Gostava muito de me demorar por aqui. Ler as diatribes facciosas acerca da actualidade e as vacuidades e questiúnculas habitualmente destacadas. É sempre muito enriquecedor, mas hoje estou sozinha a desempenhar tarefas de duas, pelo que não sobra tempo - ai credo, tão proletária, nós estamos habituados a desenvolver projectos, gerir, dar pareceres, elaborar, coordenar, administrar, leccionar, perorar, ela coitadinha, a simples, desempenha tarefas. Pobre coitada, tem a mania da perseguição, é o que é. Nós somos os lúcidos.
Ainda assim deixo aqui mais uma nota para dizer que continuo a reparar na mentalidade troglodita de gente cheia de si, esclerosada nos preconceitos e na sabedoria decalcada das larachas bafientas em círculo fechado e num ridículo convencimento de superioridade que desdenha dos "simples". Infantis por senilidade precoce acham imensa graça a si próprios e aos amigos. Uns empertigados. Uns e umas labregotes ascendidos(as) ou da velha guarda bem instalada ignorante, convencidos(as) que são muito maduros(as), cultos(as) e sofisticados(as). Uma anedota de falta de consciência auto-crítica. Pelam-se pelo negócio do humor, pelo jornalismo e comentário maledicente. Os ataques ad hominem na comunicação social, redes sociais e blogs rendem, dão lucro. É uma das faces do negócio da manipulação da informação. As incubadoras dos novos ricos de hoje. Estão nos jornais, nos programas televisivos e espaços online de debate político, nas editoras e no entretenimento e humor. Com aparência jovial forjada na linguagem psico-jornalística sarcástica e na piada fácil à custa do trabalho alheio nascem velhos e morrem velhos a perpectuar calúnias e a desrespeitar o tempo, usando a injuria preconceituosa e a intriga dirigida para ganhar dinheiro e protagonismo. Passam pelo mundo sem nada de valor aprender. Parasitas bem instalados alimentam-se da criação alheia. E no fim fazem-se de vítimas usando o pretexto da liberdade e da democracia para ganharem dinheiro e protagonismo à custa da sacanice. Não se imagina a pena que tenho destes injustiçados. Os grandes vencedores do nosso tempo. Num rídiculo sem par consideram-se a si próprios corajosos. Uns heróis, não haja dúvida. Cada vez mais triunfantes.
Mas isso não interessa nada. O que há de sério? O que me preocupa? Que gente nova fique com os planos futuro coarctados nesta atmosfera de antecâmara de nova guerra mundial. Ver os meus mais novos perspectivarem o futuro com receio. Ver toda uma geração comprometida.
O que mais me irrita? A mesquinhez interesseira, a futilidade e a soberba. Tudo mais do que repetido nas Comezinhas.
De que mais posso falar, antes de recolher? Talvez do amor. Só para dizer que tem imensa graça ver gente perorar acerca do amor sem notoriamente ter aprendido primeiro a gostar. Gostar implica respeitar o outro, tratá-lo em pé de igualdade, com noção de reciprocidade, confiança e lealdade. Não deixa de ser caricato ver pessoas falar de amor quando não sabem sequer respeitar as pessoas que enchem a boca para dizer que amam. Quando nem sequer gostam de quem dizem amar. Balofices puras. Nem chegam a cantigas do bandido, são mesmo só palermices.