Este post deveria estar em branco como aquelas manobras publicitárias de humor de livro em branco. Cada leitor preencheria com o que quisesse: uma vacuidade daquelas muito queridas e fabricadas de alegada simplicidade e gratidão para meter os leitores no coração, ou umas palavras rebuscadas justapostas para tentar descrever supostos estados de alma densos e profundos, efabulados para impressionar papalvos, ou uma crítica cobarde à arte dos espíritos contestatários que incomodam a tendência dominante ultraconservadora que vai sorrateiramente atingindo as plataformas online, ou qualquer coisa que divida as hostes em partidos para entreter a aparência de opinião livre, ou uma resenha do livro de Agustina Bessa-Luís, assim nomeado, com os lugares-comuns retirados das várias recensões online ao dispor de todos aqueles que replicam ilustração exibindo-se muito lidos.
Deveria estar em branco, mas não está. O post é apenas mais um com teor agreste que me dá prazer (uma canseira), tanto mais quanto mal-amado dos promotores de audiências sempre alinhados com as prepotências do mundo e do lado do pensamento que tende a dominante e déspota ainda que encapotado. É uma forma como outra qualquer de fazer realçar o vosso manso e conivente troféu de vencedores. Tomem. É todo vosso. Clap. Clap. Vénia.