Pesquisar neste blogue

14/06/2025

Os planos para o fim-de-semana

(actualizado)


São quase nove e meia da manhã. Daqui a meia hora abrirei a porta ao M. e seguirei  de ouvido e à distância a cumplicidade da dedicação à música. Segue-se um fim-de-semana banal, sem saídas a parques o zonas comerciais. Na previsão de ficarmos muito fechados, talvez desafie o Nuno ainda esta manhã a andar a pé um pouco, só para desempená-lo e dar continuidade ao meu hábito diário das caminhadas. Virá um almoço singelo. Depois as compras online no Continente, que aqui várias vezes postei no passado para estranheza de transeuntes pouco habituados à valorização da verdade comezinha. Entediam-se muito e desprezam a banalidade do supermercado. Apreciam mais o mostruário intelectual de algibeira - precisam dele como de pão para a boca para dar ar de evoluído - e o lifestyle das modas - entretém. Por volta das três virá a minha mãe para a conversa boa e leitura do Brás Cubas ao Nuno. Sim, ainda dura; lêem um terço do tempo e conversam os outros dois terços, o que é sinal de uma saúde mental e alegria invejáveis - o bom destas leituras a dois, que faço há 15 anos e a minha mãe há sete. Comecei com Saramago e a minha mãe com livros de divulgação de conhecimento de Física.


Tentarei não dormir esta tarde de forma a acabar com o vício de fim-de-semana que dá cabo dos meus inícios de tarde durante a semana de trabalho. Cada vez me custa mais trabalhar de tarde. De manhã acordo muito bem-disposta. Cheia de energia. Brinco, rio em casa com o Nuno e o Ritz. Desço e faço o caminho até à empresa alegre. Trabalhar de manhã é um gosto. Tudo flui bem. À tarde acabam-se as pilhas.


Mais tarde escreverei o diário habitual que já vai fanado, afinal estes parágrafos já podiam fazer parte. Após ler as notícias talvez escreva um segundo post de fim-de-semana. Creio que falhei das últimas vezes que previ escrever sobre o mundo. Não me preocupa muito. Porém não deixa de ser verdade que tenho preocupação com o que me rodeia, apesar dos julgamentos levianos verem as Comezinhas como um antro de narcisismo e egocentrismo e nada mais do que isso. Nada do que é subtil é percebido por gente habituada a condenações sumárias, aos catálogos e aos conteúdos convencionais. Sobretudo precisam do carimbo de aceite e rótulo de recomendado para considerar. Não são capazes de formar opinião senão encostados nas referências e no fogo-de-artifício das pseudo-amizades. Nem percebem a influência senão a que grita desbragada ou a que murmura falsa disfarçada de discreta: - sou tão boa; - sou tão bom; - ela é tão boa; - ele é tão bom.


A subtileza está fora de moda. É invisível. Visível e reconhecido só o mundo alarve do impacto. Nem se apercebem do poder da sugestão discreta, também efectiva e bem mais proveitosa para o bem comum. Não. Disso não querem saber. Vão cantando e rindo cheios de si e das suas certezas muito certas dos jornais e redes sociais manipuladores, os sábios e os criadores de conteúdos dos holofotes e megafones - como os muralhas virais. Aproveitando a maré para distorcer a realidade e encher os bolsos e o mundo de balofice. A manipulação da opinião é o negócio do século XXI.


Guardarei um par de horas do fim-semana para continuar a ouvir o audiolivro ApariçãoEntretanto a ronda pelo piano e teclados do M. está quase no fim. Neste momento o Nuno mostra a colecção de efeitos sonoros. Acabei por me demorar até num post como este que era para ser muito ligeiro.