E aí vou eu à descoberta. Deslizando pelo mundo.
De amanhã a um mês vai expirar a minha assinatura anual do Observador. Este ano não esqueci de retirar o manhoso automatismo de renovação. Direi adeus ao Observador sem grande saudade, reconhecendo que li um ou outro artigo com interesse, no meio de um mar de doutrinação facciosa e medíocre. Um jornal feito essencialmente de comentário ou opinião. Apenas uns furos acima do Correio da Manhã que também subscrevi há uns anos – para criticar é preciso saber do que se está a falar.
Há dois anos ando hesitante em subscrever o Público, mas ainda não vai ser desta. Recuando ao tempo de adolescência recordo os jornais que lia habitualmente: Expresso, Independente, Público e Jornal de Notícias. E é mesmo este último que vou assinar, admitindo que hoje será um tiro no escuro por não o ler habitualmente nos últimos anos, por isso não ter ideia de como vem sendo feito. É mesmo um voto pelas boas memórias. Afinal fui feliz a ler o JN há duas/três décadas e é um jornal da minha cidade. Largo assim o centro das disputas ideológicas imbecis. Deixo para trás as lutas pelo poder, meras guerrilhas de ego encapotadas, a que estão entregues os jornais da moda e, em geral, o espaço público português. Política ainda mais rasteira do que a praticada no seio dos partidos e dos orgãos de soberania - afinal o quarto poder é hoje o primeiro e mais influente poder dissimulado. Sejam muito felizes a perorar do alto da vossa infinita presunção, estupidez e oportunismo. Por mim vou tentar voltar às notícias em si. Espero não me desiludir.
Amanhã assinarei o Jornal de Notícias.