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07/05/2024

Sociedade Perfeita e Camões

Não gosto de recomendar leituras ou outros autores por uma simples razão. Considero que ao fazê-lo estamos em muitas ocasiões a chamar a atenção sobre nós próprios e não para o valor e mérito de quem mencionamos. Além de nos arvorarmos em entidades habilitadas a recomendar, como se fossemos a melhor marca de máquinas - lembram-se do anúncio da Skip?


Mas já o fiz um punhado de vezes e hoje vou voltar a indicar outrem excepcionalmente.


Num tempo e mundo em que tantos se afirmam muito lidos, tantos se querem mostrar muito sabidos, eruditos e tão cheios de soberba ironia, há um espaço aqui na SapoBlogs que está disciplinada, discreta e militantemente, sozinho há 128 dias a publicar um Soneto de Camões todas as manhãs. Assim está a celebrar discretamente na companhia dos seus leitores o Quingentésimo ano do nosso maior Poeta, num país que está a deixar passar a data sem a assinalar de modo digno.


Não vi até agora menções ou destaques a quem está a fazer a diferença. Talvez estejam à espera que o assunto se torne quente na actualidade e aí lá se lembrarão da Sociedade Perfeita, de José Silva Costa, no momento efervescente em que isso der direito a gostos e audiência.


Talvez os que vão ignorando Camões ou dizem de dedinho no ar que andam a "relê-lo", com enfado chic, se excitem no Dia 10 de Junho e façam declarações bombásticas de amor à pátria e desfiem o novelo de críticas a quem não dá valor à leitura e à poesia. O que é importante é assinalar os dias quentes, as efemérides, a efervescência, com a mão talhada de obituaristas da nação. Isso sim dá audiência e protagonismo.


Daqui das Comezinhas tenho uma palavra: obrigada.


O José não precisa de menções para ser lido; tem muitos leitores. Porém a forma como marca a diferença pela positiva num país de vaidosos deslumbrados com os vaipes do momento e esquecidos de Camões merece ser assinalada e destacada - enfim, reconhecida.


Obrigada, José. Bem sei que há gente que já leu tudo e tudo sabe e tudo ensina, mas para nós comuns mortais que vamos lendo pouco, é bom ir conhecendo muitos sonetos que desconhecíamos e não fosse o hábito de passar no seu blogue todas as manhãs continuaríamos a ignorar.