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28/05/2022

Diário

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É já uma imagem muito repetida neste blogue. Para quem só aprecia outro tipo de peixinho é uma sensaboria, mas cá vai: abriu a época da caça à sardinha. Pena que houvesse mais olhos do que barriga. A fome não deu sequer para metade do prato. Se ao menos isso de reflectisse na balança seria feliz, mas qual quê: já lá vai o tempo em que tinha boas notícias todas as semanas. Estagnei a perda de peso nos menos trinta e dois quilos. Não é que seja mau até esse ponto (recuei sete anos), mas bem precisava de menos dez quilitos ou um pouco mais (para recuar quinze). Voltar há vinte e tal anos está fora de causa. Ao que parece a introdução o pão (a minha perdição, ao lado de tudo quanto seja hidratos) está a dar cabo do plano que corria segundo o padrão normal até ao mês passado. Enfim, comilona me confesso.


Antes do almoço ajardinei os vasos da varanda e sonhei pela enésima vez com uma pequena casa com minúsculo quintal - quero mesmo arranjar sarilhos. Sucede que mantenho atenção aos sites imobiliários e os preços das casas continuam a subir: agora nem na periferia está ao meu alcance uma pequena moradia com jardim. Continuo a achar absurdos os preços imobiliários, que só se justificam pela compra por atacado por estrangeiros. Para os rendimentos médios portugueses o valor da habitação está exorbitante. Mas de que vale afirmar isto? Num estado que caminha para o socialismo a questão é resolvida com remendos ínfimos (mas muito anunciados e badalados de modo repetitivo) de apoio há habitação económica para os mais desfavorecidos. É assim que entre nós se resolvem os problemas. As empresas de distribuição de electricidade esbulham os clientes? Não faz mal, continuem a fazê-lo e que se criem contratos acessíveis para os mais carenciados. A habitação está cara?, não faz mal, continue a especulação e crie-se uma bolsa de rendas acessíveis para os mais vulneráveis. É a forma de governar à portuguesa. A da esmola.


Houve alturas em que pensei mudar-me para Vila do Conde ou Póvoa de Varzim, mas iria complicar a vida, a menos que ficasse em definitivo em teletrabalho. Ainda assim, é uma ideia para a (distante) reforma: viver numa cidade mais pequena que tenha mar. Não há como ter sonhos, ainda que pouco viáveis. Mantém-nos vivos.


Ainda sem planos para o resto da tarde e noite. Todos os que tinha foram gorados pela Covid. Não sei se leia, se escreva ou faça pura ronha. Ando numa preguiça só.