escritas cristalinas.

  25. Abrir livros, ler passagens ao acaso e decifrar enigmas imaginados.

  26. Ver na janela do escritório os aviões passarem em direcção ao aeroporto (dezenas, diariamente).

  27. Estar atenta às fases da lua.

  28. Noites de lua cheia.

  29. Ver subir no ar um balão de São João entre risos e alegria.

  30. Ouvir boa música.

  31. Ir a museus ou galerias apreciar pintura.

  32. Ouvir e dizer patetices que dispõem bem.

  33. Adormecer apaixonada.

  34. Acordar bem disposta e com vontade de rir.

  35. Regar as plantas da varanda e vê-las bonitas.

  36. Conjecturar remodelações do apartamento (raramente concretizadas).

  37. Percorrer lojas de artigos para o lar.

  38. Presenciar o apanhar de vigaristas, corruptos e criminosos.

  39. Ver reconhecido valor a quem o tem.

  40. Antever o desmascarar da aparência e da mentira.

  41. Ver pardais e boeirinhas a saltitar.

  42. Apreciar nos relvados melros de pena negra luzidia e bico laranja.

  43. Dar mimo e brincar com o Ritz.

  44. Escutar ou ler palavras delicadas.

  45. Sentir-me amada ou estimada.

  46. Devanear com momentos felizes e impossíveis.

  47. Sonhar, acordar e procurar a interpretação dos sonhos.

  48. Manter a casa limpa e arrumada.

  49. O cheiro a pão quente acabadinho de sair do forno.

  50. O sabor de pêssego, meloa, maracujá, cerejas e da fruta em geral.

  51. A memória do paladar da mousse de maracujá em Luanda.

  52. Café e água sem gás fresca numa esplanada.

  53. Tempo e disposição para de manhã pôr o creme hidratante na cara.

  54. Dormir de janela aberta.

  55. Dormir meia destapada.

  56. Acordar de manhã com o chilrear da passarada.

  57. Andar descalça em casa.

  58. De vez em quando gozar um dia inteiro (Domingo) de pijama.

  59. Árvores, arbustos, plantas e erva.

  60. Odor a relva cortada.

  61. Cheiro a terra molhada.

  62. Perfume a eucalipto e a resina dos pinheiros.

  63. O vôo errante das borboletas, especialmente coloridas.

  64. Chuveiro de água (quase) fria nos dias muito quentes.

  65. Dormir em lençóis lavados de cama bem feita.

  66. Sentir o aconchego do édredon macio e quentinho nos primeiros dias de frio do Outono.

  67. Demorar-me no chuveiro do hotel.

  68. O paladar de cogumelos frescos salteados.

  69. Ver o meu Portinho jogar bem e ganhar.

  70. Ser recebida por um sorriso na caixa do supermercado ou qualquer outro estabelecimento.

  71. Sumo de laranja natural e tosta mista ao almoço (raramente).

  72. Compal de pêssego e meia torrada ao pequeno-almoço (raramente).

  73. Ouvir ao acaso conversas alheias na rua ou no autocarro e sentir nelas cumplicidade e entreajuda ou simples surpresa.

  74. No Inverno ao fim-de-semana fazer chá preto com torradas para o lanche (raramente).

  75. Saber (boas) notícias da família alargada.

  76. Estar na treta com gente nova.

  77. Tagarelar com gente menos nova.

  78. Cavaquear com os mais velhos.

  79. Conversar com desconhecidos.

  80. Contemplar o céu laranja a poente e regressar à infância: amanhã estará bom tempo.

  81. Reviver Valinhas.

  82. Recordar Lagos.

  83. Lembrar viagens.

  84. Retroceder aos momentos felizes do passado.

  85. Fazer ronha de manhã ao fim-de-semana.

  86. Demonstrar afeição pelas pessoas que gosto.

  87. Planear mudanças e sonhar com o futuro.

  88. Visitar casas nos sites imobiliários.

  89. No Outono calcar com restolho folhas secas.

  90. Ouvir a zerichia e burburinho das crianças a brincar.

  91. Refastelar-me no sofá e tirar uma soneca com a smooth de fundo.

  92. Deslumbrar-me com os recantos de beleza “postal” da minha cidade.

  93. Pessoas e coisas despretensiosas.

  94. Pessoas e coisas com ar lavado.

  95. Reparar nos traços fisionómicos particulares entre aglomerados de gente.

  96. Esplanadas alegres à beira mar e navios na linha do horizonte.

  97. Férias, feriados e fins-de-semana.

  98. A ideia de viajar (temo que se escrevesse tão só “viajar” mentisse, de tal forma me comecei a embaraçar na logística).

  99. Escrever nos dias em que me sinto bem comigo e com o mundo.

  100. Meu Deus, só ao fim de 85 entradas (entretanto acrescentei mais algumas) me lembrei do cigarro: saborear a ideia de voltar a ter o prazer de fumar um cigarro quando fizer 82 anos.


 


E por aí fora. Esta lista não teria fim se continuasse a dizer tudo quando me anima.


Depois deste elenco não posso senão concluir tender mais para o feliz do que para o infeliz. Não foi com essa intenção de terapia que comecei a escrevê-lo, mas ainda bem que teve esse efeito útil. Não sei se faça um postal com o que não gosto e outro com o que me deixa indiferente. Ficarão para um dia lá mais adiante.


Se este postal tivesse pretensões, no lugar de boa música estariam três referências a obras e compositores célebres, em vez de pintura figuraria o nome de um par de mestres e seus quadros, tal como mencionaria a forma como me teriam tocado quatro poetas e dois romancistas. Desapareceriam as banais torradas para dar lugar a um requintado prato confeccionado por chef de renome. E por aí adiante. Sucede que não há em mim intenção de exibir uma vitrine de conhecimento em leque, mas tão só revelar o que penso e sinto. O que na verdade me alegra. 


Link para o post de 18-06-2022 aqui.