O drama de muitos marxistas é o mesmo de muitos admiradores de Freud. Percorrem o caminho contrário ao da ciência: partem das conclusões para as hipóteses. Acontece muito com teses revolucionárias ou de ruptura. Têm a sua validade ao tempo em que são criadas – podendo ser benéficas como contraposição ao status quo -, mas acabam por demonstrar as suas fragilidades face ao decurso do tempo e só a crença cega não repara que o mundo, as pessoas e as circunstâncias não são as mesmas ao longo dos séculos nem da sua própria vida.
Criar hipóteses com o propósito de validar conclusões é a mais pura das batotices. Tomar partido e concluir ou criar uma rede de respostas automáticas é muito fácil. Questionar com seriedade custa um pouco mais.