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28/02/2025

Lido




The Guardian


 













‘Dummies for Putin’: Democrats defend Zelenskyy after ‘shameful’ Trump meeting













Ukrainian leader abruptly left White House after being publicly berated by US president in Russia ceasefire talks


Democraticlawmakers rushed to defendVolodymyr Zelenskyyafter the Ukrainian leader was publicly berated byDonald Trumpin a disastrous Oval Office meeting.







The US president accused Zelenskyy of “gambling with world war three” while his vice-president,JD Vance, called the Ukrainian leader “disrespectful”, before cutting short talks aimed at kicking off the process of ending Kyiv’s three-year war with Russia.


 

Zelenskyy abruptly left the White House soon after without signing a rare critical minerals deal with the US that Trump has said is the first step toward a ceasefire agreement that he is seeking to broker between Russia andUkraine.


Democratic senators came to Zelenskyy’s defense in statements condemning Trump and Vance’s “shameful” and “disgraceful” treatment of the Ukrainian leader.


“Every time I’ve met with President Zelenskyy, he’s thanked the American people for our strong support,” Chris Coons, a Democratic senator from Delaware,wrote on X. “We owe him our thanks for leading a nation fighting on the front lines of democracy – not the public berating he received at the White House.”


Adam Schiff, the California senator,said: ““A hero and a coward are meeting in the Oval Office today. And when the meeting is over, the hero will return home to Ukraine.”


Chris Murphy, a Democratic senator from Connecticut,said: “What an utter embarrassment for America. This whole sad scene.” The Arizona senator Ruben Gallegoadded: “This is a disgrace.”


Senator Chris Van Hollen from Maryland also described the scenes in the Oval Office as “beyond disgraceful”. The Illinois senator Dick Durbinadded: “The people of Ukraine and President Zelenskyy deserve an apology.”


“Trump and Vance berating Zelenskyy – putting on a show of lies and misinformation that would make Putin blush – is an embarrassment for America and a betrayal of our allies,” Durbin said. “They’re popping champagne in the Kremlin.”


Trump and Vance “are doing Putin’s dirty work”, the Senate Democratic leader, Chuck Schumer,saidafter the calamitous meeting, adding that his party will “never stop fighting for freedom and democracy”.


Sheldon Whitehouse, the Democratic senator from Rhode Island, alsoaccusedTrump and Vance of “acting like ventriloquist dummies for Putin”


Whitehouse was part of a bipartisan group of senators who met with Zelenskyy earlier in the morning before his meeting with the president. The Minnesota Democratic Senator Amy Klobuchar said the hour-long discussion showed “strong bipartisan support in the Senate for Ukraine’s freedom and democracy”.


Klobuchar later addressed Vance directly in a social mediapostsaying that Zelenskyy had thanked the US “over and over again” both privately and publicly.


“Our country thanks HIM and the Ukrainian patriots who have stood up to a dictator, buried their own & stopped Putin from marching right into the rest ofEurope,” she wrote. “Shame on you,” she said, referring to Vance.


Tina Smith, another Democratic senator from Minnesota,calledon her Republican colleagues to “speak out” in the name of “patriotism”. “Once, we fought tyrants. Today Trump and Vance are bending America’s knee,” she said.


But Republican senators rushed to defend Trump, describing the president’s exchange with Zelenskyy as evidence that he was “putting America first”.


Mike Lee, a Utah Republican senator,thankedTrump and Vance “for standing up to our country and putting America first”. The Indiana Republican senator Jim Banks also thanked Trump for “standing up for America”.















“[Zelenskyy] ungratefully expects us to bankroll and escalate another forever war–all while disrespecting the President,” Banks wrote on X. “The entitlement is insulting to working Americans.










Obrigada

Capturar

Mai nada

Avizinham-se quatro dias de descanso e reina a boa-disposição. Valha o comezinho cá dentro do umbigo, já que fora o mundo vai vergonhoso.


Mai nada.

27/02/2025

Nuances

Como detectar quem ainda não percebeu o carácter de Trump ou, pior, quem aprecia o género? Reparar em quem diz que se deve distinguir entre discurso e acção do espécimen. Isto já para não falar daqueles que a cada passo desvalorizam os ultrajes do criminoso enquadrando-os na história política como actuações inevitáveis ou normais.

26/02/2025

Estranheza

Um mundo passado que vês aflorado por semelhança em memórias de outrem. A vaidade nos avós, nas casas, salas, objectos e modos de estar. Um mundo longínquo, incompreendido pela maioria, cobiçado pelos espertos ambiciosos e que, numa espécie de despojamento instintivo, relutas em expor por te ser tão familiar e caro. Vês exposto com orgulho por outrem que ainda se sentirá confortável numa pele ancestral que há muito largaste. É uma sensação estranha.

Lido

Jornal de Notícias


- últimos dois dias -


 



A Casa Branca anunciou novas regras para a comunicação social, passando a decidir que jornalistas podem fazer perguntas ao presidente norte-americano, Donald Trump, tarefa que até agora cabia exclusivamente à Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA).


A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou em conferência de imprensa que, a partir de agora, será o executivo a selecionar os membros do pequeno grupo de jornalistas, fotógrafos e operadores de câmara que acompanham os presidentes dos Estados nos seus eventos e transmitem a informação a milhares de outros jornalistas interessados.



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Donald Trump retirou a exigência de 500 mil milhões de dólares em recompensa por ter apoiado Kiev e a Ucrânia aceitou, esta terça-feira, o acordo pelos recursos minerais do país. Nação invadida pela Rússia recebe em troca promessa de segurança, mas sem pormenores.


O impasse entre Washington e Kiev pelos recursos naturais da Ucrânia foi resolvido, com os Estados Unidos a abandonarem a exigência de serem recompensados em 500 mil milhões de dólares pelos anos de apoio ao país. A luz verde ucraniana ocorre enquanto rumores, todavia desmentidos por Bruxelas, de que a Europa apresentara uma proposta alternativa pelos minerais do país.


Num dos rascunhos feitos pelos EUA estava escrito que os norte-americanos teriam direito a explorar 500 mil milhões de dólares (475 mil milhões de euros) em recursos minerais ucranianos. Uma fonte de Kiev, ouvida pela agência France-Presse (AFP), relatou que a Administração Trump retirou tal exigência.


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As ações da Tesla, fabricante de veículos elétricos, baixaram, esta terça-feira, mais de 7% na bolsa de Nova Iorque, depois de ter sido anunciado que as vendas na Europa da marca fundada por Elon Musk caíram para metade.


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O presidente russo, Vladimir Putin, mostrou-se favorável à participação dos europeus na resolução do conflito na Ucrânia e a investimento norte-americano para explorar minerais estratégicos nos territórios ucranianos ocupados pelo exército russo.















Estamos prontos para atrair parceiros estrangeiros paraos nossos novos territórios históricos que foram devolvidos à Rússia. Há aqui certas reservas. Estamos prontos para trabalhar com os nossos parceiros, incluindo os americanos, nas novas regiões", disse Putin numa entrevista televisiva.




 



Empresas russas e norte-americanas estão "em contacto"para projetos económicos conjuntos, adiantou.




 


A entrevista a Putin foi divulgada no dia em que se assinalaram três anos sobre o início da invasão russa e enquanto decorrem contactos diretos entre Washington e Moscovo sobre um acordo de paz na Ucrânia, excluindo o bloco europeu e Kiev.   


O presidente russo afirmou que os europeus "podem participar" na resolução do conflito na Ucrânia. "Os europeus, mas também outros países, têm o direito e a oportunidade de participar. E nós respeitamos isso", disse Putin na entrevista.




 



Também Trump disse acreditar que Putin aceitaria forças de paz europeias na Ucrânia como parte de um possível acordo para pôr fim à guerra, indicando ter feito essa pergunta diretamente a Putin.





 



Trump recebeu esta segunda-feira na Casa Branca o homólogo francês Emmanuel Macron, que na semana passada reagiu ao anúncio de contactos unilaterais diretos entre Washington e Moscovo sobre a Ucrânia convocando uma cimeira de líderes europeus.   





 



Em relação ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que recebeu líderes europeus em Kiev, o presidente russo sustentou que está a tornar-se uma "figura tóxica" na Ucrânia. "O facto é que o líder, o atual líder do regime de Kiev, está a tornar-se uma figura tóxica", disse Putin numa entrevista televisiva, acusando Zelensky de "dar ordens ridículas" ao seu exército e de ser "um fator na decomposição do exército, da sociedade e do Estado".


Na mesma entrevista, Putin considerou "uma boa ideia" a proposta de Donald Trump de que aRússia, os Estados Unidos e a Chinareduzam os seus gastos militares para metade. "Poderíamos fazer um acordo com os Estados Unidos: os Estados Unidos cortariam 50% e nós cortaríamos 50%.


A China juntar-se-ia então a nós se quisesse. Pensamos que esta é uma boa proposta e estamos abertos a discussões sobre ela", disse Putin na entrevista televisiva.




 



Horas antes, os Estados Unidos votaram ao lado da Rússia e de aliados deste país como a Bielorrússia, contra uma resolução não vinculativa da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) exigindo o fim das hostilidades na Ucrânia e que reafirma a soberania, independência, unidade e integridade territorial ucraniana.


A resolução em causa, apresentada pela Ucrânia e pela União Europeia, foi ainda assim aprovada com 93 votos a favor, 18 contra e 65 abstenções.































 

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The Guardian

 

- últimas horas - 


 

 


 

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Russia’s foreign minister has said that the UK and France are engaged in further fuelling conflict inUkrainewith discussion of a European peacekeeping force putting troops on the ground in the country in the event of a peace deal.


Speaking in Qatar, Sergei Lavrov said that Europe’s approach to the conflict insists on heating it up, rather than cooling it down and looking at the root causes.


He said that the balance of forces had changed in Europe, and that European countries were trying to undermine this with new packages of military aid for Ukraine. Lavrov said that the peacekeeping proposals emanating from London and Paris were a deceit aimed at pumping Ukraine full of more weapons, that would draw Ukraine further into Nato’s sphere and infringe on the rights of Russian-speakers there.


Lavrov also announced there would be a US-Russia meeting in Istanbul on Thursday, and accused European countries of lying when they say that Russia is unwilling to negotiate over Ukraine.






Russia has repeatedly said it would hold talks over the war while also insisting on red lines over territory seizures and future security guarantees that Ukraine has found unacceptable.


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Europe needs a defence fund to help it strengthen its security and increase its deterrence capability, Reuters reports German foreign minister Annalena Baerbock has said.


“It would be an important step to relax the EU’s stability and growth pact so member states can continue to increase their national defence spending,” she said in a statement, adding that this alone would not be sufficient for all countries.


“That is why we need a European defence fund that is up to the challenge,” she added.


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Ukraine’s prime minister Denys Shmyhal has said the US and Ukraine have reached a final agreement by which the US will obtain Ukrainian mineral resources in lieu of payment for military support in its defensive war against Russia.





Shmyhal said the agreement involves the creation of a joint investment fund, stating that there is a provision in it which it says the US supports Ukraine’s efforts to obtain security guarantees to build lasting peace.


He said he expected Ukraine’s government to authorise the deal today.


US president Donald Trump has said he is expecting Volodymyr Zelenskyy to travel to Washington at the end of the week to sign an agreement. Last week Trump called the Ukrainian leader a “dictator”, leading to a breach in transatlantic relations.


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Europe needs a defence fund to help it strengthen its security and increase its deterrence capability, Reuters reports German foreign minister Annalena Baerbock has said.


“It would be an important step to relax the EU’s stability and growth pact so member states can continue to increase their national defence spending,” she said in a statement, adding that this alone would not be sufficient for all countries.


“That is why we need a European defence fund that is up to the challenge,” she added.


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In a message posted to Telegram, Ukraine’s president Volodymyr Zelenskyy has marked 11 years since Russia moved to occupy and then declare Crimea annexed to the Russian Federation, saying “We do not allow Russia to ‘normalise’ the occupation.”


Zelenskyy said:


Today is the day of courage and honesty of all those who did not turn a blind eye to Russia’s occupation of our Crimea. These days, 11 years ago, Russian aggression against Ukraine began with the illegal, vile seizure of Crimea. But the day of 26 February showed that there would be resistance – resistance from Crimea, resistance from all of Ukraine. This day showed that there are and will be people who will not accept lies and will not surrender their homes. We managed to put the issue of Crimea’s liberation back on the world’s agenda. We do not allow Russia to ‘normalise’ the occupation. We continue to fight for the right to a normal life and guarantees of security and sustainable peace for the whole of Ukraine.
















Ponto de situação

A acabar de almoçar desvio o olhar da televisão e tento abstrair do tom do político português excitado com o negócio da China do lítio e foco no umbigo.


Registo: na última sexta-feira tive outra tromboflite na perna esquerda; irritada passei a manhã de segunda-feira retida nos Lusíadas. Sou atendida de forma mais eficiente no SNS do que num hospital a que tenho acesso por subscrever um seguro (há 27 anos) para o qual pago mais de 90 euros mensais. Uma manhã deu para constatar que é pouco mais do que uma central de emprego e uma máquina de fazer dinheiro. Entre as peripécias passadas conseguiram enganar-se no relatório do doppler e trocar a perna esquerda por direita. Se fosse para efeito de cirurgia imediata, quem sabe não me operariam à perna errada. A médica a que fui mostrar o resultado achou que o engano não é grave. Nada é grave neste país. O que é preciso é reivindicar melhores condições de trabalho e salários. Lá terei de decidir se serei seguida nos Lusíadas em cirurgia vascular, ou se vou para o público.


Para desanuviar marquei o último dia de férias ainda por gozar no ano passado. Na próxima segunda-feira. Mais tarde vou marcar o fim-de-semana no parque de campismo. Quem sabe, se me derem a terça-feira de Carnaval de tolerância, não terei quatro dias de descanso.

25/02/2025

Tédio

Ao escrever de rompante gasto matéria-prima para o projecto fora de antena. Antes assim, no caso de não avançar, ficam os lamirés. Já deve dar para o Nobel. Apanho no ar clichés bafientos e lá acabo a cair no criticismo repetitivo. Que fazer se o pasto é tão mais do mesmo? Sempre, sempre, sempre bolorento. O planeta a mudar e as reacções do costume. Os mundinhos primários habituais arvorando-se em sofisticados. Tão cansativo. Morro de tédio.


Quase fico com pena do meu grande objectivo de vida não ser possuir um grande closet em casa. Ou um perfil online com batom vermelho, ou salto alto, ou silhueta a espetar o rabinho.


Estupidinha seria mais feliz.


Tédio, tédio, tédio.


Houvesse arejo de ideias e o mundo seria diferente.

Maturidade

O fascínio pela facilidade e a necessidade de criar relações nas quais se procura quem esteja num patamar de dependência ou menoridade atraente para que que possa ter ascendente é prova de imaturidade, medo, cobardia e falta de inteligência. Quem está bem consigo próprio cria relações de trato em igualdade. Quem tem amor-próprio e é seguro de si não teme relações de igualdade; gosta do desafio.


Uma maçada, isto de ser desmacha prazeres. Sofro tanto ao desagradar aos mundos levianos da felicidade e liberdade postiças. Não é nada sexy ser chata, nada atraente. Que aborrecido.

24/02/2025

23/02/2025

Diário 23 de Fevereiro 2025


Já Trump tornou tudo o mais transparente possível. Assumiu os EUA como potência mercenária. Vende ou não protecção militar mediante pagamento a Taiwan e ao resto do mundo, conforme a conveniência. Putin quer tomar a Ucrânia e pôr a pata no resto da Europa de Leste. Vendido! Toma lá um acordo de paz e fica com o território que quiseres por agora, mais tarde voltamos a negociar. 


Nas duas últimas semanas portei-me mal com o Medium; li muito pouco por cá. A ver se retorno ao ritmo dos últimos meses. Trouxe apenas duas histórias para a Reading List acerca do Romantismo na pintura. O autor do primeiro post explica como os artistas do Romantismo se opuseram à supremacia da Razão do Iluminismo, valorizando a imaginação e a emoção. Mencionou o uso da pintura como expressão de sentimentos reflectida na natureza que deixa de ser mero cenário e passa ela mesma a sublime como algo poderoso e aterrador, no inglês William Turner, ou forma de espelhar a condição humana, no alemão Caspar David Friedrich. A segunda história fala-nos do ucraniano Mykola Kocherzhuk, contemporâneo que mantém vivo o espírito do movimento romântico. Podem seguir o trabalho deste artista, aqui: Mykola Kocherzhuk, contemporary Ukrainian painter | KyivGallery



Estamos precisados de voltar a acreditar na Liberdade e na insurreição contra as convenções e arbitrariedades do poder. É necessário dosear a soberba da razão e o autoritarismo. Nos últimos anos tem sido sexy reduzir a Revolução Francesa ao jacobismo, ao extremismo e aos excessos. Esta visão redutora tem sido muito conveniente à mentalidade emergente dominante ultraconservadora, reaccionária e, às vezes, arruaceira, outras, sonsa. [os intelectuais da treta nesta parte ficam a dissecar se os conceitos de ultraconservador e reccionário são rigorosos, ficam a discutir o sexo dos anjos] São muitos os que rotulam de puritanas e politicamente correctos, além de extremistas, todos quantos defendam módicos de civilidade. É o apelo ao direito a ofender seja por mera diversão seja como jogo de acesso ao poder. Claro que este direito é unidireccional. Só assiste a quem tem a faca e o queijo na mão, aos que que se sabem numa situação privilegiada — são estes os partidários da lei da selva. Criaram as condições perfeitas para o surgimento dos reis da selva, esses selvagens que desfazem os corpos de estados soberanos como se partilhassem repastos à hora de almoço ou jantar na televisão e mundo online. Os jornais televisivos e informação das plataformas online transformaram-se em programas sobre o mundo selvagem da National Geographic. Com igual dose de irracionalidade animalesca.


Em português e fora do Medium li que Bill Gates alerta os jovens para quatro grandes perigos da actualidade. Perdoem-me as imprecisões, mas vou apelar à memória sem ler de novo o artigo. Além do tradicional perigo nuclear, o fundador da Microsoft indica como preocupações o bioterrorismo e as pandemias, o uso malicioso e desregulação da Inteligência Artificial e alterações climáticas. Também em português li Durão Barroso discorrer sobre a necessidade de segurança, união e solidariedade a propósito de um programa de vacinação em países de baixos rendimentos. Não pude deixar de notar que a linguagem usada tem um quê empresarial ou comercial. Fiquei com a pulga atrás da orelha. Logo se verá.


E magico: estamos naquela situação de anestesia face ao globo terrestre que ocorreu no tempo da Covid. Nessa altura assuntos não pandémicos da América o Sul, África e Ásia desapareceram dos radares. Nos últimos meses, saltamos do Médio Oriente para Trump e por decorrência para a Ucrânia e a Rússia, e de novo o apagão do resto do mundo. De quando a quando lá vem uma notícia sobre o terrorismo islâmico em África, a crise política e económica na América do Sul, ou os níveis extremos de poluição na Ásia, ou um pico sobre Taiwan e, pronto, estamos informadíssimos. Mesmo dos países com ligações de sangue a Portugal como Angola e o Brasil, ficamos sempre pela rama. O que sabemos da vida da classe média brasileira? O que sabemos sobre a economia real, sobre as indústrias e empresas? Sobre a habitação, o sistema de saúde e de segurança social brasileiro? O que sabemos sobre os desníveis socio-económicos. E em Angola a mesma coisa. O que sabemos é-nos dado nas viagens de estado com amplas comitivas de gente que vai tratar dos seus interesses empresariais ou de questiúnculas de clã. Sabemos desses países como territórios que potenciam negócios e interesses portugueses, seja na área comercial, tecnológica ou cultural. Nada sabemos dos angolanos e brasileiros e das suas vidas comuns. Reais. A menos que os conheçamos e vamos conversando. Se seguirmos os jornais limitamo-nos às danças étnicas protocolares e ao chamariz sem sumo “cimeiras bilaterais” . Que tal conhecer o teor dos acordos para a ciência, defesa, segurança, energia etc?


Já Trump tornou tudo o mais transparente possível. Assumiu os EUA como potência mercenária. Vende ou não protecção militar mediante pagamento a Taiwan e ao resto do mundo, conforme a conveniência. Putin quer tomar a Ucrânia e pôr a pata no resto da Europa de Leste. Vendido! Toma lá um acordo de paz e fica com o território que quiseres por agora, mais tarde voltamos a negociar. Por agora Trump vai arrancar à nação ucraniana uma porção de terras ricas em minerais raros. Enquanto isso esgana-a financeiramente para que fique entre a espada e a parede e se mantenha ocupada como a Polónia e a França há oitenta anos. Na qualidade de labrego mercenário injuria governantes, estados e nações. É assim o pulha. Sujeita populações inteiras a viver subjugadas ao poder de tiranos. O seu negócio são armas, gás, troca-as também por chips semicondutores e há-de tentar levar as fábricas para os EUA nacionalizando o negócio. É o rei da selva, o suprasumo do bullying. Viva a Liberdade de ofender, agredir, roubar impunemente. Viva a Democracia Pervertida. Viva a violência dos déspotas.


E agora a conversa que parece a muitos coisa de mulher chata, estúpida e desinteressante. Ainda mais do que até agora, imaginem. Básica, dirão as que há pouco aprenderam a dizê-lo. Hoje fomos tomar café ao Froiz enquanto decorria uma visita em casa. O dispensador de senhas não estava a funcionar, a funcionária compôs depois da cliente anterior queixar-se. Tirei a senha e estendi-a à dita perguntando se queria por saber que estava antes de mim, olhou-me e com o ar de maior desprezo disse “não preciso disso”. Sem mais. Assim, à Trump. À labrega. A maneira de estar de muitos e muitas neste mundo, entre eles muitos que defenderam nos anos precedentes o direito a ofender, a injuriar. Todos quantos não têm tempo a perder com salamaleques ou mesmo aqueles que gostam de bullying às claras ou dissimulado. Aos que só sentem a ofensa quando caricaturada ou quando ameaça interesses próprios. Aos agressores da vida real e virtual há anos a fio a divertir-se a destratar e ofender quem não cai no goto ou quem se defende ou contesta agressões.


Não sei porque criticam Trump, especialmente os dissimulados. É o vosso espelho aumentado. A caricatura perfeita de presumidos que confundem educação e elegância com a exclusividade do dinheiro, piroseira e snobismo intelectual. Reflexo dos que mentem, distorcem a realidade e caluniam adversários para fazer eleger amigos. Eis o vosso rei da selva. Viva o direito a ofender.





O dia-a-dia decorre quase sereno, não fossem contratempos que logo se resolverão. Hoje cá esteve o M., mais teimoso ainda do que é habitual. No fim da aula de piano do Nuno, ainda que sabendo as flores não serem de todo a praia do miúdo, levei-o à varanda. Interessou-se pelo tamanho da nespereira nascida de dois caroços que deitei à terra de um vaso pequenino e quase conseguiu fazer festinhas no Ritz. A H. gostou da cor das azáleas e anteviu a exuberância da abertura dos botões das camélias. Ao fim da manhã houve mais uma visita cá a casa, um casal de portuguesa e argentino. Gostaram, mas queriam um +1 maior já que trabalham ambos a partir de casa. Logo darão feedback.





Entretanto falei como o meu afilhado para que me relatasse a viagem ao Japão. Lá me contou dos quatro distritos de Tóquio e do apartamento exíguo no centro, de Hakone e das vistas deslumbrantes do Monte Fuji, de Kioto e da mais ocidentalizada Osaka. Das horas a subir escadas para os belos santuários. Dos cemitérios. Da boa-educação. Dos percalços de numa noite se ver sozinho na rua longe do hotel sem rede no telemóvel e ter de usar a bússola. Enfim, vou ter direito a um íman e fico orgulhosa de não ter um sobrinho presumido. Estamos a salvo dessa praga por mais uma geração.

22/02/2025

Com quantos Trumps se cruzou hoje?

Ou só repara quando o mal se apresenta em caricatura?


Ia escrever um post novo sobre ofensas do nosso dia-a-dia, mas vou deixar o tema para o Diário de mais logo ou de amanhã.


Bom Sábado.

A semente do errante

Transparece o caminho da aprendizagem sem anúncio, andando, amealhando o que parece ninharia a quem vive nas maiorias das postiças singularidades. Estuda e trabalha sem promover e ostentar. Sem aconselhar supostos ignorantes e insurrectos. Testemunha. Vai andando, crescendo e ultrapassando a cegueira e mesquinha soberba de quem alardeia e decide. A glória vã fica parada no tempo, o errante segue desdenhado e com préstimo.

21/02/2025

O terreiro da auto-estima empolada

Cada um afirma-se dizendo o que pensa de modo bem ou mal-intencionado e vai atirando sorrateiramente o lixo que sobeja – a ofensa encapotada nas grandes teses e frases de sabedoria - para a borda do seu pequeno terreiro, não querendo saber do prejuízo causado ao vizinho. Interessa ter razão e impôr razão a pretexto de ser tomado por mais informado, erudito ou moralmente correcto, tão só. E não assumir sequer para si mesmo a própria agressividade escondida. O acumular de resíduos verbais indesejáveis vai criando monte nas fronteiras da propriedade de cada opinador, até que começa a resvalar para a propriedade do vizinho, poluindo-a. Assim se constrói um aterro sanitário da ofensa a céu aberto no espaço comum, com perversão da liberdade de expressão.


Antes a crueza às claras.

Lido

Jornal de Notícias


 




Vários cabos de comunicação foram danificados nos últimos meses no Báltico, motivando investigações na Suécia, Finlândia, Lituânia e Letónia.


As suspeitas são dirigidas à chamada "frota-sombra russa", composta por navios que a Rússia utiliza para contornar as sanções ocidentais às suas exportações de petróleo devido à invasão da Ucrânia.



 





O Ministério da Defesa australiano tem estado a acompanhar os navios da marinha chinesa - uma fragata, um cruzador e um navio-tanque de reabastecimento - desde que foram avistados em águas internacionais na semana passada.







 



 






[o estudo não incluiu o português entre as línguas testadas]

 


 

 

The Guardian

 

 




European Commissioner for tech, security and democracy Henna Virkkunen says the bloc ”will not accept” actions or other disruptions seeking to sow confusion.


“It is a great concern to see the number of incidents over recent months on our critical undersea infrastructure. These incidents have been have potential to disrupt vital services to our society, such as connectivity and electricity transmission and also carry a significant security risk,” she warns.


She says the EU’s Cable Security Action Plan, adopted today, is “not only for the Baltic Sea area, but a truly European level initiative.”


It focuses on preventing incidents with new, coordinated risk assessment framework and investment in new cables to “increase our resilience.,” as well as increased monitoring.


A new Baltic sea hub will be established to “detect incidents, ideally before they occur.”


 





The last time Trump was president he was relatively popular in Taiwan, seen as a strong foil to China’s threats of annexation.


During that first term, approvals of US weapons sales to Taiwan soared, US navy movements in the Taiwan Strait increased, and Trump broke with convention to accept a phone call from Taiwan’s then-president Tsai Ing-wen, lending legitimacy to her administration.


But Trump’s return has brought a global shake-up, from the shuttering of USAid and negotiating with Russia over Ukraine, to talk about annexing Greenland and Canada, and taking control of Gaza for “redevelopment”. His messaging about support for Taipei has been mixed at best, and the island is on edge. A withdrawal of American support here would spark an existential crisis.


“The Trump administration has already demonstrated that it is willing to suddenly and without warning break from decades of bipartisan US policy on China,” says Bethany Allen, head of China investigations and analysis at ASPI.


“[It] is signalling that it is excising liberal democratic values from its foreign policy calculations – opening up the possibility that US support for Taiwan may become divorced from any inherent value ascribed to Taiwan as a democracy worth preserving for its own sake.”


China has long threatened to invade and annex Taiwan if it refused to peacefully accept “reunification” with the mainland. A military modernisation campaign driven by China’s leader, Xi Jinping, is bringing Beijing closer to being able to follow through.


Support from the US, Taiwan’s biggest backer, is considered crucial for the island’s survival. While the US officially refuses to say if it would militarily defend Taiwan against a Chinese attack, former president Joe Biden said repeatedly that under his leadership they probably would. The US sells Taiwan billions of dollars in weapons under legal obligations to provide it with defensive means and uses its military and foreign policy to support the peaceful “status quo” in the Taiwan Strait.


But Trump is now questioning the worth of the US’s support and floated the idea of charging Taiwan for protection. He’s accused Taiwan of “stealing” the US’s semiconductor business, and railed against trading partners – including Taiwan – having surpluses against the US. He has threatened or imposed steep and sweeping tariffs.


[...]


Semiconductors power everything from phones to cars and large weapons systems, and many analysts believe a large part of Taiwan’s protection strategy comes from keeping production of its most advanced chips – which form 90% of the world’s supply – onshore.


This week Trump announced tariffs would start at 25% across the whole sector (without specifying Taiwan) and rise from there. It’s not clear exactly how they would be applied.


Trump’s team has also reportedly urged chip-making giant TSMC to enter into an unspecified partnership with Intel’s factories. It all appears linked to Trump’s belief that Taiwan “stole US” chip tech, and what Mark Williams, the chief Asia economist at Capital Economics, says is a “gradual shift under way to rebuild chip-making capacity in the US”.


Taiwan’s major semiconductor manufacturers, including TSMC, declined to comment.





20/02/2025

Paciência de chinês

Senta-se no tapete turco no chão de pernas cruzadas e ouve e lê os primeiros laivos das constantes lições que os contemporâneos expelem a todo o instante sem pudor. Cercada de sábios conselheiros das frases feitas a quem dão megafone e a quem há muito aprendeu a ignorar salvo situações pontuais em que deixa escapar um lamiré para os deixar condicionados por semanas, cheios de vontade de argumentar e entrar em joguinhos infantis atirando e apanhando canas argumentativas para regozijo do ego. De tão amestrados quando espicaçados não compreendem o que dizem e escrevem pelo próprio punho, muito menos o que ouvem e lêem. Dopam-se na retórica, no argumento e na mania de reduzir tudo à exígua concepção do seu mundinho replicativo e assim morrerão ressentidos e orgulhosos sem perceber peva do que de relevante é dito. Assim vai o mundo dos ilustres iluminados e seus apaniguados e seguidores.

19/02/2025

Sonhos

Esta semana voltei a deitar-me muito cedo, o que faz maravilhas pela boa-disposição matinal e ao longo do dia. Durante a jornada de trabalho dou por mim a desejar que chegue a hora do aconchego de deitar e dormir no mimo da famelga, isto é, com Nuno e Ritz. Como sempre acontece quando durmo a horas saudáveis, lembro dos sonhos ao acordar.


Recordo as imagens: além de pratos com arroz branco empapado, dois assaltos a casa. O primeiro não tem muito que se lhe diga, claro que já fui ver os significados nas páginas de psicanálise e esoterismo. Os dos roubos em casa são sonhos que tenho pontualmente desde miúda e habituei-me a apreciar as variações ao longo do tempo. É curiosa esta preocupação de segurança em mim que quando vivia sozinha num rés-do-chão, mantinha as janelas abertas dia e noite o ano inteiro. Cheguei ao cúmulo de acordar uma manhã e ver a porta do apartamento aberta por me ter esquecido de a fechar numa entrega de compras do supermercado. Em suma, acordada os roubos e assaltos não são uma preocupação. Já em sonhos o caso muda de figura.


No primeiro sonho de assalto de casa, ia a entrar e o ladrão a sair. Estávamos numa ruela estreita sem espaço para carros, qualquer coisa entre ilha portuense, musseque angolano e favela brasileira, cheia de gente a andar sem qualquer preocupação com o que estava a acontecer. A nossa casa era um dos muitos barracões, mas de cimento. O ladrão levava uma chave tubular na mão, que seria a nossa, fiz gesto para ma dar, exigi que restituísse o que havia tirado e perguntei pelo Nuno que estaria dentro de casa, era o que me preocupava.


No segundo era o actual apartamento e vi a porta aberta para trás e a casa completamente vazia. Vi o ladrão, fiz um gesto apontando a porta e disse rua. Mas o tipo não me ligou peva e continuou à procura de nada espreitando todas as divisões vazias. Sei que gritei porque o Nuno pôs-me a mão e avisou que estava a ter um pesadelo. Dada a sensação de não ouvirmos a nossa voz em sonhos fiquei a pensar se somos mudos ou surdos no mundo onírico, concluí por surdos, já que o Nuno ouviu o grito.


Chego à conclusão que nos sonhos aprendi a portar-me como uma mestre-escola, ralho com os ladrões como meninos pequenos. Suponho que seja o efeito de ter assentado na casa dos cinquenta. Nos sonhos porto-me assim e na vida real já converso à vontade com lojistas e outros desconhecidos. Se não me ponho a pau perco toda a reserva e vergonha que tinha em novita e começo a dar conselhos a desconhecidos: faça assim na cozinha, faça assado em viagem, compre isto, leia isto, não vista aquilo, comporte-se assim e assado. Seria o grau zero. Talvez quando ficar senil. Lá chegarei. Tudo muda, desde começar a adorar deitar e acordar cedo para galhofar em família até rezingar com ladrões nos sonhos.


Já há muito não contava sonhos nas Comezinhas. Vejamos se pega moda outra vez. Oh, que horror, "pega moda", a linguagem vulgar. Ai o mindinho esticado. Devia dizer: faz escola.

18/02/2025

Esquissos

O mundo tal como o conhecemos está a ruir, mas de modo egoísta no momento o que incomoda é que me faltem duas personagens para completar a dúzia do projecto Pretexto. Não percebo: com tanto modelo a desfilar na passerelle pronto a saltar para o retrato? O meu corta e cose de esquissos é como as Obras de Santa Engrácia. Lento. Muito lento.


Não é que o enclave do Espanador no Pretexto vai ficar apenas por Portugal? Depois vou ter de engendrar novo Pretexto para espanar outros países europeus, conforme ideia inicial de há três anos. Lenta. Muito lenta a começar a pôr mãos à obra.


Não gosto da palavra projecto, contudo fica assim. Plano pareceria premeditação e tem saído tudo ao sabor dos dias e ânimo. Tudo? Como se houvesse mais do que breves esboços. Mania das grandezas, é o que é.


Oiço Katie Melua para anestesiar enquanto penso: será que vai dar um resultado rafeiro? Às tantas. O que interessa é ir escrevendo, com as consequências logo lidarei no final - haja o que ler e desdenhar, ao menos isso. Nunca fiquei totalmente convencida com nada que criei, apesar de contente com terminar, pelo que tudo está normal e tranquilo. É um entretém, como as plantas da varanda sem aquela imagem perfeita e artificial tão apreciada.


A ver se tiro um dia de férias e faço um fim-de-semana alargado no parque de campismo para desempoeirar as ideias. Estou a precisar de verde para desenjoar. Talvez em Março.

Recapitulando um post de Janeiro de 2023

Ainda não estamos num regime autoritário de Direita em Portugal, porém o cenário internacional já é de favorecimento de déspotas apoiados nas redes sociais e plataformas online por lambe-botas instalados nos interesses e trocas de favor habituados à sujeira da heteromínia virtual destinada à gatunagem, ofensa e violação dos direitos e dignidade alheios intercalada com a cara destapada. Escroques que vão fazendo a cabeça da opinião pública com retórica tosca (a fazer-se de bem intencionada pela paz) pró Putin e pró Trump. Aqui mesmo na SapoBlogs já os vemos impantes a deitar as garras de fora, com a complacência, complacência não, com o estímulo e elogio da plataforma que os alterna com destaques inócuos para dar um ar fofinho à coisa. Tudo antevisto nas Comezinhas.


Recapitulo em seguida um post de Janeiro de 2023.


*


Cenários


Isabel Paulos, 29.01.23


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Imaginando que daqui a dez anos estamos sob a pata de um regime autoritário de Direita, é-de pensar que será feito da vozearia uníssona dos democratas de ocasião que domina a comunicação social, as empresas, editoras e consultoras de divulgação de propaganda política e cultural, os blogues e redes sociais vips. Enfim, os marketers da política e cultura. Naturalmente, a maioria destes orientadores de mentalidade não arredará pé dos seus postos privilegiados. Adequará outrossim, e como é habitual em Portugal, o discurso à situação para se manter na mó de cima com o regime que vigorar. Com oportunismo usará a mesmíssima retórica para defesa de tudo quanto hoje diz detestar. O móbil é o poder e não os princípios. O conhecimento - em rigor, mais parco do que a aparente vastidão dos catálogos debitados e rendilhado da narrativa - é posto ao serviço de interesses egoístas, pessoais e de clã.


Assim que caísse o regime autoritário de Direita - que não creio venha sequer a vingar, ou pelo menos assim tenho esperança, apesar de tudo depender da evolução da guerra e conflitos que se avizinham e dos ajustes e desajustes de poder das principais forças e agentes internacionais -, a mole de gente que domina a opinião em Portugal construiria uma história de incontestáveis factos de resistência aos anos de ditadura que comoveria as pedras da calçada, para se alçar de novo a paladina da Democracia. Enalteceria de novo o pluralismo de opinião, que às suas mãos se reduz a mecanismos de manipulação do pensamento, assim se perpectuando no poder fáctico seja qual for a circunstância, seja quem vingue no aparelho de Estado. E assim se faz a História que não vem nos manuais. 


Só banalidades. Só bitaites comezinhos. Neste espaço não se passa disto, não se aprende nada. Aliás, aqui é só atoardas. Nada que interesse a iluminados. Ide procurar substância, rigor e erudição noutro lado. Andor.



17/02/2025

O Cristiano Ronaldo do beatério

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A coqueluche da elite nacional. Unânime. Ai de quem questione o ai-jesus: futuro Papa. A concretização de uma ambição. Madeira em grande de novo. Com ambição pessoal e boas relações tudo é possível.


*


Pronto, hoje fico por aqui. Uma canseira. Já devo ser provocado ódio e pragas suficientes com a sucessão de postais. Continuem a brincar às creches da opinião.


O menino/menina com mais visitas e gostos vai para o quadro de honra. Dê ao rabo, menino(a). Isso. Muito bem.

Pinto da Costa chegou ao céu, e meteu logo uma cunha

Não resisti à piada. De mau gosto, dirão os fanáticos.


Até o imagino: Deus, fraquinho, só para assustar.


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Jornal Público.

Sem comentários

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Jornal Público.

O justiceiros

Os justiceiros dos antolhos, que todos os dias se insurgem contra supostas iniquidades, só respeitam e apoiam as reivindicações justas e actos de coragem que encham os seus bolsos, protagonismo e vaidade. Caso contrário, sentem-nos como deploráveis velhacarias. É o umbigo dos rufias cobardes e oportunistas. Fazem o trabalho sujo e a felicidade dos dissimulados instalados no poder e dos que vivem à sombra dele lucrando pela calada com privilégios alcançados sem trabalho, esforço e talento. Muita garganta para injuriar e nenhum talento para criar e melhorar a vida do país como um todo. 

16/02/2025

Aproveitar a manhã de fim-de-semana

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Diário 16 de Fevereiro 2025

Tudo relevantíssimo para os destinos da humanidade, como se pode ver. Só não continuo a descrever o resto da semana por já não me lembrar do que se passou.


Esta semana não vou aproveitar o diário habitual para contar o que li aqui no Medium. Ainda não sei o que virá nas próximas linhas, talvez me restrinja ao quotidiano. Logo se vê.


Começo pela morte de Pinto da Costa, deixando novamente uma palavra: obrigada. E talvez outra só por afinidade de desalinho: antes de saber da notícia, encomendei arroz de polvo para o jantar. E quando liguei o jornal pensei: curioso, o polvo une momentos do desaparecimento de grandes figuras. A última vez que coincidi numa refeição de polvo com uma notícia de peso foi na morte da rainha Isabel II. Faz sentido, mas os tontos esbracejam por aí. É deixá-los, logo arranjam outro motivo de entretém para produzir baboseiras sentenciosas.


Hoje esteve cá um casal americano a ver a casa. A primeira visita. Entregámos a chave ao agente imobiliário e só regressámos quando a visita terminou. Sempre achei que fazia sentido a prática australiana: não é bom juntar vendedor e potencial comprador nas visitas. Ficaram encantados com o chão, mas acharam a casa pequena. Pudera. Têm três filhos. Quando entrei neste apartamento pela primeira vez em 2018 também me cativou o chão da casa e a cozinha e torci o nariz à exiguidade da sala — tem sido bastante para o dia-a-dia de dois.




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À falta de casas com jardim no mercado dentro das nossas possibilidades, fomos visitar um apartamento na Boavista. Como direi? Quando entrei no nosso apartamento, estava remodelado e até hoje acho bonito e alegre. Não senti isso no que fomos ver. É uma casa marcadamente antiga (de 1973, grande ano), um tanto desleixada, com modernizações pontuais de algumas divisões e barulhenta apesar das janelas duplas, ou não desse para uma zona muito movimentada da cidade. Tem a vantagem, além de sala com dimensão normal (ao contrário da nossa que é mini), da localização muito valorizada, mas não sei não. Poderia funcionar como um passo prévio à moradia, porém não sei se me apetece o trabalho de mudança e de arranjos necessários.




Entretanto soube que ainda não assinaram o contrato-promessa da moradia do Covelo. A tal do mini jardim apetitoso. Brinquei com o agente imobiliário desejando que o negócio não se concretizasse. Afinal, enquanto não acontecer há esperança. Furada, diz o bom senso.


Logo pela manhã esteve cá o M. e hoje a novidade foi o Nuno convidar a H., a jovem voluntária que o acompanha, a sentar-se ao piano enquanto o pequeno fica na workstation. Uma forma de estimular o M. e de tornar menos enfadonho à H. o tempo que cá passa. Para não variar o Ritz foi buscar o rato brinquedo para o pôr à porta do escritório, como quem diz: e a mim?, ninguém liga? [Ao longe sinto o zumbido. Ai credo, até as tolices do gato conta, e sem aquelas pseudo-intelectualidades que apreciamos acerca das supostas características dos felinos. Além de mais que falta de educação: nivelar crianças e animais. Que falta de noção das hierarquias de valores.]


Tudo relevantíssimo para os destinos da humanidade, como se pode ver. Só não continuo a descrever o resto da semana por já não me lembrar do que se passou. Sei que voltei a ler o Jornal de Notícias, depois de algum tempo distraída do facto de ser assinante. Fui espreitando outros poisos de informação, mas para ser verdadeira esta não foi uma semana de grandes leituras.


Agora noto o cérebro cansado e confirmo que precisa repouso ao rever as linhas anteriores pejadas de gralhas. Não vou prolongar. Fica por aqui mesmo, sem pintura, sem política, sem reflexões, só o trivial. A vida como ela é. O comezinho alegadamente fruto de egocentrismo que cansa os intelectuais de pacotilha se não for produzido pelos apaniguados presumidos que fogem a mostrar a vida como ela é para exibir o que queriam que os outros acreditassem que fosse, tendendo à leviandade e manipulação da realidade. Conteúdos tidos no futuro pelos distraídos por alegados testemunhos do tempo quando não passam de frivolidades e efabulações. A história a repetir-se.