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14/09/2024

Diário

Hoje abreviado. Só para dar conta como uma compra online de cinco euros pode trazer tanta boa-disposição. O baralho tradicional de Tarot está a dar-me um gozo bestial. Entre as muitas perguntas que fiz (ai credo, tão obsessiva) há uns dias questionei-o sobre a minha vida tirando três cartas para que a definissem no passado, presente e futuro: para o passado saiu o oito de paus. Hoje fiz uma tiragem (a da fotografia) para as Comezinhas e convenhamos que não podia ser melhor. Sei, parece esdrúxulo, desfasado da realidade (será optimismo exagerado, ingenuidade?) já que o blogue dá ideia de deserto, até indesejado, mas este é o jogo e o caminho vai para lá das aparências. Agora o Tarot diverte-me como a astrologia, como as aplicações para ver os astros no espaço físico, como a interpretação dos sonhos. Arranjei mais um brinquedo.


Mais? Ontem o serão foi suave e alegre. Muito conversado. Muito rido. Muito terno. E o pensamento que fica no ar é este: a vida e as relações dão voltas e reviravoltas. A forma como se fortalecem na adversidade é uma obra-prima da natureza humana - deve-se muito à sabedoria, paciência e compreensão do outro. E devo estar grata por o Nuno ter esses predicados que fizeram de nós o que estamos a ser hoje (não uso o "somos" propositadamente, seria fácil demais). Também ajudei, é verdade. Apesar de às vezes desajudar com os destemperos. Nunca tomo nada por certo e continuo a não nos tomar por certos, mas este enlace é muito mais do que alguma vez acreditei possível. Encharcada que estava em negatividade pelos casos mal resolvidos que via à volta e pelos lugares-comuns e excites que se ouvem por aí acerca de prosseguir o coração e não viver insatisfeito. Insatisfeita nasci e morrerei. Se continuasse a não dar valor ao que mais tem valor e a deslumbrar-me com cada estrela cadente, aí sim, trairia o coração. Não é de cantos da sereia, de facilidades e falinhas mansas que se faz o amor. Pode exigir sacrificar o presente para vir a colher mais tarde o sabor do fruto maduro. Pode exigir renúncia. Tudo coisas muito fora de moda.


Mas como imagem do dia de ontem elejo uma alheia muito associada ao parágrafo anterior. Vinha a chegar a casa, no caminho entre a ida ao supermercado e à farmácia, cruzei-me com um casal que se aproximava naquele instante. Face à imagem fiz o mini romance: a felicidade do reencontro dos amados ao fim da tarde de sexta-feira com tempo para gozar juntos. Deram um beijo alegre e rápido, depois outro, sorriram e falaram meigo. Foram à vida deles e eu à minha animada por haver gente contente. 


De resto continua o mau feitio com o que leio por aí. Devo estar a passar uma fase má de telha ou falta de paciência e daí o efeito repelente do blogue a afastar muitos. Mas o facto é que não tenho paciência: ora são os milhentos textos de enaltecimento próprio, com fingimento de franqueza e auto-crítica fajuta (o que sobressai nunca é a verdade, mas o acerto das decisões e comportamentos, logo, a vaidade própria), ou os elencos e referências de leituras que se percebem vir se pessoas que não leram ou não compreendem os que elencam ou citam (hoje com a internet e a Inteligência Artificial todos são grandes elencadores e conhecedores), ora é o não bater a bota com a perdigota da substância com a forma de se expressar (de escrever, nomeadamente), que expõe farsantes ao olhar mais atento, mas convence as massas e os produtores e editores de vedetas no mundo online, da comunicação social e do meio pseudo-intelectual. Querem fazer-se passar por muito lidos e conhecedores, porém escrevem em pobre e funesta linguagem lifestyle presumida - razão de terem grande audiência. Sempre inchadíssimos com a sua profunda sapiência, seriedade e competência desdenhado os demais. Mentalidades quadradas em absoluto com arrebiques de modernidade. Ora são quiqueriquis sem ponta de interesse, mas que vendem muito num mundo acéfalo. Pronto, estarei a exagerar. É muito possível. Devia ser mais cordata e tolerante. Não podem estar todos mal, é certo. Além do que devo deixar respirar os demais. Talvez, mas nesta fase é-me impossível não declarar o que  mais vejo: fancaria.


Diário abrevidado, escrevi ao abrir. Quem diria. E o horror dos horrores: não cumpre o número de caracteres das audiências dos arrumadinhos. Fico desolada só de pensar nisso. Sofro tanto. Que maçada.


Por fim, e voltando ao Tarot: trouxe-me tão boa-disposição que já arranjei ânimo para continuar um dos projectos parados há meses. "Masé" tratar da minha vidinha e deixar os outros "pralá". Gozar da alegria que sinto, isso sim, vale a pena.


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