O que queremos, o que nos importa varia muito com a passagem do tempo. Quantos sonhos e desinteresses numa só vida.
Quantos anseios de um par de anos passam à absoluta indiferença noutra fase da vida e vice-versa.
O nosso cérebro é uma máquina prodigiosa e volúvel, bastante peculiar.
No mesmo registo quantas preocupações e motivos de sofrimento evaporam por milagre, e só a memória que parece longínqua permite-nos compreender como fomos tolhidos na nossa paz e deixamos de ser.
É usual pensar que o que nos dá carácter é o que permanece imutável ao longo dos anos, como a perseverança na vida. Como se a volatilidade fosse uma menoridade, quando é ela que mais discernimento traz ao mundo.