Pesquisar neste blogue

20/09/2024

A Guerra

Voltando à série A Guerra, a tal que serve de fundo a um mundo em ebulição com inúmeras questões por desempoeirar tamanho é o apego a ideias feitas e ao indizível. Hoje não tenho tempo de dizer mais patetices. Se me tivesse lembrado antes, faria dos dois postais anteriores a introdução às duas notas que se vão seguir, mas como de costume a coisa foi fluindo sem estratégia. Vai daí esta entrada na série A Guerra vai ficar mais curtinha. O propósito sem plano (passe a contradição) é uma vez mais deixar as ideias abertas. Abertas por não estarem fechadas (na lógica da Lili Caneças do estar vivo é o contrário de estar morto) e abertas por ficarem à consideração de quem lê.


Passa amiúde pela minha cabeça o tema greve: deambulo entre o facto de nenhuma conquista de direitos laborais ter sido conseguida sem reivindicação e luta e a constatação de que são os grupos profissionais privilegiados (em regra, da função pública ou de empresas estratégicas) que mais recorrerem à greve usando e abusando da chantagem, sendo de perguntar se essas lutas trazem benefício efectivo aos trabalhadores mais penalizados ou explorados, ou se pelo contrário, estes acabam penalizados duplamente: com piores condições laborais e a pagar através dos impostos as regalias dos muitos reivindicadores profissionais.


Hoje tive a oportunidade de constatar o espanto e repúdio veemente que causou uma afirmação normal de um vereador do PAN quanto a famílias numerosas: recordou que somos demais e o mundo não está pelos ajustes. Será possível dizer isto sem associar a declaração à tirania de regimes totalitários? Sem ser considerado extraterrestre ou violento agressor da liberdade de escolha? Há muito que ando para fazer um postal sobre o número e crescimento expectável da população mundial (já fiz uma entrada, mas apenas citando números e conclusões das Nações Unidas, não opinando) e a forma tonta como se continua a falar da tragédia do envelhecimento da população. Só adianto o seguinte: pensar nos prejuízos e dificuldades imediatos (até vinte ou trinta anos) pouco nos diz dos equilíbrios alcançados a prazo mais longo.


Pronto e hoje é tudo, duas temeridades numa só noite são perigosas. Podem criar muita comoção.


Amanhã haverá mais, quase de certeza.