Em miúda estavas habituada a ver jogar snooker e em casa tinhas uma mesa miniatura. O brinquedo era de um dos teus irmãos, mas bem se sabe: a vantagem de teres vários irmãos é o acesso aos brinquedos e ao mundo deles também. Gostavas de pegar no mini taco com mola e ir acertando nas bolas, fosse em movimento directo, fosse em tabela. Nunca foste muito habilidosa mas percebias os princípios e o mecanismo da coisa e os efeitos que cada jogada podia potenciar. Depois também jogaste snooker no computador – nas horas em que devias estar a ler e a estudar; enfim, opções erradas de vida quando se visa o sucesso.
A opinião publicada tem um pouco de snooker. A cada tacada anónima (no sentido de desprovida de reconhecimento e não de encobrimento de identidade), assim como quem não quer a coisa, a mesa de snooker – o espaço público português - ganha novos contornos resultante das directas, tabelas e efeitos sequenciais. É muito divertido observar. Entretém.