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30/09/2021

Verdes

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Na próxima semana estou de férias – procuro tirar sempre uns dias no início do Outono. Planeei mentalmente um pulo de dois dias ao Gerês e fiz umas pesquisas online para encontrar poiso em turismo rural. Há muito por onde escolher, mas vai ficar para outras núpcias. Digamos que agora não dá jeito (risos). A ideia era mesmo descansar entre o verde. À medida que passam os anos vou sentindo mais falta de árvores, galhos, folhas, arbustos, paus, trepadeiras, pedras, hera, musgo, erva, cheiro a vida, terra, bichos.


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À falta de escapadinhas lá vou dar um pulo ao Parque da Cidade. Aliás, desta vez vou tentar regressar a um local onde ia muito há cerca de 20 anos: o Parque Biológico de Gaia. Não faço a menor ideia como esteja. Bom, depois de escrever isto já faço por ter ido ver a página e feito a visita virtual. Foi sendo ampliado. Gosto. Bom programa. Há anos que não me meto com as compinchas gralhas-pretas - ah, foram grandes conversas num tempo ainda com tanto futuro. Saudade. 


E agora vou por a treta em dia. Há muito tempo que não sei dessas almas que deambulam perdidas no mundo.

Kitaro


Parabéns, mano Tiago. 

Passo de caracol

Conseguir ler uma entrevista na íntegra, no Observador, é uma proeza em dia de fecho de mês.


Pois é, um país de atados. Só não concordo que cheguemos tarde à inovação. Para a novidade estamos sempre prontos, como estivemos para as eólicas e estaremos para o hidrogénio.


O drama é outro. É falta de vontade de trabalhar com consequência e fazer o que é preciso. É esta permanente tendência dos portugueses para se preocuparem mais com o mau trabalho dos outros do que estarem focados fazendo eles próprios. 


O problema dos portugueses são os bitaites e a vontade de mandar e interferir por puro e inconsequente prazer de intriga. Além dos interesses instalados que tudo fazem para preservar. 


De resto tudo muito bem na entrevista, à parte das subida das taxas de juros. É evidente que acabarão por subir e mais evidente ainda que esta paz podre e faz de conta que estamos numa fase de crescimento vai acabar, mas também é certo que todos os anos aparece um economista vidente a dizer que a Alemanha vai subir as taxas.


Desculpem eventuais erros, não dá tempo para corrigir. 

29/09/2021

Setembro

diospireiro.jpgParabéns, Pai.

Panca das casas

 


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Hum. A sacana está outra vez à venda. É pequenita e à americana. Entrada para a sala open space e tudo a dar para lá. Antes detestava casas assim e sobretudo cozinhas integradas na sala – a ideia das gorduras e cheiros, essas coisas. Hoje já liberalizei. O pátio todo em laje como é costume neste tipo de casas. Lá teria que levantar umas partes para plantar a japoneira e a nespereira. Além daquele arbusto esguio, cujo nome não sei mas vou apurar, para pôr rente ao muro - era a morte da artista, matavam-me os vizinhos.

Momento extraterrestre

Há muitos anos idealizo uma coligação PSD/PCP - os dois únicos partidos em que votei e prevejo votar no futuro.


Extraterrestre me confesso. I have a dream.


No dia em que tiver tempo para explicar as razões escrevo um postal elencando o que me parece contributo positivo de cada um deles para o país, não deixando de aludir aos erros graves de parte a parte.

28/09/2021

Tílias - Chave em Christchurch

No átrio das traseiras o chaveiro feito de uma tábua de madeira escura e polida com talvez uma dúzia de cavilhas salientes estava fixado na parede ao lado do quadro eléctrico, no qual havia sempre pendurado um conjunto suplente de fusíveis. Os pregos carregados de chaves, das antigas tubulares de ferro maiores ou mais pequenas com castelo na ponta, dentes a fazer lembrar ameias de muralhas, às novas prateadas de liga mais leve e achatadas. Abriam para onde podia ser. Em princípio para a direita, às vezes para a esquerda. Uma volta à esquerda, duas à direita, a da garagem do avô, onde gostava de ir brincar com o torno. Os segredos mais não eram do que velhas manhas de chaves antigas. Quando cheguei a Christchurch aos 16 anos a Mrs. Phyllis e o irmão puseram-me à prova. Creio que o faziam com todos os estudantes que por lá passavam e tinham particular gosto em dizer que os jovens alemães hospedados eram inábeis - durante as semanas que lá estive o outro quarto encontrava-se ocupado por duas alemãs. No dia da chegada, deram-me a chave, deixaram-se estar junto ao portão e à sebe e disseram que fosse abrindo a porta de casa. Pasmaram com a rapidez e facilidade com que a rodei em sentido contrário ao habitual e destravei a lingueta, abrindo a porta à primeira. Pudera, não conhecia eu outra coisa senão portas manientas. Até que todas as fechaduras passaram a ter abertura para o mesmo lado e o mundo perdeu a graça.

27/09/2021

Chet Atkins



Aos oportunistas de serviço

Como não podia faltar vejo por aí um início de onda a tentar desvalorizar o papel de Rui Rio nos resultados eleitorais de ontem, reduzindo o que aconteceu a um desempenho exemplar de Carlos Moedas. Se o ridículo matasse seríamos poupados a este tipo de deslealdade.


A desfaçatez e a ausência de gratidão define a falta de carácter.

Só isso

- Que te apetece fazer agora?


- Dormir uma temporada. Uns meses. Só isso.

Recapitulando



 


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          Atravessou o jardim no passo decidido de quem tem pressa em mostrar-se triunfante, no momento em que o João, sentado no banco de jardim de perna cruzada, dobrava meticulosamente o Independente já lido, pousava-o e, reservado, levantava os olhos. Assistia ao movimento de mulher ousada. Com gestos precisos ela afastava qualquer empecilho, provando ser capaz de traçar o próprio caminho, longe de sinas de vida dura. Nada contida, de corpo elegante e bem delineado, balançava afinada os braços a cortar a brisa amena e marchava decidida, com coluna bem erguida, peito alçado e movimento de anca livre. Um manifesto de liberdade. Magnífico exemplar do 25 de Abril, concluiu João, ao acender o SG Gigante, e logo desviar o olhar para o velho e quebrado homem a invectivar o grupo de adolescentes com quem acabara de se cruzar e que, além do despropositado coro de vernáculo, audível em todo o jardim, atirara à água três ou quatro latas de refrigerantes, agora juntadas à garrafa de superbock no fundo do lago. Mais logo o Alcino limpa, pensou. Desde 1969, varria e recolhia o lixo no centro da cidade. Estreou-se ainda em ditadura e assim permaneceu, sempre. Este ano, Portugal vai à final do euro, pela primeira vez na história do futebol, e o Alcino reforma-se, divagava o João. O vermelho das latas de coca-cola, bem visível no fundo da água, na madrugada seguinte seria mais difícil de distinguir, já fora laranja das latas de sumo Kas, ou do azul dos invólucros do capri sonne. Com o passar dos anos era indiferente, só custava mais no inverno, quando a água estava mais fria e suja. Pedia ao destino não aparecessem bichos maltratados ou mortos. Era uma recolha sofrida. Revolvia as entranhas por mais madrugadas passadas. Contara isto ao João em tardes de amena cavaqueira no banco de jardim.


        Depois de acenar ao Alcino, cumprimentando-o, voltou a olhar na direcção oposta, viu a Ana Paula desaparecer depois de subir os poucos degraus da câmara municipal, para cumprir o horário da tarde. Esquitécia, a palavra assomou no seu pensamento no tom morno e doce da Constança. Assim se referia a mulher à Ana Paula, quando em casa conferiam o dia. Era a única pessoa a usar o termo. Nem sequer constava do dicionário. O João matutava se teria relação com a sesquitércia da matemática. Não sabia, mas achava adequado. Ainda assim, defendia sempre a figura central: não há rã sem girino, dá-lhe tempo. Ai, não tenho dúvida, é mesmo uma questão de tempo. Tens razão, dizia a Constança. Antigamente, nós dávamos tempo, três ou quatro gerações, muita fé e paciência. Mas o mundo hoje é outro. O tempo está para gente sem dúvidas nem educação. Irá longe num ápice, os outros nem por isso, vaticinava. Estava envolvido no pensamento da mulher, quando a filha se aproximou, carregando o caderno novo de capa florida, onde esboçara o primeiro início do livro, e perguntou a cor dos sapatos da Ana Paula


                                                                   (Escrito de Abril de 2015 a Abril de 2019.)





 



 


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        Dois anos após as almoçaradas do Outono de 2014, os habituais convivas juntaram-se na Casa Agrícola, junto ao Mercado do Bom Sucesso, para festejarem a chegada ao governo da protagonista. Tal como previsto nas estrelas, a Ana Paula fora convidada a integrar o governo como secretária de estado da administração pública. Fez o infalível trabalho de casa. Um ano após a participação na Entrevista da TVI, no final do ano de 2015, mudou-se para Lisboa. Em rigor, e como vaticinara o Luís, fixou-se no Estoril. A mudança fez-se a pretexto do convite para integrar o grupo de reflexão sobre a modernização administrativa e a reforma do estado, para o qual foram canalizados fundos suficientes a gerar sete novos postos de trabalho no ministério das finanças e da administração pública. Sete novos postos de trabalho, bem remunerados, para se reflectir a futura reforma do Estado que, eventualmente, passaria pela sua redução. Comissão da qual, no final e como seria expectável, saiu apenas um sound bite, baseado em estudo na União Europeia, o qual atesta haver menos funcionários públicos em Portugal do que a média europeia. Razão dos dois pareceres emitidos. O primeiro no sentido de reforço de pessoal em áreas específicas dos serviços do Estado, com sinais de ruptura. E o segundo a calendarizar as medidas concretas de admissão de novos funcionários para daí a quatro anos. Sobrepunha-se o mais conhecido imperativo orçamental de todos os tempos: o almanaque eleitoral. E a pretexto de tão aturadas ponderações e conclusões, a Ana Paula viu resolvida a sua particular situação material, e encetou o trilho partidário a nível nacional. Fora presença notada no congresso da Feira Internacional de Lisboa, em Novembro de 2014. Fizera parte das listas da comissão nacional, garantindo a eleição, no ano seguinte, para a Assembleia da República, como cabeça de lista pelo círculo de Aveiro. Em tempo recorde, porque já não estamos no século XX, quando tais percursos demoravam dez ou vinte anos a ser feitos, em tempo recorde, escrevia a Margarida, a protagonista palmilhou o trilho do poder, transformando-se numa figura de relevo nacional. Chegara ao poder central, de onde tudo passa a paisagem a modelar ao gosto dos caprichos de provincianos deslumbrados. Cumpria-se a história do país dos últimos séculos.


        Na capital, rapidamente se adaptou à teia de relações que interessam a quem tem pretensões de poder. Tornou-se amiga chegada e pretensa discípula de figura maior do partido, uma mulher inteligente, arrivista e azeda, com preparação académica e percurso de vida que faria adivinhar melhor futuro. Nos últimos dez ou vinte anos, ao entrar na onda de ditames contra a realidade, e do novo e empolgante conceito de história e factualidade errada, fora perdendo o controlo sobre opiniões ou princípios defendidos, e traída pelo próprio azedume e ressentimento fora engolida pelos slogans apregoados. Como previsível o mundo do moderninho consumira-se a si mesmo. Por falta adesão aos factos, o politicamente correcto entrara em autocombustão.


        Em pouco tempo, a Ana Paula aproximou-se, percebeu as fraquezas e, estrategicamente, deixou-se ficar como figura de segunda linha, até ter a certeza de ter aprendido a arte de fazer política. Teve de estabelecer as relações necessárias, estreitar os ódios convenientes e aprimorar o discurso de demagoga. Teve de polir todas as arestas de mulher de paixões e opiniões. Aprender a defender as que rendem likes no Facebook e seguidores no Twitter. A moderninha daria lugar à ditadorazita de Espinho. Afinal, a protagonista era uma mulher do seu tempo e tarde ou cedo mostraria ao país a razão de déspota se escrever no feminino.


        A Margarida reflectiu sobre a última frase escrita e sentiu aproximar-se o final do livro. Folheou-o. Queria tranquilizar-se. Estar certa do problema não estar na ascensão ao poder por gente vinda da província, mas sim a ascensão ao poder de quem traduz cosmopolitismo pela ideia superioridade da cidade, enquanto núcleo do poder e das relações que interessam. Por espíritos provincianos, oriundos da mais recôndita aldeia do país ou de qualquer avenida lisboeta. Já nos chegava a visão estreita e pacóvia das elites das gerações anteriores, que não diferenciavam ser cosmopolita do bajular de correntes de pensamento estrangeiras e, por isso mesmo, se sentiam envergonhadas do país onde nasceram, como temos as novas gerações de deslumbrados e deseducados, a afiançarem a ideia de que ser cosmopolita, é ser moderno, urbano, abusar das novas tecnologias e defender de forma militante o apagão da história; a tal que explica o nosso estágio de civilização.


       Eterna ingénua, ansiava por velhos e novos ascendidos à nata do país cientes de não haver cosmopolismo sem o respeito por quem habita o universo, venha de onde vier. Sabedores do princípio íntimo do começo do universo. Vincava a ideia da necessidade de se ter mundo. Fazer parte do universo e respeitar-se a si e ao outro é mais difícil do que parece, dispensa a sobranceria pacóvia dos velhos privilegiados e impõe o conhecimento e compreensão dos factos da história desprezado pelas novas elites. E feita esta consideração, não sem antes rir da conclusão tirada, como qualquer outra resposta descabida na literatura, foi à pasta dos meus documentos procurar o primeiro início do livro que pretendia escrever, mas ao qual não dera continuidade, por se ter perdido a contar a vida da protagonista e outras personagens. Ainda assim decidiu, tal como tinha anunciado ao Vicente, valer-se do esboço inicial e passá-lo para o epílogo. Copiou e colou o texto. Trocou o título, apagando Ana Paula e escrevendo O Livro dos três Princípios. Simplificou, limpando as considerações inúteis sobre a evolução política dos últimos cinquenta anos, e sorriu ao ver novamente da cena triunfal da Ana Paula, a atravessar o jardim, calçada de revolução. Aí estava o terceiro princípio do livro.




Ao sabor do vento favorável

Se há coisa deprimente é ao primeiro cheiro de poder começar a ver surgirem das sarjetas os ratos calados.

Ressaca

Bom. Mil vezes dito: ninguém adivinhava, ninguém previa. Mil vezes repetido. Assim passará a verdade incontestável. Nada muda entre jornalistas, analistas políticos, humoristas e comentadores e demais vozes amplificadas. Nada perceberam. Como sempre a vida continua. Há uns anos estas coisas irritavam-me. Hoje carrego o alheio desprezo pela verdade como uma espécie de orgulhosa ironia - tal como outros ingénuos ou desajustados, supostamente incapazes de análise e acção qualificada. Os espertos são eles, os preparados são eles, os oráculos da sabedoria são eles, nem que continuem de baboseira em baboseira, de desdém em desdém, de prosápia em prosápia.


A vida continua. Só espero que a actuação do Presidente eleito da Câmara de Lisboa não corresponda ao discurso de vitória, caso contrário, os lisboetas estão desgraçados. 


Rui Rio vai levando paulatinamente a sua avante, como compete a quem tem juízo e não se deixa demover pelas constantes desconsiderações e tonterias dos eternos treinadores de bancada. Por cada crítica válida à liderança de Rui Rio, há dez de pura maledicência ou patetice de fala-baratos.  


Carlos Moedas ganhou como estava escrito nas estrelas. Página virada.


A ver se durante o dia encontro um assunto além Autárquicas que me motive a escrever um postal. Tudo isto foi muito cansativo. Por enquanto resta apenas a dor de cabeça de ter estado colada à televisão até às 3h00. Já não via televisão assim há uns tempos largos.

Cognome

Costa, o surreal.


Costa, o desleal. 

26/09/2021

Notícias da varanda

Na roseira secou a primeira a rosa a florir, mas surgiu um novo botão. A sardinheira está quase seca. A alegria continua impante. Os cactos iguais a si próprios. A nespereira com folhas novas. A japoneira já com rebentos. A cujo nome não sei tem um filhote - filho de mãe incógnita.

Recapitulando

A Bola de Cristal que consultei no passado dia 21 a propósito de Lisboa ficou hoje um pouco mais baça e não me revelou em pormenor os próximos episódios. De qualquer forma, é uma bola que cumpre aquilo a que se propõe: houve surpresa a favor de Carlos Moedas. A ver vamos o final da noite.


Como é evidente estou contente.


Quanto ao Porto apesar de estarem a sublinhar o mau resultado do PSD, só posso referir que devem ter andado distraídos das sondagens que davam uma clara vantagem do PS sobre o PSD, que não é tão óbvia nas sondagens de hoje. Enfim.


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O último sonho

Numa praia o cão de uma amiga (que no real não tem cão nem gato) fareja uns pequenos tubinhos amarelos colocados na vertical entre as algas ressequidas na areia. Ela assusta-se, diz-me que há uma norma europeia a regular “aquelas coisas” e que ainda por cima não tem seguro por estar mal de finanças. Descanso-a: o cão não roeu nada, está tudo bem. Começo a ouvir burburinho e olho para o mar, vejo o mar muito calmo, na água translúcida várias pessoas de pé outras a nadar, mais afastada está uma rapariga que nada debaixo de água. Percebo que o burburinho é sobre ela: dizem que se está a afogar.  Hesito, mas fico tranquila quando percebo pelos movimentos do corpo que não demonstra estar aflita. Várias pessoas acorrem para salvá-la, começam a nadar na sua direcção. Mas não se aproximam do local exacto. Olho para lá e penso que o movimento que fazem ao nadar turva a água e de perto não a conseguem ver. Continuo a vê-la tranquila a nadar e tranquila fico. As pessoas no areal começam a dar sinal gritando para o mar a posição exacta. Na areia faço festinhas a um cão de médio porte muito meigo. Aproxima-se outro pequenino também meigo. Continuo na mimalhice aos dois. Tudo sereno.

Sábado

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A prima Pipa é um doce e depois de algum medo passou à posição de brincadeira, por fim bem usou a táctica do "não estou nem aí" para ver se o Ritz se aproximava, mas ele eriçou, rosnou e só passado bastante tempo relaxou, ainda assim não deixou aproximação total. Foi a segunda visita. Na primeira nem debaixo da cama saiu. À terceira deve estar apto a brincar.

Arrumar as palavras

O drama dos dias presentes. A facilidade com que se arranja razões super inteligentes e atraentes para justificar a falta de mero bom senso e responsabilidade, a ausência de coragem. O erro ou defeito está sempre no outro e nas circunstâncias. Toda a acção do sujeito argumentativo - ou não estivesse ele tão esfregado como a lâmpada de Aladino - é fortaleza inatacável e de suposta desarmante honestidade. É um expert: conhece sempre mais e melhor - com maior pormenor e minúcia - a realidade do que os demais. O sujeito argumentativo tece brilhante teia de elucubrações  - na maioria dos casos com tentativa de ironia ou ensaio de polémica - e seduz leitores ou ouvintes para absolutas vacuidades disfarçadas de reflexão.


O que mais há espalhado pelo espaço público é gente dita adulta que parece não ter tido uma voz materna ou paterna que a ensinasse a arrumar o quarto depois de brincar. É tão divertido brincar com as palavras e tão maçador arrumar a confusão final gerada pelas ditas.


Ter acesso a instrução - no ensino público e privado - e às colossais fontes de informação digitais é fácil. Através deles adquirir boa oratória e retórica não é difícil. Ter entrada no espaço público e megafone além de fácil é barato para o mundo rico. Agora arrumar as ideias em consciência e respeito pelo todo e pelos outros é um caso bicudo. Ser responsável é muito aborrecido. Assobiar para o lado e esperar que alguém arrume o quarto é muito mais engraçado. É de facto tentador arranjar múltiplas razões para não cumprir as obrigações que fazem sentido não por serem pessoalmente vantajosas, mas por trazem benefício ao outro, à família ou à comunidade: dói-me a barriga, não fui eu que desarrumei, o outro menino também não arruma, tenho de estudar, ainda ontem arrumei, sou hiperactivo, sou uma criança indefesa, isto são maus tratos na infância. Qualquer coisa serve de desculpa para os pequenos grandes caprichos e egoísmos das meninas e meninos - dos 18 aos 80 anos - com vidas demasiado fáceis. Cada vez mais fáceis. Cada vez mais mimados.

25/09/2021

Ao retardador

Das coisas que mais me irrita em mim: nunca perceber à primeira. Raio de carburador lento. Deve ter sido praga à nascença: ser um calhau precipitado.

Perguntar em vez de responder

O drama de muitos marxistas é o mesmo de muitos admiradores de Freud. Percorrem o caminho contrário ao da ciência: partem das conclusões para as hipóteses. Acontece muito com teses revolucionárias ou de ruptura. Têm a sua validade ao tempo em que são criadas – podendo ser benéficas como contraposição ao status quo -, mas acabam por demonstrar as suas fragilidades face ao decurso do tempo e só a crença cega não repara que o mundo, as pessoas e as circunstâncias não são as mesmas ao longo dos séculos nem da sua própria vida.


Criar hipóteses com o propósito de validar conclusões é a mais pura das batotices. Tomar partido e concluir ou criar uma rede de respostas automáticas é muito fácil. Questionar com seriedade custa um pouco mais.

Dia de reflexão

Há pessoas que gostam da ideia do Dia de Reflexão: são sobretudo as que não apreciam debater assuntos políticos nem que se fale de política. São, aliás, as que não votam. Este é o seu dia de recreio. Livres dos discursos, das entrevistas, das arruadas, das bandeiras. Compreendo-os. Lembro-me de conhecer várias pessoas que se gabavam de não votar e que consideravam tontos os que ainda se dignavam ir às urnas. Na sua perspectiva o voto serviria para caucionar o sistema. Sucede que não se apercebem como não votando abonam e legitimam ainda mais quem está instalado há anos, com todos os vícios resultantes da falta de escrutínio pela palavra e acção. É importante premiar ou denunciar quem administra os interesses de todos. Estar a marimbar-se para a política é sem dúvida uma possibilidade nos sistemas em que não há, felizmente, voto obrigatório, mas convenhamos que é na maioria dos casos uma irresponsabilidade e um absoluto tiro no pé considerar que se penaliza os políticos não indo votar – quanto pior são mais esfregam as mãos com a abstenção.


Hoje não me era difícil obedecer à Comissão Nacional de Eleições. Acordei sem vontade de política e se já decidi que voto PSD - Vladimiro Feliz - para a Câmara Municipal do Porto, é indiferente que isso seja expresso num postal de hoje, como num de há dois dias ainda acessível na página principal das Comezinhas. Passei pelo Observador sem grande interesse e fiquei a imaginar o trabalho nas redacções dos jornais a retirarem notícias para que não sejam alvo de denúncias e multas. Ridículo.


Sucede que me parece importante dizer que o país precisa de mudança e sendo Lisboa a capital quer queiramos quer não é o palco principal nestas eleições - preferia que a nação fosse mais civilizada e não tratasse o resto do território como um conjunto de caprichos ou curiosidades de menor importância que se aguentam a contragosto de 4 em 4 anos nas autárquicas. De qualquer modo, por todos os erros cometidos pelo actual executivo de Lisboa e pelas provas dadas de competência por Carlos Moedas nos vários cargos que foi ocupando, pela herança de logro que representa o actual executivo – à semelhança do Governo nacional - é lá que se joga a possibilidade de começar essa mudança no país. Votando em Carlos Moedas.

Noah Kahan


Céu nocturno estrelado

Há dois dias ao adormecer tive do nada uma imagem linda do céu nocturno estrelado. À direita via-se a silhueta de montanhas às quais me ia aproximando. Magnífico. Mágico. O meu mundo. Não sei se já em micro-sono se acordada. Sei que uns segundos depois estava desperta com uma sensação boa de quem tinha visto o paraíso, e aí sim adormeci mesmo, contente. Um dos momentos mais intensos que guardo de criança foi a ida ao Planetário de Lisboa. Fiquei maravilhada, sem fôlego. Lembro-me de me dizerem que estava velho, sem condições e pensar: mas é tão bonito. Estava habituada ao céu em Valinhas, a ver as estrelas nas noites de céu limpo enredadas nos ramos altos nas enormes tílias. Estava habituada a uma casa grande com paredes mareadas por falta de tinta. As do andar de cima eram azul, com contraste de tom mais forte no rodapé bem elevado e azul claro da parede em si - mais ou menos como as Comezinhas e o curioso é que nunca tinha pensado nesta associação; ele há coisas. Diziam-me que era uma vergonha aquele descuido e eu achava: é tão bonito. No Outono as folhas cobriam o terreiro da casa, e diziam: tem de se limpar. Pensava eu: porquê? É tão bonito assim.


Muito mais tarde vivi vários anos perto do Planetário do Porto e nunca lá fui. Não sei se terá sido preguiça, se desleixo, se medo de não encontrar a beleza de outros tempos.


Esta sorte com que fui bafejada sem saber porquê de fechar os olhos ou sonhar e ter o meu mundo mágico ao alcance é uma enorme bênção que tenho de agradecer ao destino. De olhos fechados ou na imaginação pejada de realidade são infinitas as possibilidades e o contentamento.


Viver com um pé no chão e outro no sonho pode não ser de equilíbrio fácil, mas caramba, as alegrias compensam bem o desajuste.


 


Nota: foi por ter tido esta imagem do céu nocturno estrelado que procurei no YouTube o vídeo que publiquei ontem.

24/09/2021

Noah Kahan


WhatsApp

Se tivesse jeito para o desenho e imagem criaria hoje o meme “vota no candidato melhor colocado para desalojar os socialistas” e fazia-o circular pelo WhatsApp.

Aveiro

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Imagem capturada do site da Marktest.


Parece que há poucos aveirenses a gostar da actuação dos socialistas.


Há que começar por algum lado, então que seja pela letra A.

Crystal Skies - 4k TimeLapse


Nada supera a beleza do céu estrelado.

Coerência

Pergunto-me o que levará os eleitores de Lisboa a eleger Fernando Medina. Com certeza gostam de coerência e que insista nos mesmos erros, não surpreendendo os lisboetas com escolhas acertadas para braço direito. Gostam, não haja dúvida: o legado de Manuel Salgado está assegurado com a eleição de Medina. No passado, como no futuro, sempre os mesmos tiques, sempre o mesmo registo, não há como enganar. 


Sem necessidade de subtilezas.


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Imagens captadas da Wikipédia.


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Imagem captada da Sábado.


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Imagem captada do Polígrafo.

Bruce Springsteen

Último dia

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Imagem captada no site da Marktest.


Margem de erro declarada: 4,08%.


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Enfim.

23/09/2021

Como na farmácia

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Imagens recortadas no site da Marktest.


Vejo que os eleitores socialistas funchalenses desataram numa correria a informar as empresas de sondagens que afinal queriam votar PS. Percebo, antes tinham muito que fazer e agora que se prevê possibilidade de chuva para o fim-de-semana já esfriaram os neurónios e resolveram expressar tão avisada intenção de voto. Já os eleitores sociais-democratas de Lisboa, conservadores como são, consideram que havendo possibilidade de chuviscar, mais vale ficar em casa, desistindo em força de votar (é preciso que alguém os avise que a percentagem da possibilidade de chuva é muito baixa). Faz todo o sentido esta poderosa e sensata preocupação com os destinos políticos. Desconfiar do rigor e fiabilidade das sondagens, porquê? 

Sono

Coloquei a My Way, mas a verdade é que estou a ouvir isto - a ver se acordo, apre. Gosto muito do Outono, mas os primeiros dias são sempre tramados, dão cá uma soneira. Bom, a verdade é que só tenho duas razões para dormir: tudo e nada. Dormir foi a grande solução para tudo, desde sempre. Desde desprender o burro em criança até a tomada de decisões difíceis em crescida (adulta, nem muito), a solução passa sempre por uma boa soneca.


Nunca percebi as pessoas muito sôfregas de vida que acham um desperdício o tempo que se passa a dormir. Ele há lá coisa melhor ?... bom, se calhar há. Mas é compatível. Adiante.

Robbie Williams

Claude François

Declaração de voto

Sem necessidade de grandes argumentos, reduzindo ao essencial. Em absoluta transparência.


No próximo dia 26  - apesar de consciente de estar em franca minoria - não terei qualquer hesitação em votar no candidato Vladimiro Feliz - capaz e parte integrante de anterior bom executivo da autarquia portuense.


Tal como não teria qualquer dúvida em votar em Carlos Moedas em Lisboa, não por especial simpatia, mas por reconhecer competência e por ser o candidato melhor colocado a afastar da Câmara o actual Presidente. Seria um bom princípio para começar a arejar o país do bafio e compadrio socialista habituado a comprar votos à descarada e à custa da ignorância e passividade mansa dos portugueses.

Não resisti à vaidade.

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Não imaginava em 2019 ao criar um novo blogue que, ao fim de tantos anos afastada destas lides, iria ter companhia assídua. Escrever passou a ser um vício e admito que em muitos dias me envergonho de parecer uma "facebookiónama" preocupada com reacções e com o facto de os leitores gostarem ou não do que digo e como digo. O que me vale é que por natureza e feitio gosto de me sentir solta, ajo e escrevo de acordo com o que penso e sou. Não é qualidade especial, é pura falta de talento para ser diferente.


Três advertências quanto aos números.


É certo que tenho mais visitas do Porto, mas o número exorbitante deve-se sobretudo às minhas próprias entradas nas Comezinhas com a obsessão de corrigir erros e gralhas (enfim, ninguém diria, passam na mesma) e ao facto de passar muito tempo a ouvir repetidamente os “youtubes” que aqui coloco. Imagino que a realidade corresponda a qualquer coisa parecida com os números de Lisboa (vá, talvez melhorada, afinal tenho as visitas familiares).


A segunda advertência tem a ver com os números de fora. Que estão inflacionados nalguns casos por acção de um ataque de BOT em Fevereiro último. Pedi à SapoBlogs que tentasse limpar essas entradas para que os números passassem a ser reais, mas ao que parece tal não é possível. De qualquer forma, a maioria das visitas são reais ainda que creia que muitas sejam fruto do puro acaso, quando não do engano.


A terceira nota é para constatar que nem sempre as visitas são referenciadas na localidade correcta. Sei que tenho visitas de locais que não estão elencados e, por outro lado, alguns casos estão identificados nos concelhos vizinhos.


Não posso deixar de fazer uma referência às visitas da Noruega que me deixam espantada (e contente, claro) há meses. Nem ao Brasil, Estados Unidos e Suécia com entradas quase diárias. Boas companhias que se juntam às diárias do Porto/Gaia (não distingo, somos unos), Lisboa, São Domingos de Rana e Almada. E tantas outras mais ou menos regulares, como as de Ponta Delgada, Coimbra ou Guimarães. São a tal cerca de dúzia de visitantes mais ou menos habituais. Grão a precioso grão.


Vem tudo isto propósito de ontem ter dado com 4 visitas da China.


Admito que tudo isto me causa, sobretudo, espanto. Afinal, as Comezinhas são isso mesmo: um diário de trivialidades.


Muito obrigada a todos os leitores por tudo, e pela companhia. 


*


Nota: estes são números totais, desde a abertura do blogue. Localidades portuguesas com menos de 52 visitas não estão reflectidas, assim como países com menos de 6 entradas.

22/09/2021

Zé Maria

O que me levou a escrever no passado dia 5 o texto seguinte não chegou a ficar expresso - coisa que acontece muito a quem está habituada a entrelaçar assuntos e se emaranha. Não adianta, está no sangue. De qualquer forma, se vier a conseguir explicar o que pensei inicialmente e a ligação com o que acabei por dizer, continuarei este postal.


*


Há 21 anos acompanhei o primeiro Big Brother. Fiquei-me pelo primeiro, mas nem por isso acho que perdi tempo. À época, apesar de ter 26 anos, ainda não tinha lido o 1984 - o tal que alguns sabichões das gerações posteriores desdenham por considerarem um cliché excitado dos mais velhos.

Nos últimos anos quando ofereço pela primeira vez um livro a um pré-adolescente (ainda se usará este termo de que tanto zombei de modo tonto?) escolho A História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar - conto de Sepúlveda, que o Nuno me fanou há 20 anos e se perdeu. Quando se trata de um adolescente mais velho dou o 1984 ou o Admirável Mundo Novo. Mais previsível seria impossível.


São escolhas óbvias. Nada reveladoras de especial talento para a exibição de saber livresco ou fora dos circuitos do comezinho. Tudo quanto desejo é que os presenteados sintam a nobreza de sentimentos, se acautelem face a ímpetos autoritários. E percebam o valor da liberdade, tão desbaratado nas últimas décadas por lugares-comuns e mentiras aceites de ânimo leve. 


Como já aqui revelei fui muito marcada na adolescência pela poesia de Fernando Pessoa (como se me encontrasse) e impressionada pela pincelada de Van Gogh. Não se poderiam ter democratizado mais. Tal não produziu em mim o efeito de abandono por excesso de companhia no gosto, como vejo ser comum em certos meios, onde se luta afincadamente pela tentativa de demarcação do rebotalho - uma espécie de ânsia de exclusividade no gosto. Colocar a literatura ou a arte no patamar do serviço premium é um insulto aos autores, aos pintores - à arte. 

Nenhum daqueles livros é o livro da minha vida, mas dou-os por serem preciosos.


Esta espécie de vaidade na singularidade das escolhas e apetite pelo suposto exclusivo, conduz ao desencontro com um sentimento cada vez mais desprezado e tido por coisa pouco inteligente: o gosto pela essência, pelo mais simples. O desdém pelas pessoas e objectos desprovidos de artifício ou boa imagem é uma realidade do nosso tempo e engole, em regra, a dita classe média e os privilegiados. Salvo raras excepções a singeleza e espontaneidade são tidas por burrice e, nalguns casos, por falsidade - ser como se é parece uma veleidade (construída) de quem quer tirar partido da credulidade alheia. A coisa é de tal modo medonha que o grosso dos que vivem da imagem e do artifício não só não prezam a verdade na sua vida com a proíbem aos outros, imaginando que todos vivem, como eles próprios, de aparências. 


*


Abreviando a tal explicação: o que escrevi é pouco mais do que uma resposta aos mui sofisticados que reagiram à vitória do Zé Maria nos anos seguintes com comentários deste tipo: os portugueses são mesmo mesquinhos e falsos, gostam do simplório e da conversa do coitadinho. Um falso é o que é. 


Este tipo de avalição rasca, sim: define o pior dos portugueses que singram. Muito mais do que a simplicidade do Zé Maria. Por muito que se ponham em bicos de pés, quanto mais se esticam mais revelam a sua pequenez.


Sei que entretanto houve uma série de outros "Big Brothers". Não tomei conhecimento.

Marktest

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Manhã

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Manhã ensonada, depois de um dia de caos nas ruas do Porto. De há semanas para cá, o trânsito voltou em grande, tal como o tráfego aéreo. Mas ontem ao fim da tarde foi absurdo. Bastou um acidente e a greve dos STCP. Uma hora para fazer 2 km - sei, devia ter ido a pé; é o que costumo fazer nestes dias, "mas tinha pressa". Ver dezenas de pessoas a desesperar por um autocarro em mais um dia de greve e ouvir passar a o chinfrim da CDU é o atentado à paciência dos portuenses. Exibem cada vez mais uma vida de regalias, estes lordes sindicalistas e comunistas.


Curiosidade de ontem: oferta de uma garrafa de 900ml de sumo de laranja.


Hoje pela fresca, manhã bonita, muito trabalho e sono. A ver se consigo a proeza de dormir 15 minutos à hora de almoço. 

21/09/2021

Surpresas

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Bem sei que são de todo desaconselháveis demonstrações irracionais no mundo da opinião dominado pelo extraordinário bom senso, inteligência e apurado instinto político dos humoristas e comentadores do regime, mas não resisti a consultar novamente a Bola de Cristal (escolhi outra, pois a da bazuca está exaurida com tanto desaforo). E ao que parece Moedas bem pode acreditar numa surpresa. Mais, parece que ainda não é desta que os detractores da actual liderança do PSD, em acção desde o primeiro instante - há três anos -, esfregam as mãos de contentamento.


Recomendou-me também a Bola de Cristal que fizesse um exercício simples e já corriqueiro: imaginasse a cobertura que seria feita caso um candidato da CDU, do Bloco de Esquerda ou do Livre fosse alvo de disparos por motards. Sou insuspeita de simpatia pelo CDS, mas a forma leviana com que o assunto foi tratado demonstra bem o estado enviesado da nossa comunicação social e, em consequência, da opinião pública.


*


Sim, tenho consciência das sondagens e da grande vantagem de Medina nas ditas. Como esta do passado dia 8. 


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Mais logo, pela fresca, veremos como estão as previsões.

Memorando

Não esquecer de escrever daqui a uns meses postal sobre teimosia, certezas de algibeira e diferença entre despenalizar e discriminar.

Acoustic Alchemy


 

Mastimex

Este é um postal diferente para vos falar de uma mulher jovem que deixou o conforto de um bom emprego para com espírito empreendedor e responsabilidade tomar em mãos o projecto do pai, que perdeu para a Covid-19 em Abril último.


Não costumo participar em correntes mas o caso da Sara Leiria, minha ex-colega de trabalho, tocou-me especialmente pela admiração que tenho por ela e pela coragem da decisão de continuar a empresa de materiais de construção Mastimex em memória do pai.


Peço aos pouquinhos mas generosos leitores das Comezinhas que passem pela página de Facebook da Mastimex e, se possível, a divulguem.

20/09/2021

Baço e reluzente

Às vezes dou por mim a pensar que cada um dá significado muito diferente aos temperamentos e sentimentos. Dá ideia que a maioria vê na aceitação da natureza tal como é uma manifestação de melancolia. Julgo que será a mesma razão pela qual se considera mais atraente o cabelo com nuances e brilho de tinta do que o verdadeiro e baço loiro, castanho, ruivo ou branco. A sofisticação afasta-nos cada vez mais da essência. A menos que esteja muito penteada e regular com cascalho ou terra que não sujam e relvados aparados ou águas marítimas mornas prontas a fazer as delícias de uma parte da população mundial privilegiada cada dia mais exigente e mal agradecida, a natureza parece ser cada vez mais tomada por estranha, quando não é mesmo conotada com a tragédia. O normal passa a ser o artifício: o construído ou produzido em conformidade com os mais altos padrões da qualidade do mundo moderno.


Ah, é a evolução normal do tempo – aliás, a história do Universo faz-se da alteração contínua das partículas de matéria que a compõe -, dirão os que vão sempre atrelados ao tempo. Para quem ter uma conexão razoável com a natureza – pré-existente ao seu tempo - é sinónimo de ser desajustado, lírico, ultrapassado, i. é, vencido. A necessidade permanente de corrigir, projectar e superar define os vencedores. Uns dissimulam esta vontade de vencer com a criação de anti-heróis ou a chafurdice no submundo, como se fosse essa a ligação à natureza. Não percebem que incorrem no mesmíssimo erro das histórias de fadas e dos super-heróis, limitando-se a inverter o ponto de vista. Outros concedem que o dito desajuste tem algum charme e usam-no na fotografia, no cinema, na literatura. No fundo limitam-se a condená-lo como se estivessem a retratar o irremediável passado. Inacessível. Não advogam a conexão com a natureza para a sua vida, invocando responsabilidades do quotidiano e temendo serem proscritos pelos que acreditam serem seu amparo. Sucede que quase todos os supostos apoios estão, eles também, corrompidos pela sofisticação oca. E assim, pelo gradual afastamento da natureza, se desmorona o essencial dos elos da humanidade.


O drama é que a abstracção da matéria desprende a humanidade do que existe. Da essência. Não é de estranhar que tenhamos perdido o pé e que não seja possível perceber o que se passa com o mundo nem prever o que se vai passar com a humanidade.

Agenda

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Abri o depósito de apontamentos e verifiquei os três últimos. O mais recente consistia numa bojarda de todo o tamanho que na semana passada equacionava escrever e publicar. Felizmente fui consultar a tempo dados e estatísticas de dois sites que tenho por fidedignos: contradiziam o meu bitaite. Recolhi as unhas e passei adiante. O intermédio era apenas uma frase solta, uma verdade insofismável mas insultuosa, pelo que não viu a luz do Sol. Por fim, no passado dia 14 estava o texto que segue no próximo post.

How Love Works

Benefício da dúvida

As discussões infrutíferas têm amiúde causa no pressuposto de que o interlocutor ignora as inúmeras razões, história, ilações, decorrências, contradições e resultados do que acabou de dizer.


As afirmações, ainda que não sejam equívocas, são sempre parciais. É impossível dizer-se tudo numa frase, numa conversa, numa imagem. Se não dermos o benefício da dúvida de que o outro também pensa, não chegamos a parte alguma que valha a pena.

19/09/2021

Coisas do diabo

Sem saber como bloqueei o teclado. Só a tecla ligar/desligar funcionava. Para superar a situação tentei usar o Fn conjugado com o F6 e F8. Nada. Tentei outras variações e nada. Accionei o teclado no monitor e fui às Definições: não consegui nada. Em seguida fui ao Google e como nestas coisas gosto mais de ler do que de ver vídeos tentei fóruns de ajuda. Nada. Em seguida abri o vídeo de um simpático hispânico no YouTube, que me ensinou o atalho Fn+s+v com a estranha particularidade de ter de o accionar com o pc desligado, em seguida pressionar o on/off durante 60 segundos (o pc não liga), depois ligar o cabo da bateria e, finalmente, ligar o pc. Et Voilà, teclado a funcionar.


Fico a pensar: estes bicharocos com que nós lidamos todos os dias não desligam nunca, hibernam. Hum. Muito me contam.

Dramas

O fim-de-semana a terminar, nada de grandes leituras, nada de importantes realizações, apenas o rolar simples e usual dos dias de descanso, com umas horas a mais de sono de que bem precisava. E o drama: como é possível passar três ou quatro horas a ver casas e não ter encontrado o meu futuro cantinho? Uma casinha pequena, com escada decente e com um nico de jardim. O que quer dizer que a vida corre leve. Até temo ao escrever isto, quando me dou nesta paz, temo a guerra e as dificuldades futuras. Ai, Anjo da Guarda vê lá se estás atento.

Ideias luminosas?

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[...]


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[...]


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Bom dia

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Bom Domingo.

18/09/2021

O país do cavalo à porta do prédio

Em miúda junto à Escola Industrial de Gaia havia – julgo que ainda há – um bairro social ocupado parcialmente por ciganos. Recordo sempre dos cavalos perto das portas de entrada dos prédios.


É muito difícil largar hábitos enraizados, modos de vida com séculos de história, para aderir à moderna vida citadina.


Vem isto a propósito do paradoxo das críticas avulso à incompetência e falta de seriedade das entidades públicas, dos governantes e de todos quantos administram a coisa pública, seguidas de absoluta inconsequência quando se desce ao concreto e se desculpabiliza sistematicamente os erros, ao mesmo tempo que se despreza os que denunciam genérica ou particularmente incompetências ou comportamentos incivis dos concidadãos.


Como condenar a corrupção se parte dos portugueses vive e convive de aparências e da pequena corrupção? A fugir aos impostos, a enganar seguradoras, a pagar luvas, a furar filas etc.


No fundo, grande parte dos portugueses – incluindo aqueles que vivem da trapaça, a reivindicar benesses e na pedinchice – não gostam de ser confrontados com a verdade. Sentem-se melindrados – é deles que se fala.


Se o carro está em cima da linha amarela à porta do supermercado precisamente no local de uma paragem de autocarro, temos de ser compreensivos porque são só cinco minutos, ou porque está a chover ou na viatura segue uma pessoa com deficiência, ainda que trinta metros adiante haja uma entrada para o parque coberto gratuito às moscas, inclusive nos lugares para deficientes.


Muitos portugueses que balem slogans das bandeirinhas identitárias e reproduzem inanidades conflituosas (instigadas pelas televisões) contra a falta de educação dos seus conterrâneos nas conversas familiares, com colegas de trabalho ou amigos, ignoram ostensivamente a existência de pessoas com notória deficiência pacificamente e em silêncio atrás de si, na fila a eles destinada.


Muitos portugueses instruídos seja no ensino público gratuito seja em colégios privados, bem vestidos e de mãos bem cuidadas assentes no volante, não só não resistem como têm o hábito – tal como os seus conterrâneos pouco letrados vestidos de fato-treino, leggins e unhas de gel – de se atirarem para outras faixas de rodagem nas estradas e auto-estradas, sem assinalar, atentar no perigo ou tão simplesmente no prejuízo para os outros que conduzem na via, obrigando-os a travagens ou desvios bruscos para evitar acidentes.


Muitos cidadãos cheios de moralidade e muito pios, que alegadamente dedicam parte da vida na ajuda ao próximo, são exímios em passar à frente em listas de espera, nomeadamente, para a vacinação contra a Covid-19. Tal como muitos cidadãos que costumam falar seja em decência seja em desigualdades, têm extrema predisposição para invocarem a excepcionalidade do seu caso no atendimento prioritário.


E por aí adiante. Às tantas devia deixar-me ficar a ver casas.

Panca das casas

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A começar a ver casas neste início de tarde. Houve uma época que tinha a monomania das moradias "germinadas". É bom saber que ainda as há.


O Idealista, portal imobilário de onde tirei a imagem, é o 28º site mais pesquisado em Portugal. No meu caso deve estar no Top10.

17/09/2021

Fechando o estaminé

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Olfacto

Acordei com o restolho e adivinhei: o Ritz está outra vez em cima da cómoda. Desde que guardei duas ou três miudezas, entretém-se a atirar o frasco mais pequeno de perfume ao chão para brincar com ele e a tampa. Tem dias assim, há meses: levanto-me, ralho e acordo depois. A sorte é que atira os resistentes de spray, quando começar a atacar os de rolha, estou tramada. Quando me imaginaria assim: permissiva? É um terrorista porque permito, atiço-o para a brincadeira desde pequenino, como fazia aos cães (mais do que com os gatos) em criança. Está habituado a saltar-nos para as pernas e para a colo, ao mimo e a brincar: prendo as patas, faço cócegas. Vira-se ao contrário quando passámos a pedir pândega. Chama-nos com a patinha para pedir o que quer. Dá beijinhos de gato. Doce terrorista. Os perfumes estão lá nem sei bem porquê: foram-me dados ao longo dos anos, sendo que os uso quando o rei faz anos (há quanto tempo não usava esta). Julgo que o meu sentido mais apurado é infelizmente o olfacto. Se pudesse escolher pedia ao destino que me diminuísse a acuidade olfactiva e beneficiasse um pouco a visão. Às vezes – muitas vezes - dá a sensação que tenho uma lupa nas narinas, um microscópio. O cheiro a perfume na maioria das vezes incomoda-me, a menos que seja muito leve. Em regra, parece-me elevado a uma potência exacerbada, devo ter faro de cão. Entra-me no cérebro e baralha os fusíveis. Então, as fragrâncias orientais e adocicadas, matam-me. Mesmo os florais, tolero mal. Inclino-me para os cítricos, mas a preferência é mesmo: nada. Adoro sentir simples cheiro a sabonete ou gel de banho e champô - há muitos anos uso um banalíssimo de limão. Pelo que os frascos de perfume servem pouco mais do que bibelôs. Foi sempre árduo trabalhar muito próximo de várias pessoas juntas: não é maldade e recuso sempre aquelas conversas típicas de má-língua de que colega x ou y cheira mal. O certo é que todos temos o nosso cheiro e dias melhores do que outros. Mas levar com pessoas muito próximas com odor forte seja de que natureza for é horrível. Passar pela experiência de trabalhar entre uma pessoa que não gosta de banho e outra muito cuidada e que gosta de despejar o frasco de perfume em cima será de fugir.


*


Mas nem só de tristezas é feito o bom olfacto. Durante anos fui almoçar diariamente a casa da minha mãe e gostávamos de brincar com o facto de assim que abria a porta do apartamento adivinhar o repasto. Ficava admirada com a minha pontaria. Se me desse para cozinhar também teria vantagens, já que sou daquele tipo de pessoa que não precisa de provar para saber se o arroz está insosso ou bom: basta cheirar. Ultimamente cozinho muito pouco. Se é que alguma vez cozinhei muito ou sequer regularmente. Já o cheiro a leite quente, então se for adoçado, ainda hoje me enjoa – desde criança.


*


As fragrâncias transportam-me para espaços físicos e imagens passados. Sinto cheiros que me levam a antigos recantos de casas, caminhos, móveis, sofás, roupa, almofadas, secretárias, pessoas, brinquedos, livros, canetas, lápis - há serrim no odor a lápis a ser afiado -, borrachas, escolas, cafés, aviões, praias, mar, areia, quarto, cama, estradas, malas, erva, relva, árvores e arbustos. Todos eles contam a história e razão de ser daquele cheiro - causa das coisas, natureza. O odor faz-nos associar pessoas ou situações a outros momentos ou espaços. A vida olfactiva dava um tratado – quantos não existirão?, mas não quero ler. Prefiro tentar chamar às minhas narinas o cheiro a terra e húmus molhados – dizemos por simplicidade terra molhada, mas quando é rico, é também húmus. Não tem a leveza de um verso a enaltecer a terra molhada - abstraído do que é. Pesa nas narinas. Impressiona, é denso. Cheira a carne e seiva das plantas, a carne e sangue dos animais. Leve e terno é o cheiro da cabeça de um bebé ou criança pequena bem cuidada. Ou, em rigor, não. Leve não é. Terno sim, fragrância da tenra polpa humana, o indecifrável começo da humanidade. Leve é o cheiro à brisa marítima caso estejamos longe do mar. Aberta e vibrante é a fragrância de eucaliptos depois de uma chuvada, a abafar a das resinas dos pinheiros. Amor é sopro forte no peito e tremor de corpo inteiro que fervilha, húmido instante e instinto, cheiro a segredo cúmplice de dois. E continuaria uma vida se não tivesse que voltar a tomar sentido no trabalho - registo a expressão usada pelas gentes de antigamente. Aliás, a esta hora terei sim de almoçar.

16/09/2021

Curiosidades gerais

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Imagens da Similarweb e Marktest.

Elvis Costello


Duas versões: a segunda faz sorrir mais do que a primeira.

Diário de ontem

Ontem reli postais sobre a exacerbação da falta de auto-estima da esquerda e a ideia de que é a esquerda académica, intelectual e bem instalada que promove o activismo tonto e não os verdadeiros penalizados pelas ofensas às identidades. Sem deixar de perceber que há verdade nesta observação, e com eterna tendência para ver dos dois lados, tentei contrapor a visão da balofa auto-estima da direita, ancorada na ideia da sempre possível superação dos obstáculos, crença cega na vontade individual e na inexistência de desigualdades para quem acredita em mantras motivacionais e que os fins justificam os meios.


Enquanto decorria o debate das autárquicas no concelho de Lisboa, dei por mim assustada com a memória do que escrevi há dois dias e ainda não publiquei por querer corrigir e maturar, assente na contraposição entre o artifício e o essencial, sendo que este último estaria na conexão com a natureza – a ideia base da Quinta. O sobressalto prendeu-se com voltar a ler um rápido resumo da biografia de um contemporâneo profeta e chanfrado homicida cujo pensamento passa a páginas tantas por esse tipo de ideias. É preciso muito cuidado para não perder o pé, pensei.


Do debate ouvi apenas partes. Fiquei agradavelmente surpreendida com o bom senso (quem diria) da prestação da representante do PAN, entediada com os paradigmas da candidata do Bloco de Esquerda, irritada com a prepotência da independente apesar do que disse fazer sentido, hesitante em relação à candidata do Nós Cidadãos, sem dúvida com trabalho bem pensado e bem feito além de coragem para a denúncia, mas fiquei sem conhecer alternativas. Encolhi os ombros ao ouvir o representante da Iniciativa Liberal, tive esperança que três dos candidatos que enunciaram críticas certeiras mas banais ao poder instituído dessem o passo seguinte e concretizassem políticas. Fiz por não ouvir o Presidente da Câmara em exercício - sei, não é uma atitude inteligente, mas tenho que poupar a minha saúde. E reparei que o bonito próximo secretário-geral do PCP parecia ele próprio o Presidente da Câmara de tal modo está instalado e mais à vontade do que qualquer um dos outros nas questões concretas da governação municipal; nem se esqueceu de elogiar - a pretexto de motivá-los - funcionários da edilidade numa descarada caça ao voto.


Entretanto ontem ou anteontem – perco um pouco a noção – Rui Rio esteve muito bem no comentário à inacreditável postura da maioria dos juízes do Tribunal Constitucional, ao afirmarem que a mudança para Coimbra desprestigiaria a instituição. A única nota que se pode fazer aqui é esta: a maioria dos juízes do mais alto órgão de Justiça não passam de parolos e pouco podemos esperar do país quando assim é. Sim, a postura é própria de pacóvios ascendidos à capital. No Livro dos Três Princípios procurei deixar bem claro que um dos mais graves problemas do país é esta saloiice dos representantes dos mais altos cargos da nação – passa por juízes, mas também por políticos, intelectuais, académicos e comentadores televisivos, por exemplo. Nada pior do que entregar o poder (em sentido lato) a deslumbrados.


Para rematar digo apenas que teria gostado de ter sido poupada à visão e audição de um velho senil a dizer obscenidades. Quando penso que Fernando Nobre poderia ter sido Presidente da Assembleia da República, penso: céus, que susto. Mas na realidade ainda conseguimos pior. Fernando Nobre e Ferro Rodrigues são o pior retrato do país.


*


Adenda: percebi depois de publicar que me tinha esquecido de Moedas. Não foi mesmo intencional, mas de facto também não me entusiama, tal como Medina parece-me um avençado do lobby lifestyle das bicicletas.

Bruce Springsteen


Bom dia.

15/09/2021

14/09/2021

Aspiração


Tudo quanto mais desejo nos últimos dias.

Jordan Peterson Vs Slavoj Žižek


Ouvido no fim-de-semana. Mais uma vez obrigada a quem me envia estas preciosidades.


Quem é

Quem é Isabel Ayuso?


«Ayuso ha traducido en mensajes sencillos la vida cotidiana de los madrileños, consolidada durante un cuarto de siglo, y basada en la apertura al exterior, las oportunidades, la recompensa al esfuerzo, el reconocimiento del mérito y la modernidad. Lo ha resumido en la palabra “Libertad”, que es el lema de campaña. Ayuso ha conseguido que dicho concepto vuelva a ser una emoción, como dicta la tradición liberal, de dirigir con ilusión la propia vida y asumir la responsabilidad. En realidad, consiste en tratar a las ciudadanos como adultos, lejos del Estado paternalista y de ingeniería social al que están acostumbrados en otros territorios, y predican otras opciones políticas.», em Perfil, de 30-04-2021.


*


«Para intentar comprender el fenómeno Ayuso hay que recurrir a Edward L. Bernays, quien en su libro Cristalizando la opinión pública desentraña los mecanismos cerebrales del grupo y la influencia de la propaganda como método para unificar su pensamiento. Así, según L. Bernays, «la mente del grupo no piensa, en el sentido estricto de la palabra. En lugar de pensamientos tiene impulsos, hábitos y emociones. A la hora de decidir, su primer impulso es normalmente seguir el ejemplo de un líder en quien confía». En consecuencia, la propaganda de Ayuso va dirigida no al sujeto individual, sino al grupo, en el que la personalidad del individuo unidimensional se diluye y queda envuelta en retazos de falsas expectativas creadas y anhelos comunes que lo sustentan (utopía).», no La Voz de Galicia, em 18 de Agosto de 2021.


*


«La reforzada dirigente regional ya ha dejado claro además que piensa ejecutar todas las medidas de su programa electoral para las que la formación naranja suponía un freno. De hecho, la primera iniciativa que ha llevado al hemiciclo de Vallecas ha sido una reforma exprés de la Ley de Telemadrid que le ha permitido destituir a la dirección de la cadena tras haberse lamentado de que era la única presidenta autonómica que tenía una televisión que le era «crítica».» e


 «En paralelo, todos los miembros del consejo de administración de Radio Televisión Madrid serán designados por la Asamblea de Madrid a propuesta de los grupos parlamentarios como "mejor garantía de la independencia, neutralidad y objetividad", según el PP. Cinco de los nueve que ostentan el cargo actualmente fueron elegidos por asociaciones de la sociedad civil y el resto por las cuatro formaciones que tenían representación hace seis años.», no El Mundo, de 14 de Agosto e 8 de Julho de 2021.


*


«Más política que intelectual; más apocalíptica que integrada; más hedonista que epicúrea; más de intuición que de cálculo; más de víscera que de razón (aunque lo esté intentando corregir); directa, sencilla, sincera, pero con la dudosa humildad de los soberbios; de armas tomar, pero sin elevar el tono; chula, irónica, enigmática, puntillosa, emocional hasta el llanto extemporáneo y audaz hasta la temeridad; de prueba y error, a todo o nada.», no El País, de 4 de Julho de 2021.

13/09/2021

Jacques Loussier


Acabam de me dar a conhecer - a banda sonora para amanhã.


Na biografia de Marcelo Rebelo de Sousa (há seis anos li-a parcialmente e ouvi o restante em partes soltas), a páginas tantas diz-se (creio que o próprio) que melhor do que ser rico, é ter amigos ricos. Percebo a ideia, mas traduzo-a noutra bastante melhor: uma das maiores sortes na vida é estar cercada de pessoas inteligentes, com interesse e bom gosto (sei, tudo isto é subjectivo). O certo é que se vão conhecendo coisas magníficas por viver e conviver real ou virtualmente com pessoas extraordinárias. A questão é saber não perder tempo com futriquices e aproveitar o que de melhor nos rodeia.

Geometria

Durante toda a meninice – do liceu à faculdade – apesar da falta de jeito para o desenho, tentava esboçar dois temas. Recordo agora que eram três os motivos: um pássaro no ninho, composições com triângulos e outras figuras geométricas e flores. Lembro de que qualquer pretexto era bom para riscar triângulos cujas faces e vértices se multiplicavam (ao infinito). Sempre mal amanhados. O pardal no ninho ainda mais imperfeito. E as mais remotas, aprendidas em criança, eram flores – peguei agora num papel para ver se ainda me lembrava – feitas, creio, de sete círculos: o olho central e seis pétalas redondas. Às vezes, variava e fazia as pétalas em forma de chama, mas aí a falta de jeito era de tal modo que tinha que ir rodando o papel. E claro não faltava a haste com um folha verde, riscada ao meio e com veios. E isso remete-me à escola primária a aos cadernos onde desenhava péssimas figuras humanas, com a particularidade de terem costas e rabo no verso na folha - comigo as coisas tinham que se perceber bem, não havia cá partes que não se viam.


Um dia vou pegar em lápis e ver se continuo a não saber desenhar.


Veio isto a propósito dos desenhos das capas dos livros de ontem. A propósito de mosaicos árabes. E da memória de que para os muçulmanos a geometria é uma forma de revelação de Deus, dada a impossibilidade de representá-Lo de modo figurativo – não vou entrar aqui na questão de saber se o Alcorão proíbe ou não. Aliás, a representação humana e animal também não é benquista.


Porquê escrever estas coisas? Por me ocorrerem e acreditar que todos nós temos recordações como estas e vidas mais cheias e ricas do que pensamos.