Agenda, elenco de tópicos, restos de pensamentos soltos ou apenas coisa nenhuma, é o que se segue.
- A indiferença ou a necessidade de demonstrar que se está a fazer frete ao dar atenção ao outro, não reconhecendo a importância para si da dádiva do outro, fazendo-o passar por devedor de gratidão, revela carácter dominador e egoísta.
- A falta de consideração, assente no preconceito e cálculo, pelos que podem fragilizar os alicerces da pose de superioridade, denota insegurança.
- Os homens e mulheres de acção, trabalhando muito e afincadamente para si e para os outros, não raro não os conhecem nem fazem esforço para conhecer para lá do catálogo, não cuidam do essencial nem costumam compreender o sentido da vida, acabando por confundir bajulação com reconhecimento ou por ficar amargurados pela falta de reconhecimento.
- O que sobra da fragilidade das opiniões que se expressam ao longo da vida, presas às circunstâncias, às influências também elas conjunturais, ao conhecimento mais ou menos profundo dos factos e a inclinações emocionais disfarçadas em função da maior ou menor cientificidade ou erudição, é o carácter de cada um e a honestidade empregue nas palavras e nas acções.
- Fora dos casos de desavenças graves e para lá do desligamento próprio de fases ou feitios mais independentes, a falta de sentimento de pertença ao ninho e inaptidão para defesa dos seus - da cara metade, dos filhos, dos pais – e, em contraponto, o deslumbre constante pelos outros revela deslealdade.
- A busca incessante da novidade, de aprovação, de novas caras e amizades superficiais, e o correr de admiração em admiração fugaz, denota insatisfação e leviandade.
- Tipos de amizade. As geradas na infância e adolescência, em ramificações familiares, no percurso escolar ou de vizinhança; as assentes em afinidades e cumplicidades de índole; as circunstanciais, como as baseadas em relações profissionais ou em algum interesse ou actividade mais ou menos duradouro; as relações interessadas ou falsas amizades, mantidas na perspectiva de obter ou conservar qualquer regalia que de outro modo seria difícil ou impossível.
- Independentemente de como tenham nascido, a profundidade ou superficialidade das amizades afere-se pelo do grau real de abertura e confiança da relação e capacidade mútua de compreensão para lá da presença, atenção ou satisfação de interesses partilhados.
- O hábito de ver em cada defeito que se aponta ao outro uma possível falha própria inferniza a vida, mas enriquece-a.
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A cada instante escreves e sentes a pequena angústia de dar o ar tonto de quem acha estar a descobrir a pólvora. Isto é, a debitar uma qualquer banalidade que nada acrescenta ao conhecimento geral. Todos os sermões que plasmaste nas Comezinhas podem ser reduzidos à insignificância, a verdades de La Palice. Ou, claro, deturpados. Falar em relações interessadas, troca de favores, corrupção, desonestidade, dissimulações, desconsiderações, falta de reconhecimento do mérito e, máxime, em injustiça, é tido por ingenuidade: por evidente torna-se ridículo. A suposta sofisticação determina serem considerações desprovidas de validade e interesse prático por alegado desconhecimento ou falta de capacidade em lidar com o carácter duro e implacável da natureza humana e Universal. A realidade é como é, sempre foi assim e será e que há-que fazer pela vida – a fórmula certa de se continuar a viver da esperteza saloia.