Hesitei em publicar o vídeo do YouTube anterior - música Praying. Razão? É pimba. Logo caí em mim pensando: tolice, não faças figuras tristes caindo na esparrela da pretensão. Se te apetecer pôr a música que te mostraram ontem, põe. Tal como apresentas vídeos de histórias singelas, animações despretensiosas. E só por causa disto veio à cabeça a torrente habitual. Diverte-me ver gente que cresceu de forma desonesta, a vender-se a troco de favores, elogiar a própria seriedade e o próprio preparo intelectual. Estes auto-elogios são de rebolar a rir. Gozo como uma preta (ai, que susto) vendo gente a colar-se ao filet mignon da música, da literatura, do humor ou do quer que seja por ter acedido por mimetismo ao circuito fechado das referências convenientes em cada momento. Reparo como são os mesmos(as) que defendem a coragem com os fracos e a bajulação dos fortes, seja por via da exibição de erudição fajuta, da superioridade do humor rasteiro, do desdém do simples etc. Depois sossego e rio menos. Penso: a prosápia infundada é uma postura de vida muito popular, com legiões de seguidores prontos a imitar os gurus que escarnecem daquilo que consideram ser a inferioridade alheia. Recordo o que cedo me ensinaram. Quão mais perto da boçalidade e da ignorância, mais necessidade de demarcação do simplório, do parolo. E de rir à custa dele, desdenhando e escarnecendo, afinal é um negócio rentável com muita audiência. Lembro do que a minha avó me dizia em pequena, referindo-se a alguém que apreciava por inúmeras qualidades, de quem era amiga e que se negava a usar avental na cozinha: ela não pode pôr avental, ainda está muito perto.
Bom dia.