As Comezinhas têm dois especialíssimos leitores. Não direi regulares, mas vão passando por cá, às vezes a meu pedido, outras motu proprio. Desenganem-se aqueles que julgam que os pais são sempre os nossos mais benévolos defensores, apoiando-nos incondicionalmente. Há quem tenha pais, e restante família, bastante críticos e com isso conviva desde sempre. Depois de passada a fase da parvoeira da juventude em que nos consideramos injustiçados, percebemos que os comentários de desaprovação nos ajudam a formar carácter e a ficar mais exigentes connosco próprios.
Vem isto a propósito das minhas permanentes alfinetadas. Sei que os meus pais prefeririam que ao discorrer no blogue me elevasse e escrevesse pela positiva, deixando de lado os constantes remoques. Gostariam que fosse mais cordata ou pelo menos dissesse o que quero dizer de forma menos acintosa e, sobretudo, não me menorizasse.
Adoraria ser mais parecida com os meus pais e saber viver de modo mais inteligente e adequado. Sucede que saí um nada ranhosa e não há volta a dar. O que os meus pais não sabem (sendo pessoas educadas e sensatas não ligam à astrologia), é que para lá do benfazejo Júpiter, sou fortemente regida por Marte - tal como a Gabriela e sem a beleza dela: eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim, Mau Feitio. Além do que, ensina-nos a astrologia que há pessoas que vêm ao mundo com melhor presença física e moral do que outras, tal como podem contar com maior predisposição para ajudas externas ao arbítrio. Há grandes equívocos que levam a considerar que os bons resultados advém sempre do trabalho e do mérito, quando nem sempre a vida se explica assim. Nem tudo é limpo, fácil e justo, como eles tão bem sabem. E se todos padecemos das dificuldades, há gente que vem ao mundo e tem de enfrentar maiores contrariedades. Quem não conta com tantos calços favoráveis tem de se esforçar mais e naturalmente dói-se das dificuldades e incompreensões. Nada disto invalida que cada um não tenha obrigação de trabalhar a vida o melhor possível em prol da sua (e dos outros) felicidade.
Poderia transmitir a ideia do parágrafo precedente, chegando às mesmas conclusões, sem recorrer à astrologia para evitar os rótulos fáceis de tonteria dos que julgam sempre influenciável e mentalmente frágil quem se refere ao esoterismo sem ser para condenar o embuste. Por juízos de mero bom-senso ou razoabilidade demonstraria como as diferenças são tantas vezes explicáveis por motivos que ultrapassam a vontade humana. Mas preferi assim, é sempre útil usar repelentes como a astrologia, atraindo apenas quem está no mundo de espírito aberto de modo genuíno e não por cantilena.
Afastei-me imenso da ideia que tinha em mente ao começar a escrever este post. Era tão só dizer que os meus pais são pessoas respeitáveis, de juízo inteiro e que faço muito gosto - mais do que quaisquer outras - me leiam.