Há vidas e vidas. Há as ajustadas conforme os ditames. As consideradas normais, banais ou excepcionais. Fazem-se de muitos ditos e acontecidos, sempre presentes. De dia-a-dia movimentado, vidas ricas em presente risonho ou pesaroso. Existências sempre muito próximas e cúmplices, feitas de constante comparência, elogio e atenções. De frequente conselho, recomendação, opinião ou reprimenda. De conquistas e sucessos. De círculos de amizade. De permanente abraço e palavra amiga. Não te descobres nessas vidas dos homens e mulheres que importam.
Há as outras vidas. As dos desencontros e reencontros. Das ausências e saudade. Das irritações e perplexidades. Da compreensão e do abraço ou beijo ocasional. Do riso de alegria depois de anos, ou do sorriso inquieto de mera estranheza. De horas infindas de conversa a pôr a vida em dia. De mensagens rápidas a saber se está tudo bem. De mimos e motejos. Das existências que compreendem além das amizades vivas, as mortas ou hibernadas - não é por não mexerem no quotidiano que perdem peso e atenção para quem as viveu. Das surpresas e alegrias. Dos desgostos. Da descoberta precoce ou tardia dos pequenos móbeis que disparam as vidas daqueles a quem se quer bem. É a vivência solta feita história do tempo que passa e da forma como as outras vidas e a tua se tocaram.