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10/09/2024

Do lado de fora

Ontem lá foi. Em cerca de quatro horas de comunhão de laços familiares e de amizade, entre uma maioria que se conhecia e uns poucos que se conheceram, sobressaiu serena boa-disposição. Vinte pintainhos. Já cá em casa na revisão do convívio, admiti que me senti do lado de fora. Tudo corria bem, todos entrosadíssimos. Acertei na distribuição de lugares, a ementa era boa e ajudou muito a natureza das almas e o bonito dia soalheiro em cima da areia, a escassos metros do mar. Contente pelo que se desenrolava, pela alegria que transbordava dos olhares e trocas de palavras, mas do lado de fora, como se fosse uma observadora que bem vistas as coisas nem examinava com grande atenção o que sucedia. Pairava sabe-se lá onde. Em lugar nenhum, na verdade. No éter. Porém, contente com a alegria dos meus. O Nuno buscou-me uma imagem que usa muito: a do furacão. Dá sempre ideia que o ponto mais seguro é o olho do redemoinho, dizendo-me que ontem era eu o olho do furacão, quieta, enquanto tudo à volta se animava. Talvez seja uma boa imagem. Senti-me amparada pelo Nuno, como sucede tantas vezes. Recordei a atitude de anfitriões próximos noutras reuniões, tentei imaginar como as vivem e sentem. Lembrei alguns eventos dos últimos anos para que fui convidada e nos quais me senti dentro do que estava a acontecer. Talvez para isso seja preciso não ser o olho do turbilhão, o centro das atenções. Há momentos a viver e ocasiões para dar a viver. Senti-os satisfeitos e o gozo máximo tirado disso é a alegria de ter a oportunidade de vê-los assim, em animado movimento de afinidades.