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25/06/2025

Nebulosa

A vida seria muito mais fácil se me dedicasse a entender o compreensível. Mas com esta queda para me perguntar pelo que não tem resposta clara só me complico.


Logo cedo dei-me a estranhar novamente esta coisa simpática das palavras me surgirem do nada. Plof. Olho para a tela branca e lá vem uma tão desusada que não tenho memória da última vez que teve serventia. Questiono-me. Ouviste ou leste algures mesmo sem te aperceberes? Não surgiu do nada com certeza. Mas em muitos casos não. A ideia é mesmo a de se abrir uma minúscula gaveta escura na mioleira feita fábrica de escrivaninha e por baixo de papelada inútil com décadas de desuso saltar a precisão do vocábulo exacto. Uma espécie de compensação para outros infortúnios. Muito obrigada, Universo. Nem tudo é contravapor.


E outra. Anteontem lembrei-me de alguém que não conheço e vive nas antípodas, mas a quem há meses li e leu-me. Veio-me à mente e passou. À mente, ao cérebro apenas. Não comentei com ninguém nem escrevi em lado nenhum, nem pesquisei, nem agi, apenas pensei por segundos, talvez um minuto. Não é que passado poucas horas essa pessoa dá nota que me leu. Como se tivesse pressentido que me recordara dela. E semelhante ao que aconteceu anteontem, ocorre-me amiúde com outras pessoas mais perto. Parece que me lêem o pensamento e eu a elas. Ora, nem tudo pode ser explicado pelo algoritmo, pela IA e pela loucura. Por isso brinquei no passado aqui nas Comezinhas dizendo que dá ideia que preciso apagar os cookies do cérebro e não dos aparelhos. Há com certeza uma explicação racional. Qual? Não sei. Talvez vá ver os episódios em falta daquele documentário sobre o paranormal e a ciência: Para Além do Cérebro.


Bom dia.