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20/04/2025

Diário 20 de Abril de 2025

 

O tema do diário deste fim-de-semana é Rubens e as suas deusas roliças. Mais uma vez o que escrevo decorre da leitura de uma publicação aqui do Medium, afixada na Reading List. Continuo a aprender com quem sabe de História da Arte e por aqui escreve. E escusado será dizer o evidente: se declaro que o que escrevo tem base no lido, é para sublinhar a diferença dos sábios e sábias de geração espontânea que não prestam o devido reconhecimento às fontes de conhecimento, apesar de fazerem muita questão nas referências quando convém. Adiante. O post eleito de hoje debruça-se sobre a tela O Julgamento de Páris, de Peter Paul Rubens, pintor flamengo, e conta a história do concurso de beleza promovido pela deusa da Discórdia, Éris, que lança uma maçã dourada com a inscrição “para a mais bela” no banquete de um casamento para o qual não foi convidada. Na pintura surgem três voluptuosas deusas a concurso em ângulos diferentes mostrando curvas e sensualidade — a majestosa Juno, a guerreira Minerva e a personificação do amor Vénus. Variações da Venus Pudica, modelo clássico de elegância e beleza feminina, retratada de pé com a mão esquerda a puxar o tecido sobre a genitália e a direita a cobrir os seios. O pintor acreditava que estes corpos gregos e romanos estavam mais próximos da perfeição da criação. Ensina ainda o autor do post que Rubens, influenciado por ideias renascentistas, associava formas geométricas a características humanas, o quadrado, a força, ao homem, e o círculo, a beleza, nobreza e fertilidade, à mulher. E hoje fico-me por aqui em matéria de leitura no Medium. Dirão: nada que não se saiba desde sempre. Nada que um aluno do liceu não papagueie de cor. Pergunto: será que essa sapiência infusa é real? Será que essa soberba e desdém fazem sentido? A modéstia está fora de moda, bem sei. É, aliás, motivo de zombaria por quem se presume sofisticado. Seja. Na natureza nada se perde. Enquanto fazem chacota vão aprendendo para logo depois se mostrarem iluminados à nascença.


Agora apetece-me falar de sangue-novo e sangue-esclerosado. Não se trata da distinção de estratos sociais nem de elevador social, mas da perpectuação dos vícios de manipulação da realidade em favor do cinismo dos mais astutos e desonestos seja qual for a origem. A falta de valorização da real renovação com discurso e acção de ruptura e de genuína vontade de fazer melhor por si e pelo todo, a pretexto do desdém pela crença na evolução da civilização, leva a uma rigidez insustentável e estéril. Tudo quanto é criado num contexto inflexível é pobre e repetitivo por mais queira dar imagem de conhecimento profundo e sólido. O que é rijo também racha. A tendência para designar sangue-novo indivíduos que querem impressionar ou gente promissora os que replicam os tiques esclerosados dos promotores com ligeiras alterações de aparência são as fórmulas certas de eternizar a vileza e a vulgaridade disfarçada de sabedoria. São as lufadas de ar bafiento. O ar frio corta a direito, não foi feito para se pôr a jeito da aprovação, do elogio e da promoção fácil.


Amanhã terminarei este post a falar do almoço de Páscoa em família.





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Chegados a amanhã, hoje, dia de Páscoa, fomos almoçar a casa da minha mãe com os meus pais, irmãos, cunhadas e sobrinhos. À entrada queijo de ovelha com tostas e logo todos sereníssimos sentados à volta de uma mesa vestida de toalha branca e decorada com seis rosas vermelhas ao centro, chocolates no guardanapo de cada um e serviço de dias festivos com cabrito assado, batata, castanhas e grelos, acompanhados de maduro tinto Vallado. À sobremesa pão-de-ló, salada de fruta, bolo de ananás e brigadeiro. A mais nova das comensais, a minha sobrinha que estava entusiasmada com fotografias antigas a fazer pose e caretas, saiu mais cedo com destino a Lagos — numa família portuguesa há sempre alguém com o pé levantado no ir. Revi a minha cunhada S., com quem não estava há algum tempo, desde que abalou para o Alentejo de armas, bagagens e coragem. Ouviram-se músicas antigas. O meu sobrinho mostrou fotografias da volta a Portugal de lés-a-lés (costa e interior) e viagem ao Japão — já ficou com o bicho das andanças. Estávamos todos faladores e mais velhos, as picardias habituais foram suavizadas e não houve contendas opinativas, o que sabe bem e torna tudo mais leve.


Saímos cedo, comigo cheia de sono como é costume. Assim que cheguei a casa dormi.


 


Obrigada por terem lido. Boa semana.