(actualizado e aumentado)
Ontem abriram um post antigo. Ora vou explicar a importância do que parecerá infantilidade, insignificância mesquinha, mas diz muito do mundo no qual vivemos. Nos pormenores esconde-se o carácter das pessoas.
A entrada aberta ontem foi esta:
- Amor à natureza..., de 21 de Dezembro de 2019.
Entretanto como apaguei a fotografia do suporte das fotos, desapareceu do post. Tratava-se de uma fotografia de uma batata em forma de coração em cima da bancada da cozinha, com a legenda. "Amor à natureza... recíproco".
Quatro anos mais tarde alguém aqui da SapoBlogs fez um post idêntico com a associação do "amor ao trabalho".
Fiquei sem perceber se foi mimetismo ou pura coincidência. Pode acontecer. Afinal apanhar uma batata em forma de coração enquanto se cozinha acontece e quem tem blogs pode ter a tentação natural de fotografar e publicar. Ou fotografar os pés enquanto se passeia num parque ou jardim: ideia corriqueira também há anos registada nas Comezinhas. Neste caso, inclino-me mais para que tenha sido coincidência.
Mas não raro posts das Comezinhas e comentários deixados em blog com muita audiência foram mimetizados anos mais tarde noutro blog. E não é caso único. É uma realidade que conheço desde sempre e compreendo hoje ter a ver com a minha capacidade de criação e discrição e como estas qualidades servem de chamariz a gente oportunista.
Parece mania da perseguição? Patético? Doentio? Eu própria ponho travão nestas associações por achar que posso estar a ser injusta. Todavia este prurido é pura ingenuidade minha. Há gente verdadeiramente oportunista, que chega cheia de elogios e boas palavras e tudo quanto quer é aproveitar-se do talento e trabalho alheio. E assim conseguem obter os favores dos promotores de escória com muita audiência - aliás, eles próprios usam os mesmos métodos. É o género apreciado e valorizado - o género trafulha com sucesso no mundo do espectáculo, agora online.
E isto tudo a propósito de uma simples batata e de dois posts abertos ontem - também abriram o tal segundo do blog que teve a mesma ideia. É muito difícil distinguir no mundo quem está por bem e quem não está.
Extrapolando para planos mais sofisticados: é muito confortável dar ar de superior a estas mesquinharias. Menoridades. Mostrar-se muito bem consigo próprio e atento apenas a temas de relevo. Fazer de conta que o foco é no trabalho próprio e na valorização do trabalho alheio com valor (o que convém mencionar e elogiar por daí advirem dividendos). Mostrar superioridade moral e intelectual. É muito saudável. Pena poder corresponder à aparência e a máscaras que escondem sacanices.
A despropósito ontem vi a reportagem sobre Sócrates e a Operação Marquês. Às tantas dei por mim a aperceber-me da mentalidade torpe daquele homem enrolado no mundo da mentira, trafulhice, troca de favores, vaidade e aparência e também extrapolei para este mundo online e certas tribos que nele vivem. O tipo de mentalidade e forma de estar deve ser a mesma, pensei.
Consciente que este tipo de post cai em saco roto por ser fácil rotular o conteúdo de ressentimento paranóico, optei por escrevê-lo. Tal como há mais de vinte anos denunciava as trafulhices do BES ou há quase vinte a corrupção de Sócrates. Já na época era a desfasada da realidade, com prejuízo grave para a minha vida pessoal. Já na época os sábios, os lúcidos usavam e tropediavam com grande sucesso. Os protagonistas e as animadoras de claque vão mudando, mas os métodos não mudam. O mundo da opinião no espaço público é sórdido. E se dá ideia que vai para aqui uma grande confusão, é pura distracção. A verdade nua e crua é assim: incómoda. Mesmo que pareça baralhada. Nas Comezinhas não sirvo embrulhos de sapiência atraente, prontos para o mercado da edição e da publicidade. Nem faço favores a troco de promoção.
Fico mais uma vez com o odioso e dou todo o palco aos saudáveis, sábios e generosos das múltiplas amizades. O sucesso é todo vosso.
Bom dia.