Numa praia o cão de uma amiga (que no real não tem cão nem gato) fareja uns pequenos tubinhos amarelos colocados na vertical entre as algas ressequidas na areia. Ela assusta-se, diz-me que há uma norma europeia a regular “aquelas coisas” e que ainda por cima não tem seguro por estar mal de finanças. Descanso-a: o cão não roeu nada, está tudo bem. Começo a ouvir burburinho e olho para o mar, vejo o mar muito calmo, na água translúcida várias pessoas de pé outras a nadar, mais afastada está uma rapariga que nada debaixo de água. Percebo que o burburinho é sobre ela: dizem que se está a afogar. Hesito, mas fico tranquila quando percebo pelos movimentos do corpo que não demonstra estar aflita. Várias pessoas acorrem para salvá-la, começam a nadar na sua direcção. Mas não se aproximam do local exacto. Olho para lá e penso que o movimento que fazem ao nadar turva a água e de perto não a conseguem ver. Continuo a vê-la tranquila a nadar e tranquila fico. As pessoas no areal começam a dar sinal gritando para o mar a posição exacta. Na areia faço festinhas a um cão de médio porte muito meigo. Aproxima-se outro pequenino também meigo. Continuo na mimalhice aos dois. Tudo sereno.