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06/09/2021

Caminho

Desde que vim para a SapoBlogs muito aconteceu.


Para lá da natural e desejável indiferença, não conhecendo ninguém de início e passando a ter consideração ou mesmo amizade por algumas pessoas, fui muito bem recebida. Se não estou enganada as Comezinhas têm cerca de uma dúzia de leitores regulares e isso deixa-me (com toda a franqueza) muito contente. Sinto-me aconchegada e é assim mesmo que gosto de me sentir. É como se estendesse um pouco a camilha de Valinhas – não muito, para não estragar – e continuasse as conversas de uma vida. Mais uma vez informo que apesar de não haver caixa de comentários, existe uma caixa anónima de mensagens que podem usar conforme preferirem – apenas recordo que se quiserem que saiba quem são, me deixem o nome: por definição a caixa de mensagens não identifica o autor.


Desconheço por completo a razão de haver espaços onde tive os comentários automaticamente autorizados, tanto quanto o facto deixarem de o ser, passando a ser moderados. Não questiono a razão por considerar que quem tem uma casa tem todo o direito a impor as regras de acesso e as visitas a entrarem ou não e a comportarem-se conforme a sua consciência. Nas Comezinhas nem sequer autorizo comentários públicos, pelo que compreendo todos os cuidados.


Desconheço a razão para “ser seguida” e “deixar de ser seguida”. Posso adivinhar que não sendo particularmente amistosa nem dada a corações e estrelinhas fofinhos que compram simpatias, não colha  muito amor junto de certas hostes. Por outro lado, cortar a direito ao falar de islâmicos, de políticos alegadamente inquestionáveis, da presunção dos intelectuais, ao não perfilar nas falsas vaidades dos dedos em riste - injustificados e incoerentes, por falta de espelho - contra os erros de educação, de mera etiqueta, de táctica política, de gramática,  de falta de leitura, de ignorância, ou ao não alinhar em barricadas - nem pelo lado das bandeirinhas identitárias nem pelo do cinismo que nega despudoradamente a existência de injustiças para perpetuar relações desiguais de poder - não torna as Comezinhas um lugar apetecível. Mais do que tudo, ser assumidamente chata e moralista num tempo em que se graceja e moteja para granjear clientela e está na moda fazer de conta – através de retórica bem dissimulada - que não se tem discurso e agenda moralizadora, é contraproducente para ser popular. Por fim, ser bastante egocêntrica também.


Sucede que me sinto em casa não sendo popular. Sinto-me bem, coerente (comigo própria, passe a redundância) e contente com as Comezinhas. Tudo bate certo.


Com isto quero agradecer as visitas aos leitores. Mas também e especialmente quero dizer obrigada a quem “deixa de seguir” ou corta, por desta forma me mostrar que é mesmo assim que devo continuar e que tudo está no caminho certo.