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14/09/2024

Moleskine

Ontem deste por ti a pensar que começas a perder mão no que escreves. Até há um ano lembravas os posts passados por associação de ideias. Agora começas a ter aquela noção: ãh?, escrevi isto? Talvez resulte de no último ano (ano e meio, dois?) teres passado a papel a ecrã bastante mais quantidade de divagações. As Comezinhas começam a encorpar. Lembras de há pouco tempo planeares uma suma das ideias recorrentes, aquelas em que és chata como a ferrugem - a insistência deve ter sentido para além do obsessão ou de qualquer outra explicação pela negativa que a psicologia costuma gostar de esmiuçar para rotular com simplismo. Alguma razão hás-de ter e convém dar consistência às ideias (algumas delas). Com propósito: chegar à conclusão ou dar resposta simples a uma pergunta que ficou a martelar o teu cérebro e que na maior parte do tempo nem sequer consegues concretizar. Mas percebeste que o peneirar do passado (e é tão recente, caramba; se fizesses isso com a vida estarias bem arranjada) é tarefa aborrecida. Até há pouco era fácil correr o blogue todo, deixou de ser. Mas sabes que mais cedo ou mais tarde acabarás por dar uma ordem nisto. Não sentes pressa nenhuma. Nem pressão. Ao menos no momento. Agora ocupa-te mais a ideia de te desfazeres de tralha em casa: ciclicamente precisas de libertar tralha para criar espaço e ideia de espaço. Precisas de umas horas a mexer em quinquilharia, roupa, marroquinarias, sapatos, etc.. Escolher e desfazeres-te do que estando acumulado há anos, não faz sentido guardar. Uma forma como outra qualquer de te organizares mentalmente. Quanto ao blogue depois logo se verá.


As agendas vão ajudando a manter um rumo (sempre errático, ou nem tanto). Isto a propósito de uma entrada visualizada hoje em que dizes fazer das Comezinhas o teu moleskine a céu aberto. É isso, e também o permitir que venham à luz do dia as infindas horas de divagações solitárias e em andamento. Por vezes entrecortadas com trocas de impressões com quem te cerca. Algumas das agendas ficam por isso mesmo, já estará tudo dito, noutras não. A ideia mais ou menos desenvolvida virá ou não a seu tempo.