Antes de dar uma pincelada com o relato do dia-a-dia apetece-me falar das explosões emocionais. Estamos em tempos tumultuosos nos quais muitos esticam demais a corda e outros reagem excessivamente. Em diversos domínios desde as relações familiares às profissionais passando pelos contactos digitais. Manter o equilíbrio após momentos de tensão exige maturidade e solidez de carácter, cada vez mais postos à prova nos embates. Nas relações familiares mágoas antigas podem ser motivo de reacções explosivas por provocações que parecem banais e pouco relevantes. As injustiças perpetradas ao longo dos anos acabam por justificar o pavio curto reactivo. Voltar ao normal exige a existência de laços fortes de amor e respeito apesar dos defeitos de cada um. E bom senso. No domínio profissional há ampla probabilidade de tensão. Imagine-se a auditoria a uma empresa e a luta de egos entre quem audita e o trabalho de quem tem responsabilidade na gestão e organização dos diversos sectores da empresa. Ver o trabalho questionado e criticado no mais ínfimo pormenor exige nervos de aço. Quanto mais honesto se for, mais se sofre. É sabido que quem engana e é incompetente tem sempre mais confiança e descaramento. Também nesta área há explosões emocionais não negligenciáveis. No meio digital às questões tradicionais que mexem com as emoções acresce a nebulosidade. As intenções não são claras. A desconfiança impera, sendo as palavras benignas e agradáveis muitas vezes falsas. As relações são tão superficiais que é difícil estabelecer ligações de confiança. Ainda que a priori se esteja de peito aberto, as más experiências levam à reserva emocional que mina a espontaneidade e o carácter são dos contactos. É a resposta à reserva mental, isto é, à intenção oculta.
Na quinta-feira tive consulta com a médica do juízo. Correu em tom muito ameno como é habitual, mas com um tema sobre a mesa que me preocupa. Vai-se reformar. Ao fim de cerca de 12 anos de consultas acaba por se gerar uma relação de confiança e desabafou as preocupações com a sua própria saúde e disponibilidade para a família, ao mesmo tempo que criou expectativa de ocupar o tempo com um neto vindouro. Outro tema de conversa: o grave estado de saúde física de uma relação familiar minha que é colega de profissão dela. Quando vemos algo de muito grave acontecer perto, percebemos como somos frágeis e temos de aproveitar a vida. Talvez isso seja o que está a pesar mais na decisão de se reformar. Mas dizia que me preocupava e a razão é egoísta. Entendo-me muito bem com a médica e quero continuar com consultas regulares. Fico apreensiva com quem a substituirá. Quanto à minha saúde falámos da anemia. Viu as análises e confirmou que não tenho deficiência de B12 nem de ácido fólico, é mesmo falta de ferro. Como me queixei que no último ano ando excessivamente cansada e ensonada, sugeriu reduzir a medicação que prescreve habitualmente cuja dose aumentei no ano passado por iniciativa própria por me achar periclitante dando-lhe conhecimento. A ver se mais esta alteração na medicação traz benefícios. Quando se fazem cirurgias bariátricas criam-se equilíbrios difíceis de encontrar por causa das variações no nível de absorção dos nutrientes e vitaminas, e também da medicação.
Hoje o M. chegou lá a casa a brincar, escondendo-se no átrio do prédio. Vinha bem-disposto, resultado da proximidade das férias. Perguntei-lhe pelo Verão e está animado por ir para campos de férias. Posta a questão de continuar com as lições de piano mesmo nesse período mostrou-se interessado em vir sempre que não esteja fora (um dos campos de férias é em Lisboa). Percebi que continua a gostar de estar com o Nuno, o piano e os teclados. Hoje estava bastante mais concentrado. De tarde viemos para o bungalow do parque de campismo e a única falha até agora nesta casinha de madeira, que me dá sempre o ar de brincadeira, foi o meu esquecimento dos pistachos. O Nuno diz que o barulho de mar puxa pistachos. Amanhã vamos ao supermercado comprar.

Obrigada por terem lido. Bom Domingo.