São 8h30 da manhã de Sábado. Importantes planos? Café tomado, depois do chuveiro ir ao sapateiro mais próximo, no Carvalhido, pôr dois pares de sandálias a arranjar. Hoje em dia é raro compor-se calçado. Em regra, é de má qualidade e não recuperável. Feito para durar uma estação. O mundo mudou muito nas últimas duas ou três décadas. Ao fim da manhã vou com a minha mãe e o Nuno a Gaia, ao Arrábida Shopping, comprar um par de sapatos para ele. Oferta da sogra que assim teve ideia para presente de aniversário. Vou a um desses antros de consumo tão fustigados por quem passa a vida neles. Para mim, que lá me dirijo apenas quando tenho uma compra concreta a fazer, são úteis. Aproveito e compro, também para o Nuno, um par de calças de sarja azuis. As que usava deram a alma ao criador. Se vir uma t-shirt branca bonita para mim, compro. O Ritz esta semana deu cabo da minha predilecta com uma unhada. E tenho um livro para comprar de presente de aniversário da minha cunhada C., mas creio que vou adiar para a semana na livraria do costume. Depois vamos almoçar ao Mar à Vista na marginal de Gaia. Já marquei mesa. Esta moda recente de nos restaurantes vulgares ter de se fazer reserva é uma modernice. À vinda passaremos num supermercado para comprar iogurtes e mais qualquer coisita que falte em casa.
Em princípio, à tarde lerei as notícias e escreverei o diário. E à noite voltarei à leitura em voz alta da abordagem leve e abreviada sobre ciência. Ontem à noite vi televisão. É curioso como as mesmas caras e vozes podem ter efeitos diferentes. Relaxada pareceram-me sensatos e até aconselháveis de ouvir, quando à semana à hora de almoço só me apetece estrafegá-los tal é a irritação. Brinco e digo que não gosto de ninguém nessa altura. Nem do gato, imagine-se. Nesse horário odeio o mundo inteiro, e a mim também. Há a happy hour, eu tenho a angry hour.
E são estes os assuntos prementes que tenho a registar, sem os quais o mundo não poderia continuar a pulsar.
Bom fim-de-semana.