Viver com quem mergulhado no mundo da música não seja particularmente apreciador de jazz e ainda assim, reparando que ando a colocar vídeos a propósito no blogue, passe os últimos dias em pesquisas e me encha um disco NAS de discografias de autores de jazz e me chame a atenção para um programa do Júlio Isidro sobre o percurso do dito estilo musical em Portugal, na RTP Memória.
Temos uma velha discussão caseira. Implico com o Nuno cada vez que o apanho na RTP Memória, por temer que perca o pé do actual. A boca é: então, isto assim é como se vivesse com alguém de 80 anos. Não é que não reconheça a importância do passado, mas às vezes ficar agarrado ao que se fez lá atrás, impede-nos de acompanhar o ritmo do tempo. Bem prega frei Tomás...
Ontem no tal programa exibiram um trecho antigo intragável, supostamente de grande qualidade, que a mim mais não soou senão a entediante música de elevador. Chamar àquilo jazz é heresia. O Nuno também não ficou especialmente agradado, o que me fez sentir mais cómoda com a repulsa tida. Viver com quem percebe de música tem-se traduzido num incremento considerável não no conhecimento dela, que continua nulo, mas de aproximação às noções básicas de como funciona e é construída.
De qualquer modo, um dito no final do programa ficou no ouvido. A existência de grandes músicos lusos e a pouca divulgação do seu trabalho. Tirando um ou outro nome, nalguns casos já referidos nas Comezinhas, desconheço a maioria dessa gente talentosa portuguesa. Vou investigar e se descobrir coisinhas boas, aqui publicarei.
*
Como nota deixo só esta referência. Quando coloquei aqui o concerto da Maria João, o vídeo de Maio de 2021 tinha apenas cerca de 180 visualizações. Só à conta das vezes que a ouvi agora tem perto de 200. Trata-se da mais conhecida cantora jazz portuguesa. De extraordinária qualidade. Nunca deixará de impressionar quem gosta de música a pouca adesão do público ao que é bom e a profusão de visualizações de conteúdos de fracos executantes sem bases musicais que produzem sons como quem constrói lego, com peças pré-feitas disponíveis na internet (os loops), além de usarem vocoders e auto-tunes para afinar a voz e instrumentos.