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15/06/2025

Farmácia

Lá para as bandas do Médio Oriente, que fica um pouco mais longe do que o fim da rua onde vivo, mas não tão longe quanto a séria preocupação chinesa com a soberania territorial iraniana, nem tão séria quanto a amizade que une norte-americanos e israelitas, a coisa vai brava com mortes no Irão, mas também em Israel. Nada comparado com os quinhentos mil mortos sírios, ou cinquenta e cinco mil mortos palestinos ou os cem (?) mil mortos ucranianos. Números. Gente. Aos que sobreviveram chamamos pejorativamente migrantes. Não os desejamos dentro das nossas fronteiras. Gente. Seres humanos feitos da mesma poeira de estrelas.


Em jogo a posse de arsenal nuclear iraniano e um regime autocrático, teocrático e hostil que põe em causa a sobrevivência do Estado de Israel. Podemos recuar a 1948, à fundação do moderno Estado de Israel, ao século XI a. C., ao Reino Unido de Judá e Israel e a Salomão, conhecido pela sua sabedoria e construção do Templo de Jerusalém, ou começar em Jacó, neto de Abraão e nos seus doze filhos, origem das doze tribos de Israel há quatro mil anos.


Ou esquecer os livros, as lendas e a história recente e recordar a provecta idade de 13.800 mil milhões de anos do Universo. A perspectiva anestesia as dores momentâneas de séculos ou mesmo milhares de anos do percurso sangrento daquele ponto nevrálgico do mundo. A farmácia onde compro os analgésicos, essa sim, fica aqui a cem metros. Esse alívio das dores conheço. A cura dos males do mundo, infelizmente, não.


E enquanto escrevia estas linhas o rádio do Nuno ecoava o Imagine, de John Lennon, música com a qual eu embirrava quando era miúda e parvinha, como faz parte de ser nova. Agora Josh Groban canta uma qualquer melodia de Ennio Morricone. É assim que a música nos salva e redime da condição humana e cruel.