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05/05/2024

Mais um pequeno passeio no Porto

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Ontem fui por fim com a T. ao Batalha Centro de Cinema. Gostei de rever o espaço, que não pisava há tantos anos, agora reabilitado e modernizado em intervenção terminada em 2022. O C. não veio - está no sul do Brasil. Não, não fomos ver um filme e bem podíamos porque a oferta existe. Isso ficou a cargo do P., filho da T., e de uma amiga, que lá andavam a deambular numa maratona de cinema. A mãe galinha perguntava se tinham levado mantinha para não terem frio de madrugada, o rebento ironizava que se calhar teria sido melhor trazer a tenda. Podem ver a programação no link que deixei acima. A ver se escolho um filme para ir sossegada com o Nuno daqui a dias ou semanas. O filme que mais recordo, visto no Batalha: a A Guerra das Rosas, com Michael  Douglas, Kathleen Tuner e Danny DeVito, num feriado 25 de Abril do século passado. A programação actual está muito longe do género.


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Tomámos café - americano para a T., expresso para mim -, no agradável bar do espaço. Troquei breves palavras com a menina que estava de serviço e preparava com brio uma cevada. Quando a vi bater bem o cereal na xícara com a colher, percebi que estava a tratar de conseguir uma bebida cremosa. Lembrei da forma como a minha mãe ensinou em pequena a fazer o Nescafé, juntando ao café a colher de açúcar e a pinga de água, batendo até obter a consistência desejada, como preparava em nova no Negage, em Angola. A menina de cabelo vermelho que estava ao balcão conhecia a técnica e não a descurava – é preciso tempo e disponibilidade para os outros.


Nas mesas alguns leitores das revistas ao dispor na casa e grupos ou parelhas de conversadores, como nós. Idades variadas, desde o par de rapazinhos novos, até à mesa da professora septuagenária – soube a profissão quando chegou a amiga e anunciou. Pusemos a conversa em dia. As nossas pequenas mazelas, as alegrias e planos de futuro, que passam invariavelmente por dar uma volta à casa.


Subimos para conhecer a acolhedora biblioteca, equipada com um pequeno acervo de livros de cinema.


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Logo depois a T. disse que queria mostrar as obras em São Bento. Lá fez uma fez mais de cicerone já que tem estado muito mais a par das mudanças no nosso Porto.


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Descemos pela Rua Cimo de Vila e a Rua do Loureiro, onde não passava há anos. A T. comentou a paixão pela beleza da cidade, não se decidindo se gostava mais do Porto degradado ou reabilitado. Fotografou as floreiras enquanto me contava que tinha comprado um gira-discos e andava dedicada aos vinis e aos dvd antigos. Fixei-me nas varandas e sacadas das casas esguias e pouco práticas para a vida moderna e senti-me um tanto perdida na minha terra. Foi um regresso ao passado, agora acompanhado de chusmas de turistas e portuenses feitos lestos caracóis de corninhos expostos a um sol escondido, em tarde de mera ameaça de chuva. Ainda em Cimo de Vila podemos ver os graffiti de encomenda – um dos murais da Lionesa. Ao chegarmos à zona final da Rua do Loureiro, junto à gradeamento que faz varanda sobre a lateral de São Bento confirmámos a inauguração do projecto Time Out Market. A zona que era conhecida pelo consumo de drogas está de cara lavada. 


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Fomos visitar e tudo correu bem, salvo como é costume, para almas que não gostam de ruído, o excesso de decibéis de música no espaço mesclado com o próprio barulho de gente nos comes e bebes. Saímos lestas para as plataformas da estação – preferimos a paz dos nossos bem conhecidos avisos sonoros ferroviários, afinal em miúdas vivíamos junto a uma estação e estávamos habituadas aos sons das manobras dos comboios – ela ainda vive. À saída de São Bento reparámos na película branca de protecção que têm posto sobre os azulejos; confirmamos a mesma prática nos Congregados.


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Ainda houve tempo de ver o novo empreendimento junto da Praça D. João I, no antigo quarteirão da Casa Forte. E seguimos, ela para apanhar o metro para Gaia, eu para mais uma conversa com uma motorista brasileira da Uber. Reincidente em Portugal vivera cá um ano no início dos 2000, mas regressou ao Brasil para endireitar a vida da filha, e conta, esta licenciada em Direito pouco hábil na condução, que o seu sonho era voltar a viver no Porto. Concretizou-o agora. Antes de entrar no carro na Avenida dos Aliados, tirei a fotografia à reunião de estudantes - estamos quase na semana académica. Já vamos em Maio, céus. O tempo passa.