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11/01/2026

Informação

O que escrevo está a ser publicado no Medium.

Basta aceder a Isabel Paulos – Medium e terão os posts disponíveis. Não é precisa sequer subscrição.

Boas leituras e boas escritas.

01/01/2026

Plataforma Medium

O que escrevo está a ser publicado no Medium.

Basta aceder a Isabel Paulos – Medium e terão os posts disponíveis. Não é preciso sequer subscrição.

Boas leituras e boas escritas.

07/12/2025

Plataforma Medium

O que escrevo está a ser publicado no Medium.

Basta aceder a Isabel Paulos – Medium e terão os posts disponíveis. Não é preciso sequer subscrição.

Boas leituras e boas escritas.

02/12/2025

Informação adicional - Plataforma MEDIUM

O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

Ao contrário do que indiquei no post anterior o acesso não era inteiramente gratuito. Alterei agora o meu tipo de parceria com a plataforma para que o conteúdo fique livre apenas com a simples subscrição. Espero que tenha funcionado.

Sejam bem-vindos.

Boas leituras e boas escritas.

*

Adenda 11 de Agosto de 2025. Na realidade nem sequer é preciso subscrição. Basta aceder a Isabel Paulos – Medium e terão os posts disponíveis. 

16/07/2025

Informação

O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

O acesso não é aberto. É necessária a simples subscrição e iniciar a sessão na Plataforma Medium para ler integralmente as entradas publicadas. Sem custos.

Boas escritas e leituras. Obrigada.

03/07/2025

Registo

Antes de dormir começámos no ponto em que havíamos terminado na semana passada - na leitura da resolução do problema da longitude, com o cronómetro marítimo. Passámos para a teoria heliocêntrica de Copérnico e de Kepler e a explicação das leis que regem o funcionamento do Sistema Solar. E o heliocentrismo, o telescópio e o método experimental quantitativo de Galileu. Hoje ficámos pela gravidade como força universal que mantém unida a estrutura do universo de Newton e pela teoria geral da gravidade como curvatura espaço-tempo de Einstein: a matéria e a energia deformam a geometria do espaço como um corpo pesado num colchão.

Quantas vezes ao longo da vida fiz leituras acerca destes mesmíssimos temas? Inúmeras. E é sempre a primeira vez. Das duas uma: ou é deficiência nas capacidades cognitivas ou é falta de espaço no disco rígido – falta de memória.

Boa noite.

Bullying

Comportamento agressivo, intencional e repetido que pretende causar dor física ou psicológica. Por exemplo através do esbulho. É muito divertido vê-lo institucionalizado na plataforma online onde se publica. Disfarçado. Dissimulado como é próprio dos pulhas. Imperceptível aos transeuntes. Os protagonistas? Uns corajosos a agir em matilha, não haja dúvida. O poder instalado e desonesto a lucrar com as audiências. Clap, clap, clap. 

Está muito perto

Hesitei em publicar o vídeo do YouTube anterior - música Praying. Razão? É pimba. Logo caí em mim pensando: tolice, não faças figuras tristes caindo na esparrela da pretensão. Se te apetecer pôr a música que te mostraram ontem, põe. Tal como apresentas vídeos de histórias singelas, animações despretensiosas. E só por causa disto veio à cabeça a torrente habitual. Diverte-me ver gente que cresceu de forma desonesta, a vender-se a troco de favores, elogiar a própria seriedade e o próprio preparo intelectual. Estes auto-elogios são de rebolar a rir. Gozo como uma preta (ai, que susto) vendo gente a colar-se ao filet mignon da música, da literatura, do humor ou do quer que seja por ter acedido por mimetismo ao circuito fechado das referências convenientes em cada momento. Reparo como são os mesmos(as) que defendem a coragem com os fracos e a bajulação dos fortes, seja por via da exibição de erudição fajuta, da superioridade do humor rasteiro, do desdém do simples etc. Depois sossego e rio menos. Penso: a prosápia infundada é uma postura de vida muito popular, com legiões de seguidores prontos a imitar os gurus que escarnecem daquilo que consideram ser a inferioridade alheia. Recordo o que cedo me ensinaram. Quão mais perto da boçalidade e da ignorância, mais necessidade de demarcação do simplório, do parolo. E de rir à custa dele, desdenhando e escarnecendo, afinal é um negócio rentável com muita audiência. Lembro do que a minha avó me dizia em pequena, referindo-se a alguém que apreciava por inúmeras qualidades, de quem era amiga e que se negava a usar avental na cozinha: ela não pode pôr avental, ainda está muito perto.

Bom dia.

Kesha

O post aberto ontem

Ontem abriram dois postais "antigos".

The Boy, the Mole, the Fox and the Horse - Look to The Dawn


Boa noite.

02/07/2025

Adrian Borland

O que chegou cá

(corrigido)


O que paira nesta mioleira? As breves leituras de ontem. Os diagnósticos estafados acerca da fragilidade da Europa. Sabido o ascendente norte-americano que resultou da ajuda após a Segunda Guerra Mundial. Devemos estar agradecidos pelo grau de conforto de vida dos cidadãos europeus nos últimos oitenta anos em paz e simpáticos regimes de segurança social? Ou já pagámos a factura com o nosso trabalho e cumplicidade? A construção de políticas e instituições nas quais assentou uma paz de décadas. A viragem dos 80/90, com a queda do muro de Berlim, dissolução da URSS e expansão posterior para leste dos princípios que regem a União Europeia e as democracias liberais. Interrompida em 2022 (em 2014) com a invasão russa da Ucrânia.


A constatação das invectivas que o Presidente dos Estados Unidos provoca até nos mais sóbrios. E as conclusões que não adiantam um (ai o que me ia sair não se imagina) átomo à resolução dos imbróglios transatlânticos. Sim, aquilo em Haia foi mais do que vergonhoso e humilhante. Fez lembrar os vexames a que estão sujeitos trabalhadores dependentes do salário para sobreviver em relações laborais abusivas, das quais muitos parecem ter saudades abstraindo do facto de ainda hoje subsistirem pelo mundo fora e também no nosso país. A Europa não tem meios militares de defesa próprios, é facto. A sugestão parece ser a que cedo se aprende nas relações profissionais hipócritas: dizer a tudo que sim e fazer o possível, mantendo o foco nos próprios interesses. Uma conclusão lida ontem: só o aprofundamento das políticas comuns – o federalismo – em matérias económicas e fiscais permitirá o necessário caminho para uma defesa comum.


Mais leituras? A conclusão pela degradação do Serviço Nacional de Saúde. O estudo e os números da contratação através de prestação de serviços, das horas-extraordinárias e o absentismo. As conclusões que nunca podem vir a público. Os interesses corporativos são um saco sem fundo de despesa (dinheirinho nosso, sim, esse mesmo) impedindo qualquer tentativa de racionalização da gestão dos recursos humanos e materiais. Considerações que valem também para o Ensino.


A imundice da publicidade dos abusos na intimidade exposta nos tribunais e jornais. Tudo quanto devia ser tratado com delicadeza e pudor é feito matéria de enxovalho e audiência. A exploração do obsceno, das misérias e perversidades humanas existe desde que o mundo é mundo. Prevalecerá sempre a atracção pela coscuvilhice da vida alheia e necessidade de satisfação dos instintos animalescos através do voyeurismo informativo e judicial convertido em tema jornalístico, literário, cinematográfico etc. a pretexto de se tratar de abordagem reflexiva da condição humana.


Por fim, ecos leves dos tempos áureos do jazz nos anos 20 ou o futurismo de Amadeo de Souza-Cardoso num qualquer ponto do país. Passaram cem anos e parece ontem, tão perto. O que me passa no pensamento? Como cada um de nós é feito de heranças ínfimas do imenso mundo. Tocado de diferentes modos pelo criado por quem cá passou antes. Cada pequena partícula da memória constrói um ser humano diferente. Como o passado nas diversas manifestações artísticas pode tocar hoje um jovem nascido nos anos 90 em Portalegre, ou um velho nascido nos anos 40 em Coimbra, em fraternidade ou adversidade em função do grau de abertura de espírito e consideração – do grau de educação - de ambas as partes.


Bom dia.

01/07/2025

Jornais

Nos últimos dez anos subscrevi à vez três jornais. Hoje foi dia de assinar o Público. Assinatura que vinha a adiar em benefício de outras publicações. Em casa dos meus avós maternos e paternos comprava-se e lia-se o Comércio do Porto. Pude confirmar a razão de preterirem o Jornal de Notícias. No último ano tive subscrição activa do JN para evitar a overdose opinativa dos demais títulos, mas é fácil concluir que é um jornal com atenção voltada para mexericos. A minha intenção era a melhor, valorizar um jornal da minha cidade, mas não vou voltar a subscrever. A percentagem de assuntos irrelevantes é assustadora. É preciso andar à cata de informação com interesse e abstair da profusão de crime, tricas e futebol. Por diversas vezes o citei aqui no último ano, porém se for criteriosa verifico que as notícias que escolhi limitam-se às veiculadas pelas agências noticiosas. Valeu pela experiência. 


Em miúda, em casa dos meus pais, havia o hábito de comprar o Independente e o Expresso. Mas também o JN ao Domingo, creio que por causa da revista (partilhada com o DN). Era a revista que eu lia aos Domingos, depois de no Sábado ler os dois semanários mencionados. À semana lia pontualmente o Público na biblioteca e no café.


E é ao Público que regresso - em verdade nunca deixei de o consultar ao longo do tempo. Nos últimos anos com a limitação de não ser assinante e por isso não ter acesso a todos os conteúdos. A sensação é de ser a melhor escolha. Ou a menos má. Daqui a um ano logo darei nota se mantenho a opinião, como fiz dos outros jornais subscritos nos últimos anos.


Bom dia.

30/06/2025

Louis Vuitton a 3,99€

Passei a última meia-hora em busca de notícias em três jornais portugueses e num portal online. A impressão é a de entrar numa loja barata de contrafeitos em liquidação total. Daquelas com cestos grandes pejados de peças de roupa de má-qualidade que a marabunta revolve até encontrar artigos a 3,99€. Cada um tem o Louis Vuitton e a Dior que merece.


Boa semana.

29/06/2025

Diário 29 de Junho de 2025

Esta semana voamos com Ícaro numa história que encontrei no Medium, publicada em 2019. O bom desta plataforma é que vão destacando posts de anos transactos pelo interesse intrínseco e não por estarem em cima do acontecimento. Ora vamos lá a isto. O autor faz um apanhado da representação da lenda de Ícaro ao longo dos tempos. Explica a fonte: o poema épico do poeta romano Ovídio, Metamorfoses. E narra o mito de Dédalo, artesão e inventor, e seu filho, Ícaro, presos numa torre na ilha de Creta pelo rei Minos por ter ajudado Teseu, rei de Atenas, a fugir do labirinto que o próprio pai de Ícaro havia projectado. Não me perguntem porquê, mas Teseu tinha matado Minotauro, criatura com corpo de homem e cabeça de touro. Estes enredos da mitologia grega e romana sempre me passaram ao lado, como as intrigas dos romances históricos e das séries da Netflix. Se tiverem a pretensão de conhecer a história em profundidade podem sempre ler Ovídio. Para escaparem da prisão Dédalo fez dois pares de asas de penas e cera e advertiu o filho a não voar demasiado baixo para a humidade não pesar nas asas, nem demasiado alto para o sol não derreter a cera. Ícaro, orgulhoso e vaidoso, começou a subir cada vez mais alto, o sol derreteu a cera das asas, o que o fez cair e morrer no mar afogado perante a impotência do pai. O autor conta a história como representação da criatividade e do desejo humano de superação, e também do perigo da arrogância e do excesso de ambição. E enumera algumas invocações da queda de Ícaro na arte. Dou apenas nota de duas: as pinturas Paisagem com a Queda de Ícaro, de 1560, de Pieter Bruegel, e Paisagem com Lavrador a Arar e a Queda de Ícaro, de 1620–1630, de Marten Ryckaert. Ambos representam a tragédia de Ícaro como uma trivialidade num mundo que continua a pulsar com acontecimentos maiores, seja o lavrador a arar o campo ou os navios a prosseguir as suas rotas comerciais. É o que é, como dizem os miúdos. Podem ler a história que deu azo às linhas precedentes na Reading List.


O meu carinho por Ícaro vem do tempo do liceu. Não só por ter lido a lenda, nalguma versão abreviada como é meu costume, como por ter conhecido (ia dizer ter tido um amigo, mas seria excessivo, afinal partilhei apenas meia-dúzia de vezes a mesma mesa do café onde vivia enfiada; dividi a mesa e a conversa, claro está) um pintor cujo nome artístico é Ícaro. Com mais dez ou 15 anos do que eu e a amiga com quem partilhávamos a mesa, lembro dele mostrar-nos como se desenhava a perspectiva exemplificando com a figura de uma cadeira que ia nascendo como por magia na folha de papel a partir da ponta do lápis de carvão segurado pelos dedos de mão esguia e talentosa. Admirava-o. À época tinha 15 anos e já tinha deixado a Arte e Design para trás, já tinha noção do grau de dificuldade das artes plásticas. Tempos que ficaram lá muito atrás. Ao fim de todos estes anos a leitura da história do Medium fez-me recordar e googlei o nome do tal pintor. Lá o descobri no Google. Se pensar bem essa época foi recheada de gente ligada às artes. A minha turma de humanísticas do liceu produziu uma cineasta e um maestro de sucesso, e havia mais gente com inclinações artísticas.


O que mais? Hoje nas audições fúteis estive atenta às cores e a Carl Jung. Ainda um dia serei castigada por desdenhar da minha inclinação para os esoterismos e conteúdos de psicologia pop, afinal sou uma consumidora. Devia ter mais respeito e ser agradecida. A tese em causa? A nossa relação com as cores é manifestação do inconsciente e a rejeição por algumas delas revela o nosso lado sombra. O conselho? Assumi-lo, enfrentá-lo, integrando todas as cores. Comecei por ficar contente por ter uma boa relação com todas as cores enunciadas no vídeo. E por reconhecer o percurso. A primeira cor eleita na infância, o vermelho da força e da energia vital. A passagem para o azul, que ficou como cor predominante o resto da vida, a procura da paz. A escolha das cores neutras como os beges ou outros tons pálidos da paleta de tinta no início da vida profissional, a busca da imagem de sobriedade e seriedade. Foi sol de pouca dura. O que vingou? A presença de gama variada de cores no guarda-vestidos e na decoração da casa. Gosto das cores todas (será?). Há dias em que apetece imenso vestir a leveza do branco, outros a provocação do preto, o vermelho traz-me boas emoções, o amarelo e o cor-de-rosa alegram, o verde descansa, o azul dá efectivamente paz. O lilás traz a sensação de carinho e beleza. Comecei por ficar contente, dizia, todavia não podia deixar de criar dúvidas e complicações — inventá-las, quem sabe. O vídeo propõe que nos questionemos sobre as cores que rejeitamos para percebermos os aspectos da nossa vida e emoções com que lidámos mal. Dá o exemplo do cor-de-rosa e das pessoas que o excluem, revelando dificuldade em aceitar a vulnerabilidade. Ora pensei e no meu caso as cores rejeitadas são o roxo e o castanho. Para a primeira a razão é fácil de descortinar: preconceito herdado. Não será uma coisa da minha própria natureza, e até faz sentido, porque acho que teria facilidade em usar roxo apesar de a rejeitar por tique. No segundo caso é menos claro. Afinal no passado gostava de castanho; comecei a embirrar mais tarde, ao ponto de ter peças de roupa dessa cor que nunca usei. É estranho porque associo o castanho à terra, ao solo, à natureza, logo, não devia rejeitar. Pelo contrário, é tudo quanto gosto. Vou espiolhar a simbologia e já volto. Já fui, já voltei. Tinha alguma razão, é a cor que nos conecta à natureza, à terra, e está ligada à estabilidade, à segurança e ao conforto. Em suma: ao equilíbrio. Estará aqui a minha sombra? Pronto, lá terei de procurar uma peça de roupa castanha e vesti-la por dez minutos para começar a integrar em mim o lado sombra e aspectos do subconsciente rejeitados. Vi ontem na televisão que há chanfradas que manipulam e se injectam com substâncias para emagrecer compradas na internet e verifico agora que há malucas que fazem auto-terapia vendo vídeos que invocam ensinamentos de psicologia de Carl Jung. E com a máxima lata descrevem o processo no blog. Uma poupança em consultas de psicologia. É a vida.


Como contei no post publicado mais cedo, tentei ir ao sapateiro aqui na zona, mas está fechado aos Sábados. O romantismo do comércio de proximidade já teve melhores dias. Fui muito bem atendida no sapateiro do Arrábida Shopping e já tenho os dois pares de sandálias arranjados. Encontrámos os sapatos desejados para o Nuno, mas não a t-shirt branca para mim. À quarta loja encontrei a que gostei, mas a fila para pagar era infernal. Vim embora. O almoço foi agradável, conversado e regado com sangria — para mim, como a t-shirt branca, significa Verão -, com o mar ali do lado de fora da janela. Do lado de dentro as mesas familiares barulhentas e alegres e os comuns festejos de aniversário. No fim passeamos um pouco na marginal sob um sol caloroso e uma aragem leve e agradável. Tomara que o tempo esteja assim no final de Agosto/início de Setembro. Se tudo correr bem, faremos uns dias de praia em Gaia e outros em Angeiras. Para desestabilizar este doce enlevo, conto que à vinda passámos à porta da nossa antiga casa de Bessa Leite e comentávamos que somos mais felizes nesta casa actual por termos mais espaço e por nos vermos menos (em Bessa Leite dividíamos o escritório e discutíamos bastante mais) e também por não termos os constantes problemas de infiltração de águas. Eis senão quando já em casa me liga a vizinha de baixo a dizer que tem humidade no tecto por baixo do meu lava-loiça. Tenho tudo seco, pelo que o problema está escondido e implica obra. Resumindo: afinal não me livro da saga das infiltrações, das obras e das seguradoras. Praga.


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Não, não vou deixar isto terminar com tristezas. Para concluir conto que esta semana o Nuno reuniu uma série de músicas que foi compondo e editando ao longo dos anos num projecto coeso. Na quinta-feira estivemos a ouvir. O Mouro. Uma alusão à forma como eu o tratava por brincadeira há 25 anos e quando ele respondia que estava cá a fazer estágio para morcão. Sonoridades orientais a invocar o mundo do Mouro-encantado e da Xerazade.


Obrigada por terem lido. Bom Domingo.

28/06/2025

E se não

E se não escrevesse o diário hoje? Fazia gazeta à moda das muitas aulas a que faltei em miúda. Voltaria à sensação de transgredir em pequeníssima escala. 
A ver vamos o que prevalece: se o feitio antigo de maior rebelião, ou o mais pacato e cumpridor da maturidade (cof, cof, maturidade de trazer por casa).

Antecipação

São 8h30 da manhã de Sábado. Importantes planos? Café tomado, depois do chuveiro ir ao sapateiro mais próximo, no Carvalhido, pôr dois pares de sandálias a arranjar. Hoje em dia é raro compor-se calçado. Em regra, é de má qualidade e não recuperável. Feito para durar uma estação. O mundo mudou muito nas últimas duas ou três décadas. Ao fim da manhã vou com a minha mãe e o Nuno a Gaia, ao Arrábida Shopping, comprar um par de sapatos para ele. Oferta da sogra que assim teve ideia para presente de aniversário. Vou a um desses antros de consumo tão fustigados por quem passa a vida neles. Para mim, que lá me dirijo apenas quando tenho uma compra concreta a fazer, são úteis. Aproveito e compro, também para o Nuno, um par de calças de sarja azuis. As que usava deram a alma ao criador. Se vir uma t-shirt branca bonita para mim, compro. O Ritz esta semana deu cabo da minha predilecta com uma unhada. E tenho um livro para comprar de presente de aniversário da minha cunhada C., mas creio que vou adiar para a semana na livraria do costume. Depois vamos almoçar ao Mar à Vista na marginal de Gaia. Já marquei mesa. Esta moda recente de nos restaurantes vulgares ter de se fazer reserva é uma modernice. À vinda passaremos num supermercado para comprar iogurtes e mais qualquer coisita que falte em casa.


Em princípio, à tarde lerei as notícias e escreverei o diário. E à noite voltarei à leitura em voz alta da abordagem leve e abreviada sobre ciência. Ontem à noite vi televisão. É curioso como as mesmas caras e vozes podem ter efeitos diferentes. Relaxada pareceram-me sensatos e até aconselháveis de ouvir, quando à semana à hora de almoço só me apetece estrafegá-los tal é a irritação. Brinco e digo que não gosto de ninguém nessa altura. Nem do gato, imagine-se. Nesse horário odeio o mundo inteiro, e a mim também. Há a happy hour, eu tenho a angry hour.


E são estes os assuntos prementes que tenho a registar, sem os quais o mundo não poderia continuar a pulsar.


Bom fim-de-semana.

27/06/2025

Só mais um apontamento e já vos deixo em paz

Os mais novos têm hoje uma força de expressão antiga: é como é. Dizem amiúde.


A natureza sórdida do mundo é como é. Nada vai mudar apesar da denúncia. Nunca mudará. Gostava muito de não ter motivos para o registo egocêntrico neste blog. Para tal seria preciso ter sorte até na tragédia. 


O mundo é como é e soa infantil mostrá-lo tal como é. Nunca vai mudar para glória dos oportunistas e dos cobardes cúmplices.


Pronto, agora que já almocei vou trabalhar e continuar a vida corriqueira.

O post aberto ontem

(actualizado e aumentado)


Ontem abriram um post antigo. Ora vou explicar a importância do que parecerá infantilidade, insignificância mesquinha, mas diz muito do mundo no qual vivemos. Nos pormenores esconde-se o carácter das pessoas.


A entrada aberta ontem foi esta:



Entretanto como apaguei a fotografia do suporte das fotos, desapareceu do post. Tratava-se de uma fotografia de uma batata em forma de coração em cima da bancada da cozinha, com a legenda. "Amor à natureza... recíproco". 


Quatro anos mais tarde alguém aqui da SapoBlogs fez um post idêntico com a associação do "amor ao trabalho". 


Fiquei sem perceber se foi mimetismo ou pura coincidência. Pode acontecer. Afinal apanhar uma batata em forma de coração enquanto se cozinha acontece e quem tem blogs pode ter a tentação natural de fotografar e publicar. Ou fotografar os pés enquanto se passeia num parque ou jardim: ideia corriqueira também há anos registada nas Comezinhas. Neste caso, inclino-me mais para que tenha sido coincidência.


Mas não raro posts das Comezinhas e comentários deixados em blog com muita audiência foram mimetizados anos mais tarde noutro blog. E não é caso único. É uma realidade que conheço desde sempre e compreendo hoje ter a ver com a minha capacidade de criação e discrição e como estas qualidades servem de chamariz a gente oportunista.


Parece mania da perseguição? Patético? Doentio? Eu própria ponho travão nestas associações por achar que posso estar a ser injusta. Todavia este prurido é pura ingenuidade minha. Há gente verdadeiramente oportunista, que chega cheia de elogios e boas palavras e tudo quanto quer é aproveitar-se do talento e trabalho alheio. E assim conseguem obter os favores dos promotores de escória com muita audiência - aliás, eles próprios usam os mesmos métodos. É o género apreciado e valorizado - o género trafulha com sucesso no mundo do espectáculo, agora online.


E isto tudo a propósito de uma simples batata e de dois posts abertos ontem - também abriram o tal segundo do blog que teve a mesma ideia. É muito difícil distinguir no mundo quem está por bem e quem não está.


Extrapolando para planos mais sofisticados: é muito confortável dar ar de superior a estas mesquinharias. Menoridades. Mostrar-se muito bem consigo próprio e atento apenas a temas de relevo. Fazer de conta que o foco é no trabalho próprio e na valorização do trabalho alheio com valor (o que convém mencionar e elogiar por daí advirem dividendos). Mostrar superioridade moral e intelectual. É muito saudável. Pena poder corresponder à aparência e a máscaras que escondem sacanices.


A despropósito ontem vi a reportagem sobre Sócrates e a Operação Marquês. Às tantas dei por mim a aperceber-me da mentalidade torpe daquele homem enrolado no mundo da mentira, trafulhice, troca de favores, vaidade e aparência e também extrapolei para este mundo online e certas tribos que nele vivem. O tipo de mentalidade e forma de estar deve ser a mesma, pensei.


Consciente que este tipo de post cai em saco roto por ser fácil rotular o conteúdo de ressentimento paranóico, optei por escrevê-lo. Tal como há mais de vinte anos denunciava as trafulhices do BES ou há quase vinte a corrupção de Sócrates. Já na época era a desfasada da realidade, com prejuízo grave para a minha vida pessoal. Já na época os sábios, os lúcidos usavam e tropediavam com grande sucesso. Os protagonistas e as animadoras de claque vão mudando, mas os métodos não mudam. O mundo da opinião no espaço público é sórdido. E se dá ideia que vai para aqui uma grande confusão, é pura distracção. A verdade nua e crua é assim: incómoda. Mesmo que pareça baralhada. Nas Comezinhas não sirvo embrulhos de sapiência atraente, prontos para o mercado da edição e da publicidade. Nem faço favores a troco de promoção.


Fico mais uma vez com o odioso e dou todo o palco aos saudáveis, sábios e generosos das múltiplas amizades. O sucesso é todo vosso.


Bom dia.

26/06/2025

Jantar

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Mundo podre

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(re-actualizado)


Aqui a via não é reservada a aderentes. É livre mesmo. Todos passam. Poucos compreendem. Muito menos gostam. Não há espaço a apelos vãos à liberdade de trazer por casa. A liberdade que dá jeito ao negócio de rufias e privilegiados. Marimbo na lógica da coerência das vendas. Não busco o bonitinho para agradar a quem gosta de enunciar bons sentimentos e virtudes sem prática condicente. Quem valoriza e promove a escória presumida tem muito por onde se espraiar, escusa de perder tempo com as Comezinhas.


O que me passa pela cabeça?


O que de melhor aconteceu nos últimos dias não posso contar. Mais um mês e talvez dê nota retroactiva. Vidas que importam, as que mais importam, a compor-se.


Incómodos? Para acompanhar sapatilhas três pares de meias pezinho rotas no calcanhar em menos de duas semanas e dois pares de sandálias rompidas. Deve ter sido praga dirigida aos pés. Irrita pensar no preço do calçado e no pouco que dura. É o mundo fajuto que temos. De sapatos, de gente, de opinadores influentes. Lutarei. Irei ao sapateiro (há cada vez menos) e farei o artigo ordinário cumprir a obrigação de servir o propósito para que foi concebido.


Os sonhos de hoje impressionaram-me. Muitas crianças segurando-se a resguardos de metal de mobiliário urbano levadas por ventos fortes, chuvas torrenciais e mar revolto. E uma espécie híbrida de melão e melancia apodrecida em bolores - estranho e doentio aspecto da polpa sentido como oráculo que prediz o futuro. Nada de novo. Só espelho onírico das angústias na antecâmara da guerra global já começada e vivenciada nos múltiplos conflitos regionais.


O ridículo das lições virtuosas disfarçadas de defesa da democracia. O ardil no aconchegar-se aos rufias e à lei da selva de quem ao longo dos anos foi sempre defendendo e bajulando agressores. A anedota: esta mesma gente estúpida - presumida e sobranceira - com a máxima desfaçatez fazendo apelo inocente à virtude da modéstia. Só de gargalhada. Contorcionismo de carácter com muita audiência. Há dois mil anos estariam no Coliseu a divertir-se com o sacrifício dos cristãos atirados aos leões – ai a ignorante, é mito, é mito. Hoje estão na manada das grandes audiências do espaço público, especialmente na internet, a divertir-se à custa da calúnia e da injúria, fomentando-a, alimentando-a. Um negócio gerando múltiplos protagonistas – senhorinhos e senhorinhas pirosos - contentes consigo próprios e com o seu próspero negócio da intriga e maledicência à custa dos instintos animalescos da marabunta, indecisa em consumir informação sensacionalista de crimes macabros, escândalos e indignações, mexericos da bola, lavar de roupa suja ideológico, falsa erudição imbecilizante  ou disputas de vedetas. O pretexto? A defesa da democracia e da liberdade de opinião, a superior inteligência e as melhores virtudes de carácter. Lata não lhes falta, não haja dúvida. Às sábias e aos sábios do tanque da roupa suja. Promoção e audiência não lhes falta.


Há uma diferença abissal entre defender o que se acredita criticando más condutas sem nomear e viver à custa da maledicência e do bom nome alheio.


E é mais ou menos isto. Gostava muito de escrever frases fofinhas, ou muito coerentes e respeitáveis. Mas falta-me o MBA em lábia de intrujona. Desculpem qualquer coisinha.


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A primeira imagem foi gerada pelo ChatGPT a meu pedido - foi o que pude arranjar. A outra é desta manhã no elevador que subo e desço todos os dias. Rotinas.

25/06/2025

Nebulosa

A vida seria muito mais fácil se me dedicasse a entender o compreensível. Mas com esta queda para me perguntar pelo que não tem resposta clara só me complico.


Logo cedo dei-me a estranhar novamente esta coisa simpática das palavras me surgirem do nada. Plof. Olho para a tela branca e lá vem uma tão desusada que não tenho memória da última vez que teve serventia. Questiono-me. Ouviste ou leste algures mesmo sem te aperceberes? Não surgiu do nada com certeza. Mas em muitos casos não. A ideia é mesmo a de se abrir uma minúscula gaveta escura na mioleira feita fábrica de escrivaninha e por baixo de papelada inútil com décadas de desuso saltar a precisão do vocábulo exacto. Uma espécie de compensação para outros infortúnios. Muito obrigada, Universo. Nem tudo é contravapor.


E outra. Anteontem lembrei-me de alguém que não conheço e vive nas antípodas, mas a quem há meses li e leu-me. Veio-me à mente e passou. À mente, ao cérebro apenas. Não comentei com ninguém nem escrevi em lado nenhum, nem pesquisei, nem agi, apenas pensei por segundos, talvez um minuto. Não é que passado poucas horas essa pessoa dá nota que me leu. Como se tivesse pressentido que me recordara dela. E semelhante ao que aconteceu anteontem, ocorre-me amiúde com outras pessoas mais perto. Parece que me lêem o pensamento e eu a elas. Ora, nem tudo pode ser explicado pelo algoritmo, pela IA e pela loucura. Por isso brinquei no passado aqui nas Comezinhas dizendo que dá ideia que preciso apagar os cookies do cérebro e não dos aparelhos. Há com certeza uma explicação racional. Qual? Não sei. Talvez vá ver os episódios em falta daquele documentário sobre o paranormal e a ciência: Para Além do Cérebro.


Bom dia.

24/06/2025

Esforço

A negritude baixa sobre mim como nevoeiro denso. E levanta. Içada em esforço de clareza ocupada. A actividade traz normalidade. O ócio por mais trabalhe a profundidade, sempre me faz cair no embotamento reflexivo. Pensas demais. É. Mas não fosse isso e nada do que sou seria. O cansaço traz consigo a presença do que procuro abstrair. A decadência de quem estimo. As sucessivas derrotas do que admiro. A padronização da pilhéria. A monotonia de dias que só preconizo frutíferos por retroactividade – e como começa a soar ridícula a esperança depois dos cinquenta.


Ao criar não estou em condições de me satisfazer. Arrebatadores só a falta, a falha, o erro. O que ainda não é. Só o devir. Lá chegarei. Por agora o tempo é de trabalho inglório. Cada dia mais inglório. Em anestesia a tristeza já não faz mossa, já é a massa que cobre os ossos até ser animada pela iniciativa – pela clareza da acção. E de novo a alegria dos dias. Melhor, de momentos nos dias.


Acostumada a assistir ao sucesso dos atropelos e ladroagens, mas não conformada. Vejo a crueldade e o embuste vestidos de palavras e imagens atraentes dançando de par em par com as portas dos salões escancaradas. Não sobra pingo de sobriedade senão contrafeita. Não sobra pingo de ponderação senão de enfeite provisório. Sucedem-se as certezas em flash, logo obliteradas na próxima verdade. Efémera realidade plena presunção e crédito fácil. Sem critério, nem mérito. E desmemoriada.

Nota breve para consumo interno

Acabo de terminar a audição do romance Aparição, de Vergílio Ferreira – audiolivro disponível no post anterior. Não vou fazer comentário ou recomendação do livro. Não é meu hábito. Interessa-me apenas o toque subjectivo. Um registo pessoal. Não tenho a pretensão de avaliações ou críticas convencionais.


Foi um regresso ao existencialismo depois de muitos anos. Em miúda li um pouco de Simone de Beauvoir, Sartre, Camus. Nunca li Malroux. Lacuna a corrigir. Já comprei há anos A Condição Humana. Fica para melhor oportunidade. Sim, não é um existencialista, mas pelo que ouvi não andará longe.


Quanto ao romance que acabei de ouvir uma das sensações que se impôs no final: a confirmação de que as ideias e o conhecimento não são benignos em si mesmos. Mal apreendidos, caídos em espíritos mal preparados, mental ou emocionalmente desajustados podem dar péssimo resultado. E isto é tão real. É só olhar em nosso entorno, é só pensar na história do pensamento e nas suas concretizações no plano político ao longo da evolução humana.


Com os pés mais assentes em terrenos sólidos comecei hoje a ler ao Nuno A História da Ciência para Pessoas com Pressa. Sim, esse tipo de livro que envergonha tontos(as) presumidos(as). Estamos ainda na astronomia e cosmologia. Na Idade Média, nos árabes. A breve espanadela pela ciência passará também pela Matemática (já li o tomo da colecção dedicado), Física, Química, Biologia. Medicina e Geologia. Noções singelas e abreviadas. Não preciso de mais. Só de estrutura. E de revisão constante em função da péssima memória. Sou básica. O único comentário que deixo é também de confirmação: hoje em dia o saber milenar oriental, e em concreto da China, não passa ao lado dos manuais ocidentais, por mais ligeiros ou abreviados sejam. O que antes aprendíamos com os gregos, agora reconhecemos também aos chineses. Bem sei que antigamente já havia quem nos trouxesse esses ensinamentos, mas não constavam dos conteúdos para o grande público.

Aparição - Vergílio Ferreira

23/06/2025

Bom São João

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Jantar.

De passagem

Gostava muito de me demorar por aqui. Ler as diatribes facciosas acerca da actualidade e as vacuidades e questiúnculas habitualmente destacadas. É sempre muito enriquecedor, mas hoje estou sozinha a desempenhar tarefas de duas, pelo que não sobra tempo - ai credo, tão proletária, nós estamos habituados a desenvolver projectos, gerir, dar pareceres, elaborar, coordenar, administrar, leccionar, perorar, ela coitadinha, a simples, desempenha tarefas. Pobre coitada, tem a mania da perseguição, é o que é. Nós somos os lúcidos.


Ainda assim deixo aqui mais uma nota para dizer que continuo a reparar na mentalidade troglodita de gente cheia de si, esclerosada nos preconceitos e na sabedoria decalcada das larachas bafientas em círculo fechado e num ridículo convencimento de superioridade que desdenha dos "simples". Infantis por senilidade precoce acham imensa graça a si próprios e aos amigos. Uns empertigados. Uns e umas labregotes ascendidos(as) ou da velha guarda bem instalada ignorante, convencidos(as) que são muito maduros(as), cultos(as) e sofisticados(as). Uma anedota de falta de consciência auto-crítica. Pelam-se pelo negócio do humor, pelo jornalismo e comentário maledicente. Os ataques ad hominem na comunicação social, redes sociais e blogs rendem, dão lucro.  É uma das faces do negócio da manipulação da informação. As incubadoras dos novos ricos de hoje. Estão nos jornais, nos programas televisivos e espaços online de debate político, nas editoras e no entretenimento e humor. Com aparência jovial forjada na linguagem psico-jornalística sarcástica e na piada fácil à custa do trabalho alheio nascem velhos e morrem velhos a perpectuar calúnias e a desrespeitar o tempo, usando a injuria preconceituosa e a intriga dirigida para ganhar dinheiro e protagonismo. Passam pelo mundo sem nada de valor aprender. Parasitas bem instalados alimentam-se da criação alheia. E no fim fazem-se de vítimas usando o pretexto da liberdade e da democracia para ganharem dinheiro e protagonismo à custa da sacanice. Não se imagina a pena que tenho destes injustiçados. Os grandes vencedores do nosso tempo. Num rídiculo sem par consideram-se a si próprios corajosos. Uns heróis, não haja dúvida. Cada vez mais triunfantes.


Mas isso não interessa nada. O que há de sério? O que me preocupa? Que gente nova fique com os planos futuro coarctados nesta atmosfera de antecâmara de nova guerra mundial. Ver os meus mais novos perspectivarem o futuro com receio. Ver toda uma geração comprometida.


O que mais me irrita? A mesquinhez interesseira, a futilidade e a soberba. Tudo mais do que repetido nas Comezinhas.


De que mais posso falar, antes de recolher? Talvez do amor. Só para dizer que tem imensa graça ver gente perorar acerca do amor sem notoriamente ter aprendido primeiro a gostar. Gostar implica respeitar o outro, tratá-lo em pé de igualdade, com noção de reciprocidade, confiança e lealdade. Não deixa de ser caricato ver pessoas falar de amor quando não sabem sequer respeitar as pessoas que enchem a boca para dizer que amam. Quando nem sequer gostam de quem dizem amar. Balofices puras. Nem chegam a cantigas do bandido, são mesmo só palermices.

Picchu


Bom dia. Boa semana.

22/06/2025

Diário 21 de Junho de 2025

(actualizado)


Perdi o interesse pela entrada sobre pássaros no separador «Pintura» aqui do Medium. Em poucas palavras apresentam-se imagens de aves e a tese do seu carácter psicótico. Anula-se o cariz gracioso do cântico dos pássaros para identificar espécies mentalmente instáveis e violentas criando enredos macabros. Este apelo ao desporto da agressividade para provocar e obter audiência não me cativa. O único interesse seria o das telas em si, mas já perdi linhas suficientes. Vou sim procurar outra história no Medium. Vou usar a palavra birds no motor de pesquisa. Boa. Descobri algo interessante. Acabo de ser apresentada a Iván Moricz Karl, um pintor húngaro que emigrou em 1950 para a Argentina. O autor do post conta-nos que o artista na adolescência começou a interessar-se pelo hiper-realismo, género de pintura que se assemelha à fotografia de alta-resolução — em miúda não era muito fã deste movimento artístico, mas começo a reponderar. Especializou-se em retratar a natureza e em especial pássaros. Fez trabalhos para associações de conservação da natureza. Vive há muitos anos no frio andino isolado numa cabana dos Parques Nacionais Argentinos dedicado a explorar a flora e fauna da Patagónia. Recebe visitas dos amigos apenas ocasionalmente no Verão. O autor frisa que o pintor não é um ermita rabugento, mas sim um homem simpático que escolheu viver só para desenvolver o seu talento: um observador que conhece cada «detalhe das formas, texturas e cores dos frutos, troncos, folhas, garras, penas, pêlos» de tal forma que com o pincel é mais preciso do que a fotografia de alta resolução, isto porque a última para captar cada pormenor precisa de iluminações e orientações diferentes, enquanto a pintura pode integrar numa só imagem os diversos detalhes. Podem ler esta segunda história que deu origem aos comentários deste parágrafo na Reading List. Foi publicada em 2021. E deixo aqui um vídeo do YouTube onde podem conhecer o pintor: 80872-80872-Res-Vid-16x9-procM-GG-ES-VAD-MAX-SIR-ProcrNotLazyT-.


[Nota. Imagino que por algumas cabeças de tudo isto o que mais tenha retido é o pormenor da emigração para a América do Sul após a Segunda Guerra Mundial e daí parta para as ilações. Nada sei acerca do assunto nem das origens deste pintor.]


Mais cedo tinha em mente uma ideia que não sei como representar de forma mais desenvolvida do que isto: a profundeza do oceano não se compara à vida na praia chique, feita passarela. Por mais bonita seja a praia turquesa de areia branca e palpitantes ou perversas as tricas das vidas das personagens que as habitam e a forma como se relacionam à superfície, como pequenos veleiros navegados por elegantes aventureiros, falha o essencial. Pode haver beleza e até necessidade de mestria para pilotar, mas há qualquer coisa que falta, uma certa densidade incompatível com a busca de excite e sofisticação. Mas claro tudo pode ter interesse dependendo do que se procura. Até a superficialidade implica conhecimento e mesmo especialização. Pode é não interessar a quem não tem propensão para se distrair com o supérfluo.


O que admiro? Nem sempre o que admiro interessa-me. E esse é um disparate que pago caro. Perco muito tempo com questiúnculas e frivolidades que cada vez mais me irritam. Chego ao ponto da raiva. Devia simplesmente ignorar como quem desliga um programa da televisão de má qualidade. Mas o facto é que não consigo nem posso ignorar o mundo. Para onde quer que me vire vejo o sucesso fulgurante da leviandade, da vacuidade, da agressividade e da injustiça. Todos trasvestidos de sabedoria, de conhecimento profundo da condição humana. Balelas. O que admiro? Gente dedicada aos seus interesses e respeitadora dos outros. Gente que contribui com o seu esforço, trabalho e talento para o bem-comum ao invés da busca vaidosa de encosto e protagonismo para impor-se aos demais através da falsa imagem da competência, do rigor e de ascendente fabricado nas sobrevalorizadas habilidades sociais. Mais cedo pensei: mas afinal, quem admiras tu? Gente ligada à educação que se doa de corpo e alma a ensinar crianças e jovens pondo o foco e o esforço neles, nas técnicas e meios de os ajudar a aprender. Gente ligada à arte que se aperfeiçoa e se esforça a espevitar consciências de forma inteligente, a representar o mundo real e a moldá-lo em termos mais justos. Gente com quem me cruzei nas diferentes empresas e instituições por onde passei focadas no seu próprio trabalho, em desenvolvê-lo de forma correcta e eficiente. Gente recta no modo de se relacionar com os outros, capaz de pensar no melhor para o todo. Quem mais admiro? Em geral, pessoas genuinamente delicadas e preocupadas com o que as rodeia. O que não suporto? Gente que passa por cima dos outros e os usa para vingar. O tempo desperdiçado com inutilidades, a apontar erros alheios insignificantes e total incapacidade de assumir as próprias falhas. Os atalhos e facilidades da incompetência. O investimento de tempo e trabalho para dar na vista. A falsa simpatia e os falsos elogios. A proa. A arrogância. A má-criação. A estupidez presumida. A presunção de que se é muito lúcido e realista e a suspeita de que é um iludido, um tonto quem renuncia ao rasca. A incapacidade de compreender a escolha da simplicidade e delicadeza. A escolha pelo arremesso de factos e os floretes argumentativos ideológicos. A distorção e manipulação da informação disfarçada de boas-intenções.


Ontem tive cá em casa os meus sobrinhos a jantar. Uma visita inesperada e o meu convite em cima da hora. A descontracção deles agrada-me. A forma como se sentem à vontade para se estirar no sofá, contar sonhos comprometedores, falar abertamente do que lhes vai na alma esmiuçando sentimentos, é um manifesto do tempo. De abertura de espírito. O mundo mudou muito nas últimas décadas e as cabeças também. A minha sobrinha foi arranhando umas coisitas ao piano. Não há fotografia porque, ao contrário do irmão e da minha enteada, detesta a ideia de ser exposta. Naturalmente, respeito. O meu afilhado afinou mais qualquer coisa nas configurações da saída de som do computador e teclados do Nuno. Conversámos, rimos e jantámos salada russa com maionese. Fizemos quantidade tal que tivemos que passar o dia de hoje a acabá-la. À sobremesa servi profiteroles. O Nuno descascou as batatas e cenouras e lavou a loiça.





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O M. veio e hoje quem me parece ter-se portado mal foi o professor, que o deixou fazer o que quisesse. Ora ele precisa treinar bastante as músicas que foi aprendendo e depressa desaprenderá se não mantiver disciplina. Na casa de acolhimento não tem piano ou teclado onde praticar. Hoje o Nuno e eu decidimos fazer o que já tínhamos pensado no ano passado. Dar um teclado à casa dos miúdos. Não nos podemos esticar e por isso vamos optar por um teclado piano-arranjador básico da Yamaha para iniciados. Vai dar-nos o gozo danado e quem sabe não virá dali mais um interesse pela música dalguma das crianças acolhidas.





Obrigada por terem lido. Bom Domingo.

21/06/2025

Ponto de situação

São 17h21. Só agora vou dedicar-me a ler e escrever. No Medium acabo de tropeçar numa pequena e tentadora entrada sobre pássaros. A sensação genérica é de vazio, mas acredito que baste puxar por uma ponta para vir a torrente. De insignificâncias? Talvez. Falei muito nas últimas vinte e quatro horas, não há muito a escrever por agora. Não dá para tudo, ou trabalham as cordas vocais ou os dedos. O cérebro fechou para descanso do pessoal. E no intervalo operam os olhos e as orelhas, nem que seja para ver o dia a acontecer preguiçoso e ouvir a pasmaceira da rotina citadina de fim-de-semana: dois pássaros que cantam, as buzinas intermitentes, o motor em andamento e os pneus do asfalto, a ambulância barulhenta, a conversa curta na rua, o arrastar de objectos metálicos, o martelar esporádico, o zumbido de uma televisão ligada numa casa vizinha, uma motorizada ruidosa. Vou tomar uma medida enérgica: descer e comprar pão. Preciso acordar da letargia em que caí ontem. Falei muito nas últimas vinte e quatro horas, mas estava ausente, apenas de corpo presente. O espírito anda sabe-se lá onde. Sinto-o longe da razão e isto desestabiliza. Preciso recuperar a mão no pensamento.


Adenda.


Confusão. Já vim do supermercado com uma baguete francesa e cerejas. Já comemos umas tiras de pão com queijo de ovelha. Voltei a sentar-me aqui na mesa do computador e o gato voltou a saltar-me para o colo, instalando-se a ronronar para pedir festinhas e dando beijinhos no meu queixo. Dá-me um mimo desgraçado, este bicho. Não sei por que ponta pegar, os miolos passam da imagem dos pássaros para ideias dispersas como a pergunta: que admiro eu? Ou para as diatribes habituais como a metáfora da profundidade do oceano face à superficialidade da beleza de uma praia concorrida ou uma vistosa regata de veleiros na costa. Tudo implica conhecimento, nuns casos até mestria, seja profundidade ou superficialidade. Tudo parece ter interesse. Não haverá hierarquias válidas no mundo senão as das convenções dominantes? Onde já vou?, só queria dizer que estou dispersa e neste momento custa-me definir o trajecto de escrita sistemático para produzir (não é disso que se trata?, ou será criar?) o diário deste fim-de-semana. Apetece-me esticar a mão direita e apanhar a coleira do cão desorientado para o sossegar e dizer-lhe: senta, acalma. Agora escreve. Sou eu, o bicho. E a dona do bicho.

20/06/2025

Sete frases como outras quaisquer

O desdém por escolhas de vida fora do convencional e das referências e as anedotinhas socialmente excitantes são apanágio de gente frívola tão desprovida de talento quanto useira e vezeira no badalo. Há gente que não sossega tentando dobrar e converter à leviandade quem tem valor. Nascem, vivem e morrem sem respeitar os outros pelo valor intrínseco e mérito. Não é a substância que interessa, mas o badalo. São os "melhores" da rua deles. Os "melhores" das relações do país deles. Os "melhores" das relações do mundo deles. Uma espécie que vive contentinha consigo própria, sem um pingo de juízo auto-crítico.

E lá foi mais um ano

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Almoço

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Relambório

O que me ocupa a mente? Assuntos díspares. O que é que isso vos interessa? O que é que isso contribui para a vossa felicidade? Como dizíamos em pequenos em família quando alguém estava a aborrecer. Possivelmente pouco o nada.


Divertiu-me uma confusão do Nuno no passado fim-de-semana. Chegou a dizer-me que tinha um P.L. no WhatsApp, que afinal não era o antigo amigo da área profissional, mas dizia que a cara do Nuno não lhe era estranha. Barafustei. Claro que não é o teu P.L., é o meu velho amigo P.L. (têm o mesmo nome e apelido), com quem não falo há anos. Só me fazes passar vergonhas. A explicação. Para o Nuno ter acesso ao WhatsApp no computador, liguei um antigo smartphone meu com um número novo que a NOS nos havia impingido no pacote de comunicações. Ora esse telemóvel tem na memória o registo dos meus contactos. Daí ao Nuno misturar contactos dele e meus foi um pequeno passo.


Foi uma confusão com resultados positivos já que troquei mensagens com o P.L. Pusemo-nos mutuamente a par da vida de cada um e dos nossos pais e companheiros. E claro vieram-me à mioleira as memórias de outros tempos. Na primeira metade dos meus vinte foi o amigo com quem mais vezes saí aos fins-de-semana para a noite portuense e raramente para a noite lisboeta. Até que ele conheceu o J. abalou para Lisboa, fazendo lá vida. O J. é uma joia de pessoa, de quem gostei muito, e ainda hoje vivem juntos. Nessa altura a T. regressou ao Porto, tinha feito o curso em Lisboa e o C. vivia entre Porto, Lisboa e Londres - o andarilho deste quarteto de velhos amigos de Gaia.


Dos velhos amigos para as recentes. Tenho trocado pontualmente mensagens com a T., conhecida na viagem à Turquia, e anteontem recebi email da S., também companheira dessa viagem. Fiquei contente em saber novidades. Adoro que me contem novidades e saber dos outros. Vivem ambas em Lisboa e ficaria contente em vê-las daqui a três semanas quando formos a Almada. A ver vamos se elas têm disponibilidade para o cafezito. Há duas semanas também recebi mensagem de um casal madeirense, companheiros de viagem às aldeias históricas beirãs de Abril passado.


Muito longe desta leveza entra a memória da corrida ao armamento de finais do século XIX/início do XX e da formação das alianças militares no prenúncio da Primeira Guerra Mundial. A lembrança dos vinte milhões de mortes nesse conflito global e dos setenta ou oitenta milhões de mortes na Segunda Guerra Mundial. Estes reajustes nos equilíbrios de poder entre as estados e nações com pretensões territoriais e focos de tensão regionais têm sido cíclicos e cada vez mais mortíferos. É verdade também que cada vez somos mais. E sei que é uma enorme crueldade dizê-lo, mas não só somos mais, como demais, para um planeta a esgotar os recursos naturais e com enorme desequilíbrios na distribuição da riqueza e condições de vida. A Natureza costuma agir para repor a sobrevivência do planeta. Regenerar-se. Senão por intermédio de fenómenos naturais, pela mão humana. Isto anda tudo ligado. Desculpem qualquer coisinha.

De castigo

Critico, critico, critico, cem vezes critico na lousa. Primeira pessoa do presente indicativo do verbo criticar.


E não crítico. Pessoa que aprecia.


Foi no post de ontem. Tinha escrito bem, o corrector corrigiu-me e distraída não repeti a palavra em voz alta para acertar. O sacana do corrector dá nisto.


Bom dia. É sexta-feira. Yeaahhh.


 

19/06/2025

Ei-la, a mexerufada

Sei que a vasta audiência das Comezinhas, os cerca de vinte e poucos leitores habituais, morreriam se não contasse o que hoje me apoquenta. Aos fins-de-semana e feriados em vez de vinte são meia-dúzia. Não contem a ninguém, há que manter a aparência. Afinal cada um usa os trunfos que sabe e pode. Poderia dedicar-me a escrever inanidades ou, então, frases presumidas para me pôr a jeito da ribalta, mas esse espaço é demasiado concorrido. Cada macaco no seu galho.


Para começar a preocupação é o almoço. Estou na dúvida se me estoiro de trabalho a fritar em ar quente quatro rissóis de carne e a preparar a habitual salada para acompanhar. Rissóis, esse item proscrito da modernidade por atentado à saúde e às modas.


Outro problema grave que me apoquenta é o próximo livro a ler ao Nuno. Falta apenas meia hora do que está no activo e não decidi ainda se vou já para as Arábias, com Os Sete Pilares da Sabedoria, ou se me atiro primeiro à que já era suposto ter lido – a História da Ciência para Pessoas com Pressa. O Nuno ajudará a decidir, se bem que sendo as orelhas dele, mas a garganta minha, o meu voto costuma pesar.


Bom, escrever estes dilemas aqui no blog é como lançar os dados do oráculo chinês I Ching que jogava da adolescência. Por falar nisso falham-me os rios, as montanhas, os ventos, o mar, o fogo, esses elementos. Talvez por isso tenha postado há dois dias um poema dedicado a Rosalía de Castro, que li por volta dos vinte, mas curiosamente não tenho vestígios em casa. O livro de poesia que publicitei não me cativou, para que fique registado. Talvez numa segunda leitura mude de opinião.


Mais? Só um comentário breve sobre a sensação mais incisiva após a maioria das leituras. O buraco. Reparo que a maioria das pessoas que lê prende-se no enredo e fica contente, congratula-se com o novo mundo, tira conclusões, apoia, contesta. Eu leio e caio no buraco. No precipício da cada vez mais funda ignorância. Isto a propósito dos séculos XVIII e XIX, dos conflitos bélicos na Europa e na América do Norte, da Guerra de Sucessão Espanhola, a emergência da Prússia, e todo o emaranhado de tensões que iam redesenhando o mapa europeu e da América do Norte. Nesses duzentos anos está a génese dos nacionalismos do século XX e eu pouco sei além da Revolução Francesa, das Invasões Napoleónicas e de pormenores dispersos.


Bem sei que nos antigos salões dos pretensos conhecedores de História passeavam-se senhoras com gosto pela fofoca acerca das ligações, casamentos e traições entre casas reais e toda a intriga envolvente das respectivas cortes – assim conheciam a história dos países europeus -, e senhores com muito parlapiê a versar nome e datas de batalhas célebres e anedotas alusivas. E disso umas e outros davam nota, tomando-se por grandes conhecedores de História.  Continuam a ter seguidores, agora já sem pedigree – substituíram a educação pela afectação -, mas muito esforçados por aparecer na ribalta editorial. O público alvo destes sábios é o mesmo da revista Caras.


Pois. Critico, mas o facto é que também tenho grossa pecha. Afinal o buraco em que me enfio cada vez que começo a ler põe a nu grandes fragilidades no conhecimento. Desta vez da História da Europa. Depois da Ciência e das Arábias voltarei à Europa. Mas, claro, nada garante que não esteja um mês ou dois sem ler livro algum – isto da ignorância dá muito trabalho a alcançar e manter. Não é fácil, minha gente. Não é nada fácil.


Ontem fiz folga da audição do Aparição. Tentei duas vezes, mas o ruído em volta desconcentrou-me. Devo terminar no fim-de-semana. Agora vou preparar o sofisticadíssimo almoço. Estou que nem posso de tão vaidosa com a “cólidade” e esmero do repasto. 


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Bom Dia Santo.

18/06/2025

Ardil

Há duas formas de promover a extrema-direita e ajudar no processo de radicalização da violência em curso. Fazer a defesa directa dos extremistas de direita. Ou, a pretexto de qualquer aparente boa-intenção, descredibilizar e destruir quem se lhes opõe. O segundo é o caminho dos astutos que farejam a proximidade do poder sem se comprometerem.

Almoço

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Os engodos

O elogio da imperfeição fofinha e atractiva para inglês ver não tem o menor interesse. É apenas a busca do sexy. Equipara-se do lado oposto à batotice de quem apregoa qualidade sem critério. Equivale à promoção do estabelecido e instalado próprio ou de outrem. A imperfeição que vale é a que envergonha, a que dói. Só essa é capaz de se regenerar e criar valor - só essa tem aptidão transformadora. O defeito atraente serve apenas para dar gracinha e fazer pandã com os anúncios da competência, da qualidade, da perfeição intrujonas de tão replicadas, encaixadas nos cânones, no aceite passivamente. Incapazes de se pôr à prova, incapazes de revelar as verdadeiras falhas no processo de criação. Tudo quanto tem valor nasce da aprendizagem autêntica e não do faz de conta dos rótulos impostores dos “melhores” instalados.

17/06/2025

Sílvia Mota Lopes

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Sapiência coxa

Conheço alguém que há largos anos em conversa com um amigo gabava um whisky do Lidl. O amigo torcia o nariz enjoado e cheio de proa afirmava só beber bebidas brancas de boa qualidade. Sem nunca ter revelado a brincadeira, o primeiro usou uma antiga garrafa de James Martin’s e entornou lá um dos whiskies baratos do Lidl convidando o amigo para almoçar. Provado e visto o rótulo foram tantos os elogios à bebida quanto a ignorância atrevida. Mais depressa se apanha um mentiroso, que um coxo.


Assim se comportam muitos ao desprezar ou louvar o que não distinguem. A falta de critério vale para a escrita, música, pintura, o que seja. Por isso critico tanto a replicação das referências dos sábios e eruditos, os catálogos, as ondas das modas que dão origem às audiências, vendas e votos.

16/06/2025

Nota de rodapé

Hoje enquanto na audição retomei a sociedade fechada de Évora de meados do século XX, escrita por quem nasceu em Melo (fiquei à bica do capítulo 13 a meio do livro), na leitura em papel recuei a meados do século XIX para passar pela Guerra Civil Americana, da qual sei apenas o básico e cuja imagem mais impressiva continua a ser a que veio da televisão da série vista apenas uma vez na adolescência: Norte e Sul, de 1985, com dois actores já mortos: Patrick Swayze e Kristie Alley. Mais do que o filme E Tudo o Vento Levou, que vi em criança e revi algumas vezes.

Jantar

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Audiências

Portugal


Mundo


Página: Semrush - trending-websites. Internet.


TelevisãoMarço


Página: Meios e Publicidade. Março. Televisão.

15/06/2025

Farmácia

Lá para as bandas do Médio Oriente, que fica um pouco mais longe do que o fim da rua onde vivo, mas não tão longe quanto a séria preocupação chinesa com a soberania territorial iraniana, nem tão séria quanto a amizade que une norte-americanos e israelitas, a coisa vai brava com mortes no Irão, mas também em Israel. Nada comparado com os quinhentos mil mortos sírios, ou cinquenta e cinco mil mortos palestinos ou os cem (?) mil mortos ucranianos. Números. Gente. Aos que sobreviveram chamamos pejorativamente migrantes. Não os desejamos dentro das nossas fronteiras. Gente. Seres humanos feitos da mesma poeira de estrelas.


Em jogo a posse de arsenal nuclear iraniano e um regime autocrático, teocrático e hostil que põe em causa a sobrevivência do Estado de Israel. Podemos recuar a 1948, à fundação do moderno Estado de Israel, ao século XI a. C., ao Reino Unido de Judá e Israel e a Salomão, conhecido pela sua sabedoria e construção do Templo de Jerusalém, ou começar em Jacó, neto de Abraão e nos seus doze filhos, origem das doze tribos de Israel há quatro mil anos.


Ou esquecer os livros, as lendas e a história recente e recordar a provecta idade de 13.800 mil milhões de anos do Universo. A perspectiva anestesia as dores momentâneas de séculos ou mesmo milhares de anos do percurso sangrento daquele ponto nevrálgico do mundo. A farmácia onde compro os analgésicos, essa sim, fica aqui a cem metros. Esse alívio das dores conheço. A cura dos males do mundo, infelizmente, não.


E enquanto escrevia estas linhas o rádio do Nuno ecoava o Imagine, de John Lennon, música com a qual eu embirrava quando era miúda e parvinha, como faz parte de ser nova. Agora Josh Groban canta uma qualquer melodia de Ennio Morricone. É assim que a música nos salva e redime da condição humana e cruel.

Lido

Aljazeera



The Times of Israel



Haaretz



The Guardian



Jornal de Notícias


Diário 14 de Junho de 2025





 
















A história eleita de hoje no Medium é de um estudante sul-coreano e versa a tela A Face da Guerra, de Salvador Dalí. Uma interpretação simples. O que gosto neste autor, que vou lendo tal como o historiador de arte cujos artigos já deram azo a diversas entradas minhas, é da clareza. Independentemente do acerto ou desacerto da análise, da sofisticação de um e singeleza de outro, são ambos cristalinos a escrever. O autor começa por recordar que durante a Guerra Civil Espanhola Dalí viveu em Paris e mais tarde com a ocupação francesa pelos alemães fugiu para a Califórnia. Diz-nos que a tela A Face da Guerra, um rosto gigante que abriga uma infinidade de variações do mesmo rosto, é de 1941 e expressa a miséria, o isolamento e a tristeza de infinitos seres humanos na guerra. As cores sombrias castanhas reforçam a solidão e desesperança, nem o céu azul parece acender a esperança já que é bem pálido. As cobras representam a violência contínua e a mão impressa no canto da tela reflecte o sofrimento pessoal de Dalí com os horrores da guerra. Não é uma descrição abstracta do mundo exterior, é a própria dor do artista com o mundo que rodeia. Podem ler o post que deu causa a este parágrafo na Reading List.


De manhã dei por mim a pensar que ao contrário dos génios (não é ironia) não sou achacada de falta de inspiração para a escrita. Deve ser sinal de mediocridade. Sou fruto do tempo e neste aspecto não luto contra a corrente. Hoje todos temos o que dizer, seja interessante ou bagatela. Reflexão oportuna ou confissão desajustada. Expressamo-nos em catadupa. Opinativos compulsivos. Expurgadores desaustinados. E assim damos oportunidade aos conselhos puritanos alheios, que ditam através das citações de frases inspiradoras da treta a necessidade de silêncio e de suposta sobriedade. Sugerem-no como se buscassem uma elegância inteligente fajuta — aparência de sabedoria. Mas nem era isto que queria dizer. Antes contar que em regra tenho o cérebro preenchido de inúmeras ideias para explorar na escrita. Talvez repetitivas. Não compreendo bem aquela postura antiga dos génios da escrita tomados de crises de inspiração lá no alto pedestal da Arte. Se bem que compreenda a falta do que é dado de mão beijada. Tive na vida uns laivos de facilidade que nos insuflam o ego e nos fazem julgar mais do que somos. Mas felizmente levo na tromba o suficiente para não me deixar embalar pelas peneiras. Não vivo, nem nunca viverei da escrita. Se não tiver inspiração para escrever, arrumo a casa, trabalho com mais concentração naquilo que me dá sustento, dou mais atenção às pessoas que me rodeiam, passeio, oiço música, penso a sós com os meus botões, leio, cozinho. Não é tema de preocupação. Conheço sim a sensação de desânimo, a que não sou muito atreita, mas já aconteceu no passado e também nos últimos meses. Sempre que acontece, procuro combater com actividade e imaginando o futuro com planos de mudança. Muitas vezes os planos saem gorados, o que aprofunda o desânimo, e lá volto a combatê-lo — processo eterno de quem é insatisfeito por natureza. Logo aparece uma fase mais alegre e realizada. É uma questão de insistir no que acreditamos intimamente e de respeitar o valor benigno nas rotinas que nos mantém à tona. De desvalorizar as desconsiderações — não temos de agradar. Nem sempre a vida é uma excitação. A falta de inspiração que me preocupa não é a da escrita, mas a mais ampla, a falta de ânimo para a vida. Nesse caso custa tanto saber o que escrever, como saber o que fazer para o jantar, como o que vestir no dia seguinte, o que dizer numa conversa de circunstância. Felizmente agora não me sinto assim, mas é bom estar consciente que posso vir a sentir-me. Tudo na minha vida é muito volátil apesar da aparência de rotina monótona. O que somos cá dentro tem mais peso do que o exterior revela. O que somos cá dentro é o que nos define.


Para o jantar de hoje usei o pão alentejano para fazer açorda (migas) a acompanhar escalopes de novilho. Usei azeite, cebola, alho, sal, polpa de tomate e hortelã. Voltei a tirar fotografias como fazia antes no blog Comezinhas. Tal como publiquei as fotografias das compras online no supermercado Continente. Tudo a ir aos eixos. Tudo a encaixar como num círculo de sentido universal que se reflecte nos hábitos mais banais. Não atraentes para as audiências. Nalguns casos repulsivos por se afastarem da aparência desejada de perfeição. O valor da vida faz-se tanto nas heroicidades, nas grandes análises, nas grandes leituras, como nos pormenores comezinhos. Desconsiderá-los revela pobreza de espírito. Tal como desacreditar a perspectiva psicológica da vida em benefício exclusivo dos factos e da sociologia ou da história. Vai manco e preconceituoso o mundo que não compreende nem quer compreender o que é o ser humano por dentro — completo e autêntico, e não o ser humano esquartejado do que sente e da sua vida comezinha para criar a imagem perfeita e fictícia de sujeito ideal com conhecimento vasto e apelativo sobre a vida alheia, amores palpitantes, percurso de superação, carreira profissional competente e exemplar e vida social de sucesso, passatempo atraente em perfil ajustadinho às convenções, às modas e às audiências.


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A ver se amanhã (hoje, na verdade) me inteiro do mundo. Tenho tido a televisão ligada em Teerão, Natanz, Jerusalém, Telaviv, generais, coronéis, diplomatas, comentadores e jornalistas, mas tudo resulta só num zumbido difuso. Amanhã tentarei ler jornais, nem sei bem onde e quais. Logo se verá.


Obrigada por terem lido. Bom Domingo.