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06/06/2025

É isso, outra mexerufada

Segue mais uma transparência insignificante de uma vida banal e rotineira. Um tédio. Hoje só, sem ajuda para tarefas que costumam ser divididas por duas. Pelo que não deveria perder tempo com estas linhas. Mas a vida é feita de imperfeições e quanto mais se anuncia a própria competência e integral cumprimento das regras e dos deveres, mais é habitual as falhas serem colossais e lesivas dos interesses alheios.


E que mais me vem ao pensamento agora?


O logro em que os conteúdos de aconselhamento, esoterismo, psicologia comportamental e demais bruxarias e filosofias de vida enredam os consumidores na falsa ideia que são dependentes de um ânimo auto-motivacional para progredir na vida. O primeiro passo é convencer com ardil dissimulado os sujeitos passivos destes conteúdos que são um lixo e só com o esplendor da auto-descoberta trazida pelas citações inspiradoras e outros lugares-comuns da gratidão etérea saem do fundo do poço. O essencial é manter os consumidores dependentes da ajuda. Funcionam como as religiões e quanto mais se assemelharem a seitas, mais representativas.


Todavia, saímos deste mundo e o que temos? O logro dos iluminados, entertainers, criadores de conteúdos e humoristas também com grande audiência que ridicularizam os crentes nas bruxarias com a mesma convicção que enunciam cheios de si baboseiras pseudo-científicas e outros lugares-comuns melhor embrulhados em retórica esperta e atraente. Outro mundo de bruxaria mais sofisticada, dito crítico e "assertivo" - essa palavra da moda tantas vezes ultrajada por mau uso -, com colagem ao suposto conhecimento e à erudição de algibeira, muito destacado e incentivado por quem veicula informação e conteúdos de entretenimento.


Dois mundos que se alimentam mutuamente por alegada antítese, como se houvesse real diferença, quando na verdade fazem parte da mesma face da ignorância presumida.


De resto, estou contente com os quatro dias de descanso que se aproximam. Os primeiros no parque, os últimos na companhia da filhota do Nuno para alegria dele (e minha). O pai da pimpolha  tem andado numa boa-disposição só com a possibilidade de voltar a editar e gravar música e com o nosso recolher precoce ao ninho determinado pela imensa soneira que me dá a seguir ao jantar (e ao almoço).


Bem sei que nas férias é suposto cortar com o mundo dos problemas e relaxar, mas é bem possível que aproveite parte do Sábado e Domingo para ler notícias e inteirar-me dos sinais do mundo. Sinto-me desgarrada, um tanto alheada do que se passa no terreno, preciso colar de novo à realidade. É isso e também organizar a casa. Venho a adiar há um mês um arrumo geral ao apartamento, sempre necessário para ordenar ideias e ganhar fôlego para a nova fase. Quero entrar no Verão, daqui a duas semanas, bem-disposta. E nada melhor do que deitar fora o que não presta, arrumar o que está fora de sítio e gozar da harmonia subsequente. Fenómenos sazonais.


E que mais?


Em movimento leve e cada vez mais distante a noção precisa do saudável que é desvalorizarmos e afastarmo-nos daquilo e daqueles que nos fizeram mal gratuitamente e que têm práticas constantes de oportunismo, falsidade e desrespeito pelos demais. Agridem por desporto. Ainda sem conseguir a desejável distância e esquecimento total, sem o despreendimento que seria mais inteligente e honrado, faço votos para que a vida os ensine que não vale tudo e os agrida em igual medida. Sim, não é um sentimento bom, desejar o mal. Era mais bonito escrever elogios e frases fofinhas de gratidão etérea enquanto apunhalava com total deslealdade pelas costas - o caminho do sucesso. Não é bonito, mas é o verdadeiro. É o que sinto. Apesar de cada vez mais ténue e distante, felizmente. Mais um tempinho e tudo será passado sem qualquer interferência. Como tudo, de resto. Tudo passa.