Talento, bom senso e lucidez? Abafa, desdenha o autor e plagia as ideias para distorcer e pô-las a render em teu benefício. Troca de favores, excites e lugares-comuns? Favorece e premeia os medíocres. Viva o mundo resplandecente das audiências da bem sucedida desonestidade. Clap. Clap.
Portugal sempre igual a si próprio em qualquer adro de igreja: nos corredores da política, na comunicação social e no entretenimento, no futebol, nas redes sociais e blogues, nas plataformas online. Sempre vinga este provincianismo serôdio e bafiento mal disfarçado com o perfume barato a modernidade da linguagem lifestyle e da imagem pimbo-pretensiosa.
A vitória dos pastéis de nata que figuram para inglês ver e fazer de conta que aprecia quando não respeita: a parodia do eterno provinciano português em bicos de pés muito vaidoso de si e dos seus êxitos.
Uma maçada contrariar gente tão contente consigo própria.
Não há direito. Até parece que podíamos ser um pouco melhores. Se nos sentimos tão bem assim a dizer e escrever resmas de baboseiras e clichés, a elogiar com falsidade e a intrigar pela calada, a trocar favores, se nos achamos o máximo assim presumidos e aptos a comentar tricas da actualidade, a fazer de conta que somos muito lidos e entendidos e a produzir lixo pseudo-intelectual e literário-pimba por que raio vamos aturar esta estúpida a criticar-nos? Tem a pê da mania, a desfasada. Xô, nós estamos bem. Gostamos do nosso mundo bem sucedido. Quem está mal que se mude.
O espelho do país.