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04/09/2024

Diário

A semana corre mais caseira com saídas pontuais e tratamento de burocracias. É curioso como precisamos de um pouco de tempo e paz para tratar de simples pormenores com activar a chave móvel digital. Tinha o pin temporário em casa desde 2020 e ainda não tratado do assunto. Agora por precisar do certificado do registo criminal sempre resolvi. Aproveitei o balanço e instalei a aplicação do SNS 24. Verei mais tarde se tem alguma utilidade além da informação que lá consta. Na aplicação do Hospital Santo António posso seguir o plano de consultas, o que é bom.


Amanhã logo cedo tenho mais destas estuchas presenciais. Ao fim da manhã irei a uma espécie de horto comprar mais sementes de erva para gato – veremos se desta vez nasce. De tarde trabalharei a partir de casa – pedido que me fizeram hoje. E começam a esgotar-se os dias de férias. Ainda devo fazer uma visita familiar – se correr bem amanhã ao final da tarde para deixar a sexta livre para o que me der na real gana.


Ontem assentei algumas ideias. Constatei como a vida nos deixa em situações bizarras e penalizadoras sem que tenhamos margem de manobra para explicar a razão da nossa conduta sem dar o gostinho especial a velhacos de exibirem ainda mais o seu visco. Se nada há a fazer porque quem agiu de modo canalha não se retrata – confirmando o asco de pessoa que é -, nada há mais a fazer da minha parte do que manter-me fiel ao que sou e distanciar-me cada vez mais de quem se comporta com idênticos tiques. Esse visco da canalhice pega-se como uma praga. Não há aqui trauma. Há objectivamente faro para detectar canalhas e adivinhar-lhes os passos e vontade de combatê-los.


Outras matérias que se prendem só comigo e com a sensação de incapacidade também foram postas no prato da balança nos últimos dias e os fundamentos revistos. Está tudo mais do que explicado, só falta passar por cima da insegurança.


Mais fundo apercebi-me ontem que faz algum sentido perguntar de que somos fruto e quem somos. Saber-nos situar no mundo e entre os demais ajuda a baixar ao terreno. Averiguar onde estamos desfasados e iludidos. Qual o nosso contributo para os insucessos. Aceitar melhor a nossa pequenez. E nem por isso deixar de acreditar nos sonhos, por mais que nós próprios, a vida e quem só pensa em si se tenham encarregue de destruir muitas das nossas forças e melhores capacidades e talentos. Tentar compreender a dificuldade das conquistas por pequenas nos pareçam e reconhecer o esforço que dispensámos para obtê-las.


Há uns dias, entre os múltiplos conselhos que ouvimos a toda a hora, ouvi qualquer coisa que faz sentido: não deixe que os outros a façam ficar a gerir um conflito, atire-o para a outra pessoa. Ela que resolva. Fez sentido ouvir isto. Numa época em que toda a gente dá conselhos, faz reparos e emite opiniões sobre a vida alheia, muitas vezes de modo encapotado, e tendendo a minar-me por esta carga de críticas e desdém, o que me compete é devolver o conflito a quem gosta dele. Se gostam tanto de dar conselhos e sabem tanto da vida, resolvam o conflito, o ódio no seu íntimo. Fica todo para quem se acha superior e despreza – aplique os conselhos a si próprio.