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25/09/2021

Dia de reflexão

Há pessoas que gostam da ideia do Dia de Reflexão: são sobretudo as que não apreciam debater assuntos políticos nem que se fale de política. São, aliás, as que não votam. Este é o seu dia de recreio. Livres dos discursos, das entrevistas, das arruadas, das bandeiras. Compreendo-os. Lembro-me de conhecer várias pessoas que se gabavam de não votar e que consideravam tontos os que ainda se dignavam ir às urnas. Na sua perspectiva o voto serviria para caucionar o sistema. Sucede que não se apercebem como não votando abonam e legitimam ainda mais quem está instalado há anos, com todos os vícios resultantes da falta de escrutínio pela palavra e acção. É importante premiar ou denunciar quem administra os interesses de todos. Estar a marimbar-se para a política é sem dúvida uma possibilidade nos sistemas em que não há, felizmente, voto obrigatório, mas convenhamos que é na maioria dos casos uma irresponsabilidade e um absoluto tiro no pé considerar que se penaliza os políticos não indo votar – quanto pior são mais esfregam as mãos com a abstenção.


Hoje não me era difícil obedecer à Comissão Nacional de Eleições. Acordei sem vontade de política e se já decidi que voto PSD - Vladimiro Feliz - para a Câmara Municipal do Porto, é indiferente que isso seja expresso num postal de hoje, como num de há dois dias ainda acessível na página principal das Comezinhas. Passei pelo Observador sem grande interesse e fiquei a imaginar o trabalho nas redacções dos jornais a retirarem notícias para que não sejam alvo de denúncias e multas. Ridículo.


Sucede que me parece importante dizer que o país precisa de mudança e sendo Lisboa a capital quer queiramos quer não é o palco principal nestas eleições - preferia que a nação fosse mais civilizada e não tratasse o resto do território como um conjunto de caprichos ou curiosidades de menor importância que se aguentam a contragosto de 4 em 4 anos nas autárquicas. De qualquer modo, por todos os erros cometidos pelo actual executivo de Lisboa e pelas provas dadas de competência por Carlos Moedas nos vários cargos que foi ocupando, pela herança de logro que representa o actual executivo – à semelhança do Governo nacional - é lá que se joga a possibilidade de começar essa mudança no país. Votando em Carlos Moedas.