É para esquecer, por enquanto, o postal que estava e está em esboço. Dezassete minutos dentro do consultório do dentista, antes do tratamento do Nuno.
Conversa a três, sorriso e abano afirmativo de cabeça muito atenta da quarta.
Começa a conversa: - Vi-a ontem a atravessar o cruzamento.
Temas. Pensar em alguém e essa pessoa surgir na rua. Percepção e maior sensibilidade de alguns. Isto anda tudo ligado. Há uma explicação para tudo, nós é que não a vemos. Gypsy Jazz. Jazz experimental. Física. Noção de tempo. Perigosa confusão entre ser e ter. Definição dos tempos modernos. Euromilhões. Não trocar a busca das questões fundamentais por nenhum euromilhões. Ressalva do mínimo de conforto. Reencarnação. Universo. A visível evolução da humanidade. Isto anda tudo ligado. Ficou a pergunta: será que vão ser os físicos - os respeitáveis cientistas - a explicar que algumas das respostas esotéricas não andam longe da verdade? Religião, o pretexto escusado para guerras de poder. Tudo em dezassete minutos.
Vim para a sala de espera. Lá dentro a conversa continua, agora a três. Às tantas terei tempo para o outro postal.
Na segunda-feira tinha sido a minha vez de sentar na cadeira da dentista. Conversa muito bem disposta com médica de humor inteligente e educado. Tema: dar a volta à imagem na aproximação aos cinquenta.
Assim, vale ou não a pena vir aos dentistas?