O absurdo argumentativo e a convicção generalizada de que se tem razão e se tem direito a tudo quanto apeteça originará o colapso do mundo tal como o conhecemos. Chamemos esquerda e direita ou progressistas e conservadores, a ideia de reivindicação sem limites dos valores e interesses de uns contra outros; chamemos ignorantes e iluminados; chamemos tolerantes e radicais; chamemos mexilhão e elites, a noção que sempre podemos responsabilizar qualquer outro ou outros pelo mal que acontece no Universo e que para tudo há causa humana, há erro humano, conduzirá a uma espécie de apocalipse, à falência da humanidade - calma, não se assustem, ainda não estou a dedilhar o beiço, biruta de todo, nem venho pregar.
A crença absurda na razão - as luzes, também elas têm reverso -, a falta de consideração da existência do acaso, conduzirá ao paradoxo: a própria tentativa de explicar tudo no Universo resultará na impossibilidade humana de entendimento por absoluta confusão. O Iluminismo teve o seu papel nos últimos três séculos e caducou, uma página por descobrir avizinha-se.
O que decorrerá daqui para a frente, se sobrevivemos a um colapso climático (ou nuclear ou epidemiológico ou de outra natureza), tudo dependerá da capacidade de superação da tecnologia, da ciência e do acaso.
Não estou armada em bruxa. Apenas digo, como de costume, o que muitos pensam com os seus botões.