Esta semana não vou aproveitar o diário habitual para contar o que li aqui no Medium. Ainda não sei o que virá nas próximas linhas, talvez me restrinja ao quotidiano. Logo se vê.
Começo pela morte de Pinto da Costa, deixando novamente uma palavra: obrigada. E talvez outra só por afinidade de desalinho: antes de saber da notícia, encomendei arroz de polvo para o jantar. E quando liguei o jornal pensei: curioso, o polvo une momentos do desaparecimento de grandes figuras. A última vez que coincidi numa refeição de polvo com uma notícia de peso foi na morte da rainha Isabel II. Faz sentido, mas os tontos esbracejam por aí. É deixá-los, logo arranjam outro motivo de entretém para produzir baboseiras sentenciosas.
Hoje esteve cá um casal americano a ver a casa. A primeira visita. Entregámos a chave ao agente imobiliário e só regressámos quando a visita terminou. Sempre achei que fazia sentido a prática australiana: não é bom juntar vendedor e potencial comprador nas visitas. Ficaram encantados com o chão, mas acharam a casa pequena. Pudera. Têm três filhos. Quando entrei neste apartamento pela primeira vez em 2018 também me cativou o chão da casa e a cozinha e torci o nariz à exiguidade da sala — tem sido bastante para o dia-a-dia de dois.

À falta de casas com jardim no mercado dentro das nossas possibilidades, fomos visitar um apartamento na Boavista. Como direi? Quando entrei no nosso apartamento, estava remodelado e até hoje acho bonito e alegre. Não senti isso no que fomos ver. É uma casa marcadamente antiga (de 1973, grande ano), um tanto desleixada, com modernizações pontuais de algumas divisões e barulhenta apesar das janelas duplas, ou não desse para uma zona muito movimentada da cidade. Tem a vantagem, além de sala com dimensão normal (ao contrário da nossa que é mini), da localização muito valorizada, mas não sei não. Poderia funcionar como um passo prévio à moradia, porém não sei se me apetece o trabalho de mudança e de arranjos necessários.
Entretanto soube que ainda não assinaram o contrato-promessa da moradia do Covelo. A tal do mini jardim apetitoso. Brinquei com o agente imobiliário desejando que o negócio não se concretizasse. Afinal, enquanto não acontecer há esperança. Furada, diz o bom senso.
Logo pela manhã esteve cá o M. e hoje a novidade foi o Nuno convidar a H., a jovem voluntária que o acompanha, a sentar-se ao piano enquanto o pequeno fica na workstation. Uma forma de estimular o M. e de tornar menos enfadonho à H. o tempo que cá passa. Para não variar o Ritz foi buscar o rato brinquedo para o pôr à porta do escritório, como quem diz: e a mim?, ninguém liga? [Ao longe sinto o zumbido. Ai credo, até as tolices do gato conta, e sem aquelas pseudo-intelectualidades que apreciamos acerca das supostas características dos felinos. Além de mais que falta de educação: nivelar crianças e animais. Que falta de noção das hierarquias de valores.]
Tudo relevantíssimo para os destinos da humanidade, como se pode ver. Só não continuo a descrever o resto da semana por já não me lembrar do que se passou. Sei que voltei a ler o Jornal de Notícias, depois de algum tempo distraída do facto de ser assinante. Fui espreitando outros poisos de informação, mas para ser verdadeira esta não foi uma semana de grandes leituras.
Agora noto o cérebro cansado e confirmo que precisa repouso ao rever as linhas anteriores pejadas de gralhas. Não vou prolongar. Fica por aqui mesmo, sem pintura, sem política, sem reflexões, só o trivial. A vida como ela é. O comezinho alegadamente fruto de egocentrismo que cansa os intelectuais de pacotilha se não for produzido pelos apaniguados presumidos que fogem a mostrar a vida como ela é para exibir o que queriam que os outros acreditassem que fosse, tendendo à leviandade e manipulação da realidade. Conteúdos tidos no futuro pelos distraídos por alegados testemunhos do tempo quando não passam de frivolidades e efabulações. A história a repetir-se.