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03/06/2025

A imaginação

(corrigido)


Indecisa em revelar o nome da fonte e o contexto das palavras que darão azo às linhas que se seguem sem que tenha mão nelas por não as ter pensado. Uma constante das Comezinhas, a escrita solta e espontânea. Se fosse possidónia diria "uma tradição das Comezinhas” já escapulida para outras bandas numa apropriação própria dos que estão votados ao sucesso das audiências.


Volto ao que me move hoje: a distância na criação e a imaginação. Neste mundo imenso que é o espaço cibernético ouvi Maria Filomena Molder. Busquei-a online, para que conste. Não a fui ler em papel. Heresia que deverá ser penalizada com o ostracismo. O pretexto: a leitura de um romance de autor português do século XX, que não vou identificar para não encher este post de referências escusadas. Aliás, há menções a mais duas obras do mesmo autor numa longa e profícua conversa de duas horas que ouvi atenta.


O que trago para cá hoje é apenas um apontamento feito pela filósofa a propósito da necessidade de recuo ou distância preenchendo-a com a imaginação. Transcorreu o tempo por várias figuras do pensamento universal. Para Aristóteles a imaginação é a mão que apreende, qualquer coisa arcaica, manual. Para Dante a chuva que cai - inunda. Kant incentiva: pensa como se estivesses no lugar de qualquer um – ora, não posso ocupar o lugar de outro senão pelo uso da imaginação. Daí Hannah Arendt - ao beber da estética kantiana -, considerar que a imaginação é condição política. Só podemos construir uma comunidade se formos capazes, sabendo que não podemos ocupar o lugar do outro, de nos imaginarmos no lugar do outro, descobrindo outras perspectivas, comparando-as. A estupidez tem sempre a ver com falta de imaginação.


A lição de hoje: «a imaginação é o que preenche a distância. Se a imaginação não tiver distância, não age


Estou tentada a meter o bedelho na conversa e ousar a imagem fácil do rio que desagua no mar para descrever a imaginação. Como se a verdade estreita se fosse diluir na imensidão. Um dia talvez volte à imagem para concretizar o que quero dizer. Adianto que não dou carga positiva ou negativa ao desaguar, apenas constato.


Agora imaginem que não contava que tinha ouvido o que ouvi e tomava como minhas todas as afirmações e conclusões do presente post, não explicando de onde vinha a ajuda para pensar. Aqui faz sentido a referência. Mas podia sem perda de honestidade, não deixando de revelar que ouvira a outra pessoa, não a identificar pelo nome. Hoje calhou nomear. O critério que se usa para fazer ou não referências diz muito da natureza e carácter de cada um.