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03/05/2024

Ponto de situação

Estão a passar os dias sem que faça aquilo a que me propus. Reina a preguiça e dispersão. Falta de vontade de ler e escrever por encomenda própria, além de acontecidos que prendem a atenção e a distraem ainda mais. Haverei de assentar e acabar por me dedicar ao que pretendo, ainda em croqui - o número de esquissos que construí ao longo da vida é uma coisa. Entretanto como de costume sugeri-me mais regras de bom viver. Logo eu tão avessa às ditas. De boas intenções está o inferno cheio. Ideias simples: impor-me uma chamada telefónica ao fim-de-semana para familiar ou amigo e obrigar-me a ver um filme, série ou programa da RTP 2 ao fim-de-semana, nem que seja ao calhas – já sei, digo isto com recorrência suíça; se para mais não tiver proveito, serve para fruir dalguns "conteúdos" numa curta temporada, na melhor das hipóteses incuto ou reintroduzo um hábito esporádico - soa a contradição, não é?


A primeira ideia decorre de saber que se é costume falar com família e amigos, não sou muito regular e a união faz-se da presença e da regularidade. Os laços não se mantém à toa ou com inconstâncias. A segunda por falta de estímulo exterior. Tenho andado muito focada no mundo interior. Isso é redutor e acaba por limitar os interesses. Terei de dosear, sabendo que estou longe de ser daquelas pessoas que aguentam o consumo de quilos de filmes, séries, livros, debates, jornais, etc. Possuo uma válvula de contenção como qualquer depósito e considero isso positivo. Há que ter limite. Estímulo a mais faz-me mal. A questão é que a menos também não é desejável por ficar a rodar o mundo interior em loop. Daqui precisava partir para a seriação do que devia ou não consumir e do método para me concentrar num objectivo. Devo admitir que confio no acaso e gosto pouco do cálculo excessivo próprio da ambição, até porque para isso teria de me levar a sério o que seria muito aborrecido, além de estúpido, apesar de considerado a fórmula do sucesso.


O post semi-prometido acerca da falta de juízo auto-crítico da intelectualidade portuguesa fica para mais tarde. Não estou com paciência.