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13/05/2022

A minha multidão VII

As raparigas são invejosas entre si e bem reconheço algum ciumezito de miúda. Primeiro eras a prima mais velha, coisa que te dava importância e só por si me deixava a cismar de vez em quando, logo eu que estava habituada a ser a mais velha das raparigas no lado materno. Depois fazias tudo bem e eras sempre elogiada por todos, coisa que não me tocava. Estudiosa, um primor de bem fadada para as tarefas de casa, simpática, bem-disposta e generosa com todos. Enfim, um ideal que não se consegue superar. Por isso mesmo era impossível não ceder e reconhecer as tuas qualidades. Devo-te inúmeras atenções e gestos de amizade. Foi pela tua mão que cheguei ao primeiro emprego em part-time ainda no fim da faculdade. Convidaste-me para umas das melhores viagens que fiz. Uns anos depois, quando partiste para outros vôos, cedeste-me o lugar no escritório. Não te esqueces de ligar nos dias certos ou nos momentos menos bons. Quase sempre te vi a encarar a vida pela positiva e rodeada do carinho da família e amigos. É com certeza por mereceres.