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05/03/2024

Pequenas coisas do dia-a-dia

Hoje às 8h29 dei entrada no Centro de Saúde, antes das 8h40 fui atendida pela médica de família para a consulta de rotina, com a referência para cirurgia (nada de especial ou que inspire cuidados) na Prelada. Diz a médica: está demorado. Digo eu: não tenho pressa, não é urgente. Quanto tempo?, pergunto. Riposta ela: há casos considerados menos urgentes, talvez três a seis meses para a primeira consulta. A médica é de opinião que deveria ter sido referenciada para cirurgia no próprio Santo António. É possível que tenha razão e até presumo que o motivo do médico do Santo António para me aconselhar a Prelada seja subjectivo e fútil, mas é o menos quando na cidade há escolha hospitalar. 


À saída do consultório enquanto me despedia olhei para o bengaleiro e vi o guarda-chuva do qual me havia esquecido na consulta do Nuno de dia 18 de Janeiro (há quase dois meses). Antes que eu dissesse o que fosse, a médica: ah, é verdade, é vosso. Eu lembro-me. Ficou aqui. Leve-o, leve.


Luxos. O Porto é uma aldeia da qual eu gosto.


Este também é o Serviço Nacional de Saúde, o tal que não funciona. O SNS de quem o usa, não o de quem faz política rasteira e oportunista à custa dele.


Bom dia.

27/03/2023

Rompante

Plano do Norte para urgências funciona em Lisboa?, no Observador.



Porquê? Por causa de uma “questão política e humana”: “Ninguém quer abdicar”, explica Mário Amorim-Lopes. “Não está em causa a perda de exequibilidade da medida”, defende o investigador em políticas de saúde: “Está muitas vezes em causa estes fatores humanos e políticos de capelas, em que ninguém quer abdicar da sua.”


 



Como sou precipitada, já tinha escrito o que vem a seguir, antes de ler o parágrafo precedente citado. É só conhecer o país e não alinhar nas ladainhas do espaço público informativo, de entretenimento e humorístico.


Não tenho tempo para procurar um trecho de Lord Byron sobre o agravamento da piolheira de norte para sul de Portugal. É impossível civilizar quem está convencido de ser muito informado, rigoroso, e inteligente ou perspicaz, e pura e simplesmente não gosta de regra, desdenhando dela com o desprezo próprio da falta de consciência da mediocridade própria envolvida no manto de aparente democraticidade.


Regra, gente. Menos paleio, e mais cumprimento da regra. É o que é preciso. Mas isto, lá está, é a visão de uma ignorante. Faltam-me aqui todas as evocações das primeiras páginas de jornais, todas aquelas redondilhas de factos e "factinhos", de leituras e releituras, de citações e referências, de argumentos e contra-argumentos que servem os interesses corporativos dos que trabalham no sector, de lutas partidárias e dos que comentam.


Não há país organizado, desenvolvido e rico sem sujeição à regra. Dizer isto aos príncipes e princesas de trazer por casa que se consideram credores de todos os direitos, mas sempre desobrigados da sujeição à mais pequena contrariedade, é um drama. Pelo que havemos de continuar sempre na cauda da Europa, a culpar à vez Costas e Passos (às tantas a culpa ainda é de Cavaco), que vão agradecendo também à vez tamanha importância e os votos lhes damos.

05/08/2020

Saúde para além da Covid-19

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Segundo dados do Público, em Julho último morreram 10.390 pessoas em Portugal. Se consultarmos os dados da Pordata, verificamos que nos últimos três anos em Julho morreram 7.935 (2017), 7.963 (2018) e 8.202 (2019). Pelo que a notícia avançada ontem pelo jornal de que os 10.390 representam um aumento de 26% não só é pertinente, como a situação é ainda mais preocupante se comparada com 2017 e 2018. Só se recuamos a 2013 esmorece esta significativa diferença, e ainda assim nesse ano houve 9.172 mortes.


O facto da Covid-19 representar apenas 1,5% dos óbitos de Julho é elucidativo do desamparo a que os portugueses e demais residentes em Portugal foram votados nos últimos meses em tudo quanto não diga respeito ao coronavírus. Todos nós temos conhecimento de situações de adiamentos e cancelamentos de consultas, exames, tratamentos e cirurgias. Em causa própria ou de familiares e amigos sabemos que, enquanto nos questionávamos se deveríamos ir ou não a tal ou tais consultas no hospital de residência, recebemos chamadas dos médicos que nos consultaram por telefone. E quando perguntávamos quando seria aquela cirurgia, nos respondiam para contar com pelo menos mais meio ou um ano de atraso e, em rigor, para não contar com nada certo, porque isto (o SNS) está de pantanas. Sabemos também que pessoas de saúde frágil tentam marcar consultas nos Centros de Saúde, vendo não só dificultado o agendamento em si, como a consulta ou outro acto médico permanentemente adiado. Algumas sucumbem.


No País onde a população - com a conivência dos profissionais de saúde e auxiliares - recorria e entupia os hospitais por motivos fúteis, passou-se ao extremo contrário de ter medo de lá ir ou tão simplesmente a ser dissuadido de o fazer. O SNS – ao qual gosto sempre de prestar a devida vénia pela regra de qualidade técnica dos médicos e enfermeiros - está igual a si próprio no que diz respeito à gestão e organização: caótico. Tal como o País, onde o maior dos males é a irracionalidade e a desorganização estrutural das instituições e de alguns cidadãos.