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19/04/2025

O que parece e o que é

Ao perorar quase todos os dias acerca de circunstâncias e naturezas humanas várias corres o risco de encanitar os outros e aborrecer-te a ti mesma. Mas sendo tendência inata porquê combatê-la? Se as observações fossem gratuitas, terias com que te preocupar, porém procuras o senso de justiça nas considerações que decorrem da permanente conversa que estabeleces desde criança contigo própria.


Hoje dois temas acorreram ao pensamento pela manhã. Os sinais exteriores de humanismo e desinibição feminina.


Dás com a ideia errónea de que quem se preocupa com a realidade e as injustiças do mundo, quem tem os pés no chão e não se perde em egoísmos e narcisismos sempre foca nos problemas graves do país e do mundo. Como se tantas vezes o uso dos dramas humanos não fosse mero objecto de negócio de opinião, do entretenimento e mesmo do meio dito artístico. Como foi desde sempre a galinha de ovos de ouro do jornalismo sensacionalista. Fazer de conta que se está preocupado com uma injustiça ou tragédia para criar efeito – a performance do drama nunca saiu de voga. Estendeu-se, sim, dos jornais sensacionalistas para as redes sociais, blogs e plataformas online. A exploração da dor alheia para proveito e protagonismo próprios – quão lúcidos e altruístas se tentam mostrar os que vivem desse negócio. Por vezes décadas seguidas.


Toda a vida estranhaste mulheres que se mostram muito desinibidas caso imponham a sua suposta sabedoria e ascendente sobre presumidos ingénuos. As conselheiras que surgem do nada, mostrando-se muito resolvidas, autónomas e desprovidas de dúvidas. Com resposta pronta para tudo através de catálogos de sentimentos e experiências afectivas de que falam com extraordinária facilidade e leviandade. São a versão feminina dos homens gabarolas. E como eles declaram o que deduzem da experiência de vida alheia não compreendendo, em regra, peva do mundo do sexo oposto com quem estabelecem relações superficiais e insatisfatórias.


Bom fim-de-semana.