Olho para os principais candidatos a líder dos dois maiores partidos portugueses e assusto-me. Pelo lado do PS, Fernando Medina representa tudo quanto abomino na política actual: a falta de idoneidade, falsidade, irresponsabilidade, adesão aos clichés da moda, falta de substância.
Do lado do PSD perfila-se Paulo Rangel.
Quando há mês e meio me enviaram o badalado vídeo de Rangel - aparentemente feito por uma qualquer cabra que ao publicá-lo demonstrou quão miserável é -, tive o cuidado de não reencaminhar a rigorosamente ninguém e um palpite que vinha por aí um “chegar à frente”. Não me enganei. Pela forma como os políticos da nova geração acham que se devem apresentar: não pelo programa, não pelas ideias, mas pela passagem por um qualquer programa “chorinhas” e pela aluvião de abraços e palmadinhas nas costas de correligionários interessados nas redes sociais – twitter, facebook e blogues –, na maioria dos casos à espera de um lugarito ou benesses no novo PSD ou entidade mais discreta. Esquecem-se sempre que quem com ferros mata, com ferros morre e hão-de ser as mesmas redes, os mesmos amigos traiçoeiros a puxar-lhe o tapete.
Ao contrário de Medina, Paulo Rangel tem substância: é pessoa intelectual e profissionalmente muito preparada, e bom professor. É também um homem extraordinariamente ambicioso. Até aqui nenhuma pecha para ser bom líder do PSD. Sucede que não tem a menor consideração por quem não lhe traz benefícios, sendo capaz de destratar os outros por simples prazer, arrogância e vaidade. O protótipo da pessoa capaz de ser forte com os fracos e fraco com os fortes. Por saber disto, e por considerar que não vale tudo, jamais votaria nele. E não gostaria de o ver à frente do PSD.