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26/06/2025

Mundo podre

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(re-actualizado)


Aqui a via não é reservada a aderentes. É livre mesmo. Todos passam. Poucos compreendem. Muito menos gostam. Não há espaço a apelos vãos à liberdade de trazer por casa. A liberdade que dá jeito ao negócio de rufias e privilegiados. Marimbo na lógica da coerência das vendas. Não busco o bonitinho para agradar a quem gosta de enunciar bons sentimentos e virtudes sem prática condicente. Quem valoriza e promove a escória presumida tem muito por onde se espraiar, escusa de perder tempo com as Comezinhas.


O que me passa pela cabeça?


O que de melhor aconteceu nos últimos dias não posso contar. Mais um mês e talvez dê nota retroactiva. Vidas que importam, as que mais importam, a compor-se.


Incómodos? Para acompanhar sapatilhas três pares de meias pezinho rotas no calcanhar em menos de duas semanas e dois pares de sandálias rompidas. Deve ter sido praga dirigida aos pés. Irrita pensar no preço do calçado e no pouco que dura. É o mundo fajuto que temos. De sapatos, de gente, de opinadores influentes. Lutarei. Irei ao sapateiro (há cada vez menos) e farei o artigo ordinário cumprir a obrigação de servir o propósito para que foi concebido.


Os sonhos de hoje impressionaram-me. Muitas crianças segurando-se a resguardos de metal de mobiliário urbano levadas por ventos fortes, chuvas torrenciais e mar revolto. E uma espécie híbrida de melão e melancia apodrecida em bolores - estranho e doentio aspecto da polpa sentido como oráculo que prediz o futuro. Nada de novo. Só espelho onírico das angústias na antecâmara da guerra global já começada e vivenciada nos múltiplos conflitos regionais.


O ridículo das lições virtuosas disfarçadas de defesa da democracia. O ardil no aconchegar-se aos rufias e à lei da selva de quem ao longo dos anos foi sempre defendendo e bajulando agressores. A anedota: esta mesma gente estúpida - presumida e sobranceira - com a máxima desfaçatez fazendo apelo inocente à virtude da modéstia. Só de gargalhada. Contorcionismo de carácter com muita audiência. Há dois mil anos estariam no Coliseu a divertir-se com o sacrifício dos cristãos atirados aos leões – ai a ignorante, é mito, é mito. Hoje estão na manada das grandes audiências do espaço público, especialmente na internet, a divertir-se à custa da calúnia e da injúria, fomentando-a, alimentando-a. Um negócio gerando múltiplos protagonistas – senhorinhos e senhorinhas pirosos - contentes consigo próprios e com o seu próspero negócio da intriga e maledicência à custa dos instintos animalescos da marabunta, indecisa em consumir informação sensacionalista de crimes macabros, escândalos e indignações, mexericos da bola, lavar de roupa suja ideológico, falsa erudição imbecilizante  ou disputas de vedetas. O pretexto? A defesa da democracia e da liberdade de opinião, a superior inteligência e as melhores virtudes de carácter. Lata não lhes falta, não haja dúvida. Às sábias e aos sábios do tanque da roupa suja. Promoção e audiência não lhes falta.


Há uma diferença abissal entre defender o que se acredita criticando más condutas sem nomear e viver à custa da maledicência e do bom nome alheio.


E é mais ou menos isto. Gostava muito de escrever frases fofinhas, ou muito coerentes e respeitáveis. Mas falta-me o MBA em lábia de intrujona. Desculpem qualquer coisinha.


20250626_092006


A primeira imagem foi gerada pelo ChatGPT a meu pedido - foi o que pude arranjar. A outra é desta manhã no elevador que subo e desço todos os dias. Rotinas.