Levanto-me à hora costumeira e entro na rotina diária. Hoje a consciência traz-me ao pensamento os campos de refugiados. Por simples associação. O privilégio de uma cama confortável, com colchão e roupa lavada, torneiras que deitam água potável, uma máquina de café e cápsulas com fartura, uma casa de banho livre e limpa, a medicação alinhada num dispensador semanal. A companhia de um marido que descansa tranquilo e não teme pela vida a cada instante, um gato carinhoso e brincalhão a pedir ração que nunca falta. Luxos. Calhou assim, ter nascido numa família do lado certo do mundo, no país tranquilo que é hoje, numa vida confortável. Calhou. Podia ter-me calhado gritar e esticar o braço com uma bacia de plástico vazia pedindo comida para sobreviver. Acordar numa tenda e não vislumbrar uma casa de banho. Não ter paz nem lençóis para dormir. Viver aterrada, com medo, frio, calor e desesperança. Hoje acordei consciente.
Boa semana, restantes felizardos.